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Setembro amarelo: Prevenção ao suicídio

Setembro amarelo (1)Quem fala que vai se matar, quer chamar a atenção?

A maioria dos suicidas falam ou dão sinais da sua ideia de morte, então, vale a pena entendermos um pouco melhor sobre esse fenômeno e prestar atenção aos sinais de alerta e como podemos ajudar.

Para falar sobre o fenômeno, a contribuição nesta reportagem é da psicóloga Flavia Darold, que trabalha na área de Intervenção em Luto, Perdas e Separação e integra o Núcleo de Psicologia de Campos Novos – Nupsy.

Conforme a psicóloga, o suicídio é um problema que afeta todas as sociedades desde os tempos mais remotos e pode acometer qualquer indivíduo.

“Independentemente de cultura, religião, faixa etária ou situação econômica, ele possui caracterização ampla, sofrendo influência do contexto e da cultura, assim, tem peculiaridades similares e ao mesmo tempo distintas, dependendo da região geográfica em questão. O suicídio é interferido por muitos fatores, como: emocionais, religiosos, psiquiátricos e socioculturais”, explicou.

O suicídio pode ser considerado um problema social e de preocupação para a saúde pública, considerou também a psicóloga, já que as estatísticas tem aumentando no Brasil.

“Não podemos deixar de citar que o fenômeno suicídio acompanha os registros da humanidade e deixa marcas na história da sociedade e na história pessoal e familiar de inúmeras pessoas, sendo caracterizado um problema social e de relevância para saúde pública. Preocupante é verificar que as estatísticas tem aumentado, especialmente nas últimas quatro décadas. No Brasil 12 mil pessoas se suicidam por ano e sabemos que em 90% dos casos, o suicídio está ligado com doenças mentais. Atualmente a Região Sul apresenta maior índice de suicídio no país, bem como, os homens lideram a consumação do ato suicida, no entanto as mulheres apresentam o maior índice de tentativas de suicídio, reforçando que quando o suicídio acontece, de seis a dez pessoas são afetadas, pois essas estarão vivenciando o processo de luto”, informou Flavia.

Conforme a profissional, o comportamento suicida pode ser comunicado por meios verbais e não verbais, pois é caracterizado pelo planejamento do ato, a tentativa e no pior, a morte. O indivíduo que tentou, ou cometeu o ato, tem o desejo de eliminar a dor, o sofrimento que carrega, buscando um método que leva a morte, e ainda, possui uma vulnerabilidade psíquica que precisa ser ouvida, compreendida, acolhida, sem julgamentos, tanto no âmbito profissional, quanto pessoal ou familiar.

De acordo com dados repassados pela psicóloga, a Organização Mundial de Saúde – OMS, estipulou três características comuns na maioria das pessoas sob risco de suicídio: a ambivalência, que pode ser definida como uma atitude interna, tendo o desejo de morrer e de viver ao mesmo tempo, tendo um desejo de acabar com sua dor psíquica, no entanto se o apoio estiver presente, o desejo de viver tende a aumentar. A segunda é o impulso, o qual pode caracterizar o suicídio, porque pode ser transitório e durar horas ou minutos, a intervenção necessária é acalmar a crise. A rigidez é a terceira característica, partindo do enfoque cognitivo, sendo que a consciência do sujeito passa a funcionar de forma dicotômica, sendo tudo ou nada. Dessa forma, informa a profissional, é importante ter a informação que a maioria das pessoas com ideação suicida comunica seus pensamentos, dando sinais, pedindo ajuda, sendo quatro os sentimentos principais de quem pensa em se matar: depressão, desesperança, desamparo e desespero.

Flavia Darold informa ainda sobre a importância do diagnóstico correto. “É de fundamental importância que o diagnóstico de depressão seja cuidadosamente avaliado, para assim a medicação ser um recurso a mais no processo, mas não o único, pois os dados sugerem praticamente ¼ de casos de suicídio que estavam medicados para depressão, o qual sozinho não impediu o ato de suicídio. A probabilidade de unir a medicação e o acompanhamento psicológico poderia proporcionar melhor resultado, pois o medicamento não retira os conflitos, os ameniza, no entanto eles permanecem na vida dos sujeitos”, avaliou.

Prevenção e reação na família

Sobre a reação dos familiares enlutados, a psicóloga relata que podem ser citados o medo, culpa, raiva, tristeza, ansiedade, vergonha, saudade, negação, depressão, isolamento, não aceitação da ausência, dificuldade em estabelecer novas relações, sensação de desamparo, queda de produtividade, desenvolver transtorno mental, aumento do uso de droga ou álcool.  Assim, enfatizou ela, ajudar a família que perdeu seu ente querido a lidar com essa dor, também é uma atitude de prevenção.

A capacidade da pessoa em lidar com obstáculos ou enfrentar pressões ao longo da vida, é fundamental, principalmente no caso de familiares de vítimas de suicídio.

“Diante do exposto, é possível descrever que a resiliência é um processo fundamental no processo de luto de alguém que teve familiares que cometeram suicídio, pois exige que se tenha a capacidade de sair dessa situação mais fortalecido e com habilidades aprimoradas, tendo paciência para crescer nesse processo com a situação de crise, a qual sempre representa um novo desafio”, enfatizou Flavia Darold.

Sobre a prevenção anterior ao ato suicida, a psicóloga afirma que é possível que seja realizada em diversos contextos, citando a valorização da vida dentro das famílias e o diálogo sobre a morte com os familiares. Na área escolar, acrescentou, deve-se incentivar a valorização do viver, da vida em si. O trabalho em rede também foi citado. “Nas secretarias de saúde, treinar as equipes quanto os indicadores do suicídio, as características e sinais, fortalecendo o trabalho em rede, trabalhando com o preconceito que esse tema ainda fermenta nos indivíduos e profissionais, sendo que tudo isso, ainda é um desafio social, econômico e político”, declarou.

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