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Desenvolvimento infantil: Quais os sinais merecem investigação médica?

Pediatra Clarissa Kato fala sobre comportamentos esperados em cada fase da infância.

Comparar os filhos com outras crianças pode gerar ansiedade e até frustração para muitas famílias. Embora cada criança tenha seu próprio ritmo de desenvolvimento, observar atentamente a evolução dos pequenos é fundamental para identificar se o crescimento está acontecendo dentro do esperado para cada fase da infância.

Isso porque alguns atrasos podem ser apenas variações do desenvolvimento normal, enquanto outros podem indicar a necessidade de uma avaliação especializada. Quanto mais cedo um problema é identificado, maiores são as possibilidades de intervenção e melhores costumam ser os resultados para a criança.

A mãe Leide Cunha conhece bem essa realidade. Mãe de um menino que apresentou atraso no desenvolvimento, ela enfrentou dúvidas antes de decidir buscar ajuda médica. Aos dois anos de idade, o filho ainda não falava palavras nem pequenas frases e também apresentava dificuldades para interagir com outras crianças.

Na época, o conselho que mais ouvia de amigos e familiares era sempre o mesmo: “Cada criança tem seu tempo. Logo ele começa a falar.” No início, Leide acreditou que realmente poderia se tratar apenas de uma característica do filho e preferiu esperar.

Com o passar dos meses, porém, ela percebeu que as dificuldades permaneciam e decidiu procurar orientação médica. Após a avaliação de especialistas, veio o diagnóstico de atraso no desenvolvimento e a presença de um transtorno, permitindo o início do acompanhamento e das terapias necessárias.

ATENÇÃO

Casos como o de Leide reforçam a importância de observar os chamados marcos do desenvolvimento infantil. A pediatra Clarissa Kato relata que pequenas diferenças entre uma criança e outra são consideradas normais, mas atrasos importantes ou persistentes não devem ser justificados apenas pela ideia de que “cada criança tem seu tempo”. Quando os marcos esperados não são alcançados dentro do período previsto para a idade, é recomendado buscar avaliação médica para investigar as causas e, se necessário, iniciar o tratamento precocemente.

Segundo ela, existe uma variação considerada normal no desenvolvimento infantil, mas essa diferença acontece dentro de limites esperados para cada idade. “Nem todas as crianças vão sentar, andar ou falar exatamente na mesma época. Porém, quando um atraso é importante ou persistente, ele não deve ser justificado apenas por essa ideia de que cada criança tem seu ritmo. Nesses casos, é fundamental investigar”, orienta.

Entre os primeiros marcos do desenvolvimento, espera-se que o bebê sustente a cabeça por volta dos dois ou três meses, sente sem apoio entre seis e sete meses, comece a engatinhar próximo dos nove meses e dê os primeiros passos por volta de um ano de idade. Em relação à linguagem, os balbucios surgem ainda no primeiro ano de vida, as primeiras palavras costumam aparecer por volta dos 12 meses e pequenas frases são esperadas perto dos dois anos.

A médica destaca que alguns sinais podem ser percebidos ainda nos primeiros meses de vida. A ausência de contato visual durante a amamentação, a falta do sorriso social, que normalmente aparece em torno do primeiro mês, e a dificuldade em responder aos estímulos merecem atenção dos pais.

Ela também chama a atenção para o desenvolvimento da interação social. Conforme a criança cresce, espera-se que demonstre interesse pelas pessoas, participe de brincadeiras simples, compartilhe momentos com outras crianças e desenvolva habilidades sociais de forma progressiva. Quando isso não acontece, uma avaliação médica é indicada.

Outro fator que preocupa os especialistas é o uso excessivo de telas. Segundo a pediatra, a linguagem se desenvolve principalmente por meio da interação entre a criança e seus cuidadores. Quando celulares, tablets e televisores substituem conversas, brincadeiras e momentos em família, podem comprometer o desenvolvimento da fala e da comunicação.

A médica ressalta que o acompanhamento pediátrico regular é essencial para avaliar não apenas o crescimento físico, mas também o desenvolvimento infantil. “Quanto mais cedo identificamos um atraso, mais cedo iniciamos as terapias necessárias e maiores costumam ser os resultados da intervenção”, afirma.

*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1935 de 02 de julho de 2026.

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