A autorização do governo federal para a importação de banana do Equador gerou forte preocupação entre produtores catarinenses. A medida, anunciada em agosto, acendeu o alerta principalmente no Norte de Santa Catarina, região em que a bananicultura é formada majoritariamente por pequenos agricultores familiares.
Os bananicultores temem que a entrada do produto estrangeiro pressione os preços no mercado interno e traga riscos fitossanitários, colocando em xeque a produção local.
Contexto da decisão
Em 18 de agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu em Brasília o presidente do Equador, Daniel Noboa. No encontro, Lula destacou a intenção de reduzir barreiras comerciais e reforçar o comércio bilateral:
“Começaremos implementando a decisão judicial que abriu o mercado brasileiro para bananas equatorianas. O processo começará com bananas desidratadas e, até o final do ano, concluiremos a análise e a avaliação de risco para bananas frescas”, afirmou.
A importação da fruta equatoriana já havia sido restringida em 1997 por questões sanitárias, liberada em 2017 e novamente suspensa.
Peso da produção catarinense
Segundo o Observatório Agro Catarinense, no primeiro semestre de 2025, o Brasil exportou 43,8 mil toneladas de banana, gerando R$ 85 milhões em receita.
Santa Catarina foi responsável por quase 50% das exportações, com 21,8 mil toneladas, um aumento de 103% em relação ao mesmo período de 2024. Só o Estado arrecadou R$ 39,2 milhões, o equivalente a 45,9% do total nacional.
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Esses números reforçam a relevância do setor para a economia catarinense, mas também explicam o temor dos produtores quanto à concorrência externa.
Preocupações dos bananicultores
Para Jorge Marangoni, produtor em São João do Itaperiú e presidente da federação catarinense do setor, os riscos não se limitam à economia.
“No Equador existem pragas e doenças que nós não temos aqui. Isso é um risco muito grande, não só para a produção, mas para a segurança alimentar”, afirmou.
Além do vírus BBrMV (Banana Bract Mosaic Virus), há o temor da entrada do Fusarium TR4, conhecido como Mal do Panamá, capaz de comprometer plantações inteiras.
Outro ponto levantado é o perfil das propriedades catarinenses, compostas por agricultores familiares que têm a banana como principal fonte de renda. A concorrência pode fragilizar a atividade e desestimular a sucessão no campo.
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Mobilização política
A insatisfação chegou ao Legislativo. Em 26 de agosto, a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) aprovou uma moção contra a decisão federal. Já em 2 de setembro, a Câmara de Vereadores de Guaramirim reforçou a posição, alegando risco de concorrência desleal.
O deputado Antídio Lunelli (MDB) defendeu que não há justificativa econômica para importar banana, enquanto o vereador Marcelo Deretti (PP) destacou que o Brasil é autossuficiente na produção da fruta.
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As moções foram encaminhadas ao presidente da República, ao ministro da Agricultura e Pecuária, e ao Fórum Parlamentar Catarinense, pedindo a revogação da medida.
Expectativas do setor
Produtores locais aguardam uma reunião com o ministro Carlos Fávaro, da Agricultura e Pecuária, para discutir alternativas e tentar barrar a liberação.
Apesar do clima de apreensão, há confiança de que a mobilização possa reverter a decisão.
“Estamos otimistas de que vamos conseguir impedir essa importação”, afirmou Marangoni.
Enquanto isso, o Ministério da Agricultura e Pecuária ainda não respondeu aos questionamentos sobre os riscos sanitários e o impacto nos preços.
Fonte: NSC Total

