Alerta foi feito por professora no 1º Congresso de Agroecologia, no TCE/SC.
O volume de agrotóxicos comercializados no Brasil cresceu 46,3% entre 2019 e 2024, alcançando mais de 900 mil toneladas apenas no último ano — o equivalente a cerca de 4,3 kg por habitante. O dado foi destacado pela professora Sonia Corina Hess, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), como um sinal de alerta para os impactos à saúde e ao meio ambiente.
A informação foi apresentada durante o painel “Ações institucionais, monitoramento e controle”, presidido pela presidente da União dos Vereadores de Santa Catarina (Uvesc), Marcilei Vignatti, que encerrou a programação do primeiro dia do 1º Congresso de Agroecologia dos Tribunais de Contas. O evento segue nesta terça-feira (26/5).
O debate contou ainda com a participação da auditora fiscal de Controle Externo Sabrina Emmelly Pecini da Silva, da Diretoria de Atividades Especiais (DAE) do TCE/SC; do presidente da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Dirceu Leite; e do coordenador de Projetos Científicos do Instituto Giramundo Mutuando, Rodrigo Machado Moreira.
Durante sua fala, a professora Sonia Hess reforçou a preocupação com o uso descontrolado de agrotóxicos no país e os riscos associados ao modelo de produção atual. Ela pontuou que muitas dessas moléculas são fórmulas antigas, que já são ultrapassadas em muitos países: dos 10 agrotóxicos mais usados no Brasil, 6 já foram proibidos na União Europeia por causarem cânceres, alterações hormonais, entre outros prejuízos comprovados à saúde. Depois do banimento dessas substâncias na Europa, os números do uso no Brasil explodiram. “Baniu lá, o lixo vem para cá. Nós somos a maior lixeira química do mundo”, afirmou Sonia.
E esses dados também impactam Santa Catarina. Segundo Sonia, Santa Catarina tem 11 das 20 microrregiões com a taxa de mortalidade por suicídio, câncer e anomalias congênitas acima da média do país. A professora apresentou também um estudo do Ministério Público de Santa Catarina, do qual participou, no qual foram encontrados 204 ingredientes ativos nas águas de abastecimento dos municípios em 2018, 2019, 2022 e 2023.
A professora destacou também o alto uso de agrotóxicos pelas monoculturas e a contribuição dessa prática para a questão da insegurança alimentar. Segundo os dados, 79% dos agrotóxicos são aplicados em apenas 4 culturas: soja, milho, cana-de-açúcar e algodão. “93% da soja e 80% do milho produzidos são direcionados à alimentação animal. Nós estamos nos envenenando para produzir comida para bicho”, ressaltou.
Por fim, Sonia sugeriu medidas que poderiam ajudar a mudar esse cenário, entre elas, a isenção de impostos para os insumos direcionados à agricultura orgânica e agroecológica e a mudança de parâmetros da potabilidade da água quanto à presença de agrotóxicos.
A mediadora Marcilei Vignatti comentou sobre as experiências não documentadas dos municípios e ressaltou a importância dos cruzamentos de dados e dos levantamentos das produções agrícolas. A vereadora trouxe a sua experiência pessoal, lembrando da infância em Nova Erechim, e da relação da produção de fumo e do histórico de cânceres na família. “Os meus pais produziam uma comida para vender, e outro tipo de comida para comermos. Nossa alimentação teve muita interferência da produção para rentabilidade, foi comprometida. E tenho certeza de que isso acontece em muitas propriedades não só do nosso estado, mas do nosso país”, recordou.
*INFO: TCE-SC

