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O Poder da Influência: Criadores da região transformam redes sociais em oportunidade de negócios

Marketing de influência no comércio local: tendência ou estratégia que gera resultados?

Nem Virginia Fonseca, nem Jade Picon. Em Campos Novos, os influenciadores são gente como a gente, e podem ser encontrados em qualquer esquina da cidade. São pessoas conhecidas, que circulam pela cidade e transformam a rotina em conteúdo nas redes sociais. O que mais chama atenção neles é a autenticidade, o carisma e a coragem de se expor nas redes sociais sem medo dos julgamentos.

De olho nessa conexão direta com o público, empresas locais passaram a enxergar os criadores de conteúdo como uma oportunidade para ampliar alcance, fortalecer marcas e impulsionar negócios. Mas, na prática, essa estratégia está dando resultado?

Diante do crescimento do mercado de influencers, a produção do jornal O Celeiro conversou com criadoras de conteúdo de Campos Novos para entender o que existe por trás da produção que circula nas redes sociais e como funciona a relação com as empresas locais. Também ouvimos a gestora da CDL de Campos Novos para compreender como o comércio tem observado esta transformação digital.

EXPERIÊNCIAS

Ingritt Fabienski

O caminho até a influência digital, no entanto, não começou com planejamento estratégico ou metas de engajamento para todas elas. Para a criadora de conteúdo lifestyle Ingritt Fabienski, tudo nasceu de um processo pessoal. Após realizar uma cirurgia bariátrica em 2023, ela passou a compartilhar a rotina de emagrecimento, as mudanças no corpo e os desafios da nova fase. A identificação do público veio de forma espontânea. “Emagreci 41 quilos e as pessoas começaram a acompanhar justamente por se identificarem com a minha realidade e com a forma transparente que eu mostrava tudo”, relata.

ROTINA

Maria Júlia Souzo e o
esposo Murilo Zoldan Arruda

História semelhante viveu Maria Júlia Souzo, que transformou um perfil usado inicialmente como “blog pessoal” em espaço de dicas, rotina, viagens, gastronomia e experiências do cotidiano.

Já Duda Zoldan, empresária e criadora de conteúdo, começou sua trajetória ainda na época do Facebook, divulgando produções ligadas à moda, ao estilo pessoal e ao próprio negócio.

Embora as trajetórias sejam diferentes, há um ponto em comum entre elas: o conteúdo nasceu muito antes da profissionalização. Hoje, porém, a realidade é outra. O que para muita gente ainda parece apenas “gravar vídeos”, envolve planejamento, estratégia, cronograma, edição, estudo de tendências e responsabilidade com marcas parceiras. Por trás de cada post e reels existe muito trabalho: Tem roteiro, gravação, edição, estratégia, horários, estudos sobre alcance e conexão com o público.

Duda Zoldan

Maria Júlia relata que mantém rotina organizada, com dias específicos de gravação e conteúdos roteirizados para empresas contratantes. Duda, por sua vez, divide sua atuação entre o fortalecimento do próprio negócio e parcerias comerciais, conciliando cronogramas estruturados com conteúdos mais espontâneos.

Se existe um diferencial da influência digital produzida em cidades menores, ele talvez esteja justamente na proximidade. Diferente das grandes celebridades da internet, os criadores locais convivem presencialmente com o público que os acompanha.

POTENCIAL

Tudo que foi apontado pelas criadoras, também é percebido pelo comércio local. Para a gestora da CDL de Campos Novos, Wilma Gramazio, o comportamento do consumidor mudou e o varejo vem sendo desafiado a acompanhar essa transformação. “Hoje o consumidor pesquisa no Instagram, conversa pelo WhatsApp, busca indicação e quer proximidade antes mesmo de entrar na loja”, afirma.

Wilma Gramazio, Gestora da CDL Campos Novos

Segundo ela, o chamado hiperlocalismo, estratégia baseada na comunicação feita por pessoas inseridas na própria comunidade, ganha força especialmente em cidades do interior, onde confiança, identificação e recomendação têm peso importante na decisão de compra.

Mas, apesar do crescimento do setor, a profissionalização ainda encontra barreiras. Entre elas, o preconceito sobre a atividade e a dificuldade de parte dos empresários em compreender o marketing digital como investimento estratégico.

Para Duda, existe uma lacuna de mercado na região. Segundo ela, muitos empresários demonstram interesse, mas ainda não dominam as ferramentas e o conhecimento necessário para transformar presença digital em estratégia comercial efetiva. “É muito mais do que gravar vídeo. É conhecimento, posicionamento, escolha estratégica de público”, pontua.

Neste cenário, a CDL tem apostado na capacitação como caminho para aproximar criadores de conteúdo e varejo. A entidade apoia um programa de formação voltado à profissionalização dos influenciadores da região, com foco não apenas em engajamento, mas em resultados comerciais concretos.

“A mudança acontece quando o lojista entende que não está apenas divulgando, mas investindo em posicionamento, relacionamento e conversão. Isso é fundamental para o seu crescimento”, explica Wilma.

Entre curtidas, visualizações, contratos, bastidores e produção diária, uma coisa parece consenso entre entrevistadas e representantes do comércio: o digital deixou de ser apenas vitrine. Para um número cada vez maior de negócios locais, a resposta pode explicar por que o marketing de influência deixou de ser tendência e passou a ocupar espaço nas estratégias de crescimento do comércio regional.

É como provoca Duda Zoldan: “Se a internet caísse hoje, quantos reais a tua empresa venderia?”

*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1930 de 28 de maio de 2026.

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