Valor Bruto da Produção Agropecuária é 16,2% superior ao faturamento de 2015.
A agropecuária catarinense supera a crise e fatura R$ 28,8 bilhões em 2016. O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) de Santa Catarina já é 16,2% superior ao faturamento do ano passado. Após dois anos seguidos de preços perdendo para a inflação, em 2016, boa parte dos produtos da agropecuária catarinense tiveram seus preços em forte elevação. Os números e o faturamento dos principais produtos da agropecuária catarinense fazem parte da Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina, lançada nesta terça-feira, 13, em Florianópolis.
O crescimento do VBP em 2016, que teve um aumento real (descontada a inflação) de 3,5%, deve-se ao aumento dos preços dos produtos agrícolas e não somente ao aumento da produção. O coordenador da Síntese da Agricultura, Tabajara Marcondes, explica que dos 20 principais produtos da agropecuária catarinense, 12 tiveram aumento de preço ao produtor superior à inflação medida no transcorrer na safra. Os aumentos mais significativos foram observados no alho, milho, feijão, leite, banana, frango, arroz e soja.
Segundo o secretário da Agricultura e da Pesca, Moacir Sopelsa, os bons resultados demonstram a excelência do agronegócio catarinense. “Os produtores rurais de Santa Catarina são motivo de orgulho para todos nós. São trabalhadores dedicados que apoiam o Governo do Estado nas medidas para melhorar a sanidade dos rebanhos e a produtividade das lavouras. Essa parceria entre o Governo e os produtores vem trazendo bons frutos e fazendo do nosso estado uma referência no agronegócio”.
Pecuária
A pecuária segue como destaque no faturamento catarinense. Em 2016, o setor é responsável por R$ 17,1 bilhões, devido, principalmente, à produção de carne de frango, suínos e leite. São esses produtos que possuem o maior faturamento da agropecuária catarinense. Só a carne de frango, produto com o maior VBP, responde por R$ 7,1 bilhões.
A grande surpresa é o crescimento na produção de carne bovina, em três anos o faturamento aumentou 73% e chegou a R$ 1,3 bilhão em 2016, sendo o 6º maior VBP da agropecuária de Santa Catarina.
Lavouras
As lavouras faturaram mais de R$ 9,6 bilhões em 2016, com grande participação da produção de grãos. A soja é o quarto produto com maior VBP na agropecuária catarinense, com um faturamento de R$ 2,4 bilhões, um crescimento de mais de 60% em relação a 2013. As lavouras temporárias têm seu destaque com o alho e o fumo, que respondem, respectivamente, por R$ 243,6 milhões e R$ 1,9 bilhão de VBP.
Produção
Santa Catarina se mantêm ainda como o maior produtor nacional de suínos, maçã, cebola, pescados e moluscos. Segundo maior produtor de carne de frango, pêra, fumo, arroz e palmito. Terceiro maior produtor de erva-mate, alho e cevada. Quarto maior produtor de banana e quinto maior produtor de leite, uva e trigo.
Exportação
O agronegócio se consolida ainda na pauta de exportações de Santa Catarina. Nos últimos anos, o setor respondeu por mais de 60% de tudo o que é exportado pelo estado. Em 2015, o agronegócio contribuiu com US$ 4,9 bilhões dos US$7,6 bilhões exportados por Santa Catarina. Com destaque para as carnes de frango e de suínos que, juntas, arrecadaram mais de US$ 2,2bilhões. Santa Catarina hoje responde por 25% das exportações de carne de frango do país, e por 34% das exportações de carne suína.
Os dados da produção e preços dos produtos agropecuários de Santa Catarina foram obtidos a partir de levantamento da Epagri/Cepa e foram divulgados pela assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Agricultura.
Expansão do agronegócio brasileiro será maior do que no resto do mundo em 10 anos
O desempenho do agronegócio brasileiro no período de 2016 a 2026 será melhor do que a média mundial para produtos como soja, milho, açúcar e carnes (bovina, suína e frango), aumentando a participação do País no mercado global. Apesar disso, não repetirá para os próximos dez anos a robusta taxa de crescimento apresentada na última década em relação à produção e às exportações das principais culturas.
A conclusão é do “Outlook Fiesp 2026 – Projeções para o Agronegócio Brasileiro”, levantamento elaborado pelo Departamento de Agronegócio (Deagro) da Fiesp, que reúne diagnósticos e projeções do setor para a próxima década, em termos de produção, produtividade, consumo doméstico e exportações.
De acordo com o levantamento, a participação de mercado do Brasil nas exportações mundiais de soja, por exemplo, chegará a 49% em 2026, com crescimento anual de 4,6%, acima dos 2,7%, em média, dos demais produtores. A projeção para o milho brasileiro, que passou a ser disputado no mercado internacional pela sua qualidade, é de crescimento anual de 8,8%, com a participação nas exportações mundiais indo a 23% ao final do período projetado. Para a safra 2025/2026, estima-se aumento de 21% no consumo interno, puxado pelo setor de proteínas animais.
Segundo o gerente do Deagro, Antonio Carlos Costa, 2017 também pode marcar o início da recuperação para as carnes, como a de frango e suína, que enfrentaram uma “tempestade perfeita” em 2016, com aumentos históricos dos custos de produção, somados ao consumo estagnado por conta da redução do poder de compra da população.
Como resultado, os integradores registraram margens negativas nos primeiros seis meses do ano para aves e, no caso de suínos, o cenário continua negativo. Os prejuízos acumulados neste elo da cadeia produtiva devem chegar a R$ 4 bi até o final do ano, segundo cálculos da Fiesp. A carne bovina, cuja demanda doméstica foi fortemente afetada pela crise econômica, registra neste ano o pior consumo per capita em 15 anos.
O milho também deve contribuir para que o próximo ano seja melhor, com os preços voltando à paridade de exportação a partir da recuperação esperada para a segunda safra.
O gerente do Deagro explica que o agronegócio já mostrou que não está blindado do que ocorre na economia brasileira, já que a queda na renda e na confiança do consumidor atingem o consumo de alimentos mais elaborados, e a situação fiscal do País lança um enorme desafio para a política agrícola brasileira – especialmente para o crédito e o seguro rural, instrumentos fundamentais para assegurar o desempenho futuro. O primeiro impacta diretamente os investimentos, com consequências para a produtividade das lavouras. Além disso, o ponto de equilíbrio do câmbio e o possível surgimento de uma onda protecionista jogam elementos adicionais de preocupação no curto prazo. Fonte: Deagro da Fiesc
*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1461 de 29 de Dezembro de 2016.


