Ícone do site Jornal O Celeiro

Administração em meio a crise: Presidente avalia mandato frente ao Sindicato dos Produtores Rurais

Com saldo positivo, Luís Sergio Gris comemora as realizações do sindicato e a contribuição ao agronegócio local.

Em setembro de 2021 o mandato do presidente Luís Sergio Gris, a frente do Sindicato dos Produtores de Campos Novos, chega ao fim, e desde já é possível contabilizar as ações empreendidas para fortalecer o homem do campo nestes quase três anos de gestão. Sendo Campos Novos um município com grande representatividade no meio rural, o Sindicato dos Produtores deve trabalhar visando o crescimento e desenvolvimento do produtor. Gris acredita que a instituição realizou um excelente trabalho e os resultados são claramente vistos, mesmo diante das dificuldades imprevistas que surgiram em 2020. Em conversa com a redação do jornal O Celeiro o atual presidente fez uma avaliação deste período e falou sobre as ações que estão programadas para os próximos meses.

Sobre o início da gestão, Gris relembra a luta constante em prol dos produtores como forma de apoiar a garantir condições justas aos produtores rurais. Logo no primeiro ano surgiram questões sérias referentes a tributações dos agrotóxicos gerando preocupação na classe rural. “Tivemos nestes três anos muitos desafios. Nós reestruturamos o sindicato, fizemos a reforma na estrutura física do Parque Leônidas Rupp. Participamos das reinvindicações dos produtores junto ao Governo. O sindicato teve uma participação ativa na questão do ICMS dos agrotóxicos e também na busca pelas máquinas em trânsito nas vias federais. Tivemos notícias boas de que as máquinas poderão ter credenciamento junto aos órgãos para poder transitar com a devida permissão”, contou.

Luis Sergio Gris, Presidente do Sindicato dos Produtores Rurais

A atuação do sindicato vai além do ativismo, se configurando em atividades e programações que contribuem para a melhoria das propriedades e qualificação dos produtores e de suas famílias como forma de incentivar a profissionalização nas propriedades. Através de parcerias, Campos Novos recebeu cursos profissionalizantes, feito que deixa Gris orgulhoso. “Realizamos vários cursos técnicos e já vamos iniciar novas turmas. Nós também realizamos assistência técnica e gerencial. A formatura no curso técnico em agronegócio é uma das principais realizações neste ano. É a primeira turma que está se formando, a nossa gestão será marcada por essa conquista para nossa região. Espero que tenhamos liberação para fazer a formatura dos 23 alunos”. E para 2021 seguem os preparativos para mais uma turma que deverá iniciar em março deste ano. O presidente relata também o encontro de produtores ocorrido no município promovendo a grande visibilidade a região. “Nunca na história de Campos Novos tivemos um evento tão grande voltado a pecuária de corte como tivemos em 2019, no qual reunimos mais de 1500 produtores no Galpão Crioulo”, completou.

Os leilões tradicionais que ocorrem em Campos Novos também são de responsabilidade do Sindicato. A comercialização de animais contribui significativamente para a movimentação financeira da instituição, porém, com a pandemia os leilões presenciais foram cancelados. “A pandemia nos pegou de surpresa e por isso cancelamos nosso maior evento que é a Expocampos, que o sindicato participa. A Expocampos é uma das fontes alimentadoras da parte administrativa do sindicato, mas nós nos reinventamos e achamos outras soluções. No ano de 2020, em relação a 2019, houve uma baixa de 40% na arrecadação em razão de não haver a Expocampos e outros eventos que nós faríamos para arrecadar recursos. Nós conseguimos fechar o ano de 2020 com saldo positivo. Estamos com as contas em dia e a saúde financeira estável”, declarou.

Como Gris afirmou, o sindicato se adequou a realidade e os eventos foram reformulados e adaptados. Encontros presenciais cancelados devido a Covid-19 culminaram na realização de leilões online. Campos Novos foi um dos primeiros municípios no estado de Santa Catarina a realizar leilões no formato virtual.

Somado a pandemia, que gerou prejuízos e dificuldades para todo o Brasil, os produtores precisaram enfrentar a prolongada estiagem que durou quase todo o ano de 2020. Gris comenta que tanto a agricultura como a pecuária foram afetadas pela falta de chuva. “Um dos grandes gargalos na região foi a falta de chuvas. Tivemos um inverno muito seco, um início de plantio complicado, produtores tiveram perdas significativas em regiões pontuais. Enfrentamos problemas graves com o gado de corte em razão da falta de chuva, a alimentação ficou escassa, abalando significativamente o gado de leite. Agora tudo está se normalizando, as chuvas estão sendo acima da média. No começo de janeiro as chuvas apareceram e esperamos que os produtores tenham um bom resultado nas colheitas, principalmente soja e milho”, afirma positivamente.

Nem mesmo a pandemia e a estiagem impediram que o agronegócio se desenvolvesse em Campos Novos e região. E ainda há muito trabalho pela frente. Apesar de citar os acontecimentos do sindicato nestes últimos anos, ainda há muito a ser feitos nos meses seguintes. Cursos, palestras e leilões virtuais estão na agenda dos próximos meses. “Sem dúvida nossa gestão será marcada por grandes conquistas. Mas temos mais oito meses de trabalho. Nossa agenda está cheia. Vamos promover vários cursos do Senar mês a mês. Em fevereiro teremos oito cursos. Temos leilões de gado e a participação em vários outros aspectos do município”, disse. Gris confirmou o Leilão do Terneiro e da Terneira no dia 15 de maio e o Leilão da Primavera no final de agosto, e também eventos voltados aos produtores que são assistidos pela Assistência Técnica Gerencial e em breve a inauguração do Restaurante do Parque de Exposições.

Sendo o órgão representante da classe produtora do município, o sindicato requer apoio de todos os setores para promover o bem estar e qualidade de trabalho do homem do campo. O Poder Público Municipal tem o dever de contribuir para que o agronegócio, especialidade local, se consagre e evolua. Para isto é preciso pontuar algumas demandas no munícipio. “Nestes três anos fomos atendidos pelo Poder Público. A principal deficiência que temos são as estradas para escoamento de produção. Esta é a nossa principal pauta, mas não é a única. A política pública voltado ao agro vai além das estradas. Temos um problema relacionado a inclusão digital. Nossa grande pauta para o futuro é a inclusão do produtor rural na tecnologia para a sua qualidade de vida. Um agronegócio bem gerido diminui o êxodo rural. Hoje temos notas eletrônicas e vários outros serviços online, que fazem necessário o uso de internet. Temos sistemas modernos, equipamentos modernos, mas não temos a qualidade dos serviços que é prestado”, ponderou.

Com todos os avanços e pautas atendidas, Campos Novos tende a se destacar ainda mais no cenário estadual e nacional. Gris afirma que o município está no caminho para isso. “Campos Novos está cada vez mais pujante, pelo agronegócio como um todo. A qualificação e a produtividade está cada vez melhor. Campos Novos tem tudo para ser uma cidade moderna, de qualidade de vida. O agronegócio é peça fundamental para esse desenvolvimento. Se o agro e a cidade andarem de mão dadas com o Poder Público e setor produtivo temos tudo para ser uma cidade ainda melhor”.

Satisfeito com os resultados, Luis Sergio Gris segue a frente do sindicato até o dia 6 de setembro. “É um desafio ficar à frente de uma instituição de 50 anos. O sindicato tem história e serviços prestados para a comunidade. Mas é gratificante ver o homem do campo unido e conquistando coisas”, finalizou.

Bom momento do Agronegócio

Gris refletiu que o agronegócio tem vivido um bom momento no Brasil e no estado, ressaltando que em Santa Catarina o agro é responsável por 40% dos empregos.

“O Brasil bate recordes no agronegócio. Quando um segmento vai bem parece que O Governo vem atrapalhar. Acreditamos que o agronegócio precisa de líderes que batalhem pela nossa causa para que as pessoas deem valor a tudo que é produzido. Campos Novos depende em sua maioria do agro, é natural que as políticas públicas sejam voltadas ao agro, porque gera renda, gera emprego e desenvolvimento social. Aguardamos que cada vez mais o produtor seja valorizado. O produtor só quer trabalhar e pagar um imposto justo. O preço dos produtos está muito bom. A Cadeia da carne de gado vem subindo desde abril e maio do ano passado. Os preços estão muito altos, mas o custo de produção também aumentou, mas os preços ficaram bem melhores que em anos anteriores. Apostamos muito em 2021, já começamos com outro ar e a vacina irá nos ajudar para que em breve possamos fazer nossas coisas e possamos atender o produtor e possa produzir alimento”, acredita Gris, citando a reforma tributária e administrativa anunciadas pelo Governo Federal.

*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1663 de 11 de Fevereiro de 2021.

Sair da versão mobile