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Aplicação de fungicida em milho com avião: Fazer ou Não?

Técnico em Agropecuária da Coocam, Silvio Zanon, ressalta ainda necessidade de produzir mais para garantir lucro com a cultura.

avisaoNos próximos dias, iniciam as aplicações de fungicidas em milho e mais uma vez será comum avistar um avião ou ainda helicóptero realizando os serviços na região de Campos Novos. Com a utilização destes equipamentos de pulverização, há uma redução de perdas com amassamento e quebra de plantas, casos que ocorrem com a utilização de pulverizadores terrestres.

A aplicação de fungicidas no momento ideal, ou seja, no período em que a cultura do milho está em pendoamento e pré-florescimento garantem um melhor desenvolvimento das plantas, sem estresse por doenças, ou seja, uma melhor produção final.

Segundo o Técnico em Agropecuária da Cooperativa Agropecuária Camponovense – Coocam, Silvio Zanon, há cinco anos havia muitas dúvidas quanto à aplicação de fungicidas em milho, principalmente relacionados ao custo de produção, falta de incentivo ao plantio de milho e preço baixo do produto. “O produtor colocava isso na calculadora e acreditava que era inviável fazer essa aplicação. De cinco anos até hoje, o produtor percebeu que as doenças aumentaram nas áreas de milho e que as variedades de milho ofertadas estão mais produtivas, em compensação, quando se coloca um gen de produtividade no milho, se perde um de resistência e isso acaba tornando o milho mais suscetível a doenças e por isso há necessidade de realizar estes tratamentos para inibir a presença de doenças e garantir uma boa produção”, ressaltou.

silvio-zanon
Silvio Zanon

Para o controle de doenças no milho, em muitas variedades e também de acordo com o clima, há necessidade de duas aplicações de fungicidas, porém, economicamente a realização de duas aplicações não é tão viável, destaca ainda o técnico da Coocam. “Então nós recomendamos uma aplicação em pré-pendoamento, antes da floração plena, para atingirmos com o produto todas as folhas e atender a planta no período mais crítico, que é na formação da boneca e formação dos grãos. Com essa aplicação será possível formar o grão sem estresse de doença na planta, deixando assim, a planta mais sadia. Acreditamos que 80% dos produtores que utilizam milho de alta tecnologia fazem aplicação de fungicida e veem viabilidade nesta aplicação”, complementou Silvio Zanon.

Além da aplicação com fungicidas, e aproveitando o trabalho com equipamentos aéreos, os produtores realizam aplicações de inseticidas, principalmente direcionados a pragas como o pulgão e lagartas, que danificam as plantas e prejudicam a produtividade. “Temos a incidência forte de pulgão e também em milhos que não são resistentes a lagartas, áreas de refúgio e de milho convencional, o produtor já aproveita para fazer controle da lagarta-da-espiga e lagarta-do-cartucho”.

A aplicação com aviões ou terrestres, com pulverizadores autopropelidos, é recomendada, mas quando o produtor faz com equipamentos aéreos, o dano nas plantas é menor, pois se evita amassamento ou quebra. “Pelas características de relevo da nossa região recomendamos tanto a aplicação com avião, como com pulverizador. Mas o que identificamos é que a altura do milho dificulta a utilização do pulverizador e por isso também o avião é mais recomendado para realizar aplicação no pré-pendoamento da cultura”.

Silvio lembra o porquê muitos produtores ainda não fazem aplicação de fungicida. “Eu vejo que estes ainda não viram a viabilidade econômica realizando esta aplicação ou pela dificuldade da área do produtor. Tecnicamente é viável, e temos instituições de pesquisa demonstrando a importância dessa aplicação de fungicida em milho”.

As condições climáticas estão favoráveis nesta safra. Boa luminosidade e chuvas dentro da média estão possibilitando um bom desenvolvimento da cultura do milho. “Diferente do ano passado que o tempo ficou muito nublado, neste ano temos chuvas e com boas aberturas de sol, e as lavouras de milho desta safra são melhores nestes últimos cinco anos”, destacou ainda Silvio.

Produzir mais

Para o técnico da Coocam, a aplicação de fungicida garante uma produtividade maior com a cultura. “Temos visto que a produtividade é maior em até 10% quando se faz aplicação de fungicida. Hoje o produtor precisa ver que se a área tem potencial de 200 sacos/ha, essa produção será maior em 20 sacos/ha. Nós estamos batendo muito na tecla, de que se o agricultor quer se manter na atividade, tem que pensar em produzir mais. Os custos estão altos, o produtor utiliza muitos produtos, mas em compensação, é necessário produzir. Não é deixando de fazer fungicida, por exemplo, que seu custo vai estourar, mas você vai sim, garantir a produção e ter lucratividade”, finalizou Silvio.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1458 de 08 de Dezembro de 2016. 

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