Domingo , 22 Outubro 2017
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Gravidez psicológica em cães

Vanessa Barcarolo

A gravidez psicológica afeta mais da metade das cadelas não castradas. Sua ocorrência é comum, muitos proprietários acabam não percebendo pois em alguns casos a fêmea apresenta somente falta de apetite, fica mais carente e as mamas ficam um pouco inchadas..

A gravidez psicológica acomete principalmente cadelas não castradas após 2 a 4 meses do período do cio. Ela ocorre mesmo que a cadela nunca tenha cruzado anteriormente, depois que ocorre uma vez, ela pode apresentar o problema novamente no próximo cio.
Do ponto de vista fisiológico, a gravidez psicológica é um engano do organismo. Algumas fêmeas podem permanecer com os níveis de progesterona elevados apesar da ausência de prenhes, e quando ocorre a queda desses níveis, a concentração do hormônio prolactina fica elevada, este hormônio por sua vez age no tecido mamário, podendo ativar a produção de leite e também causar o comportamento maternal.

Os sinais clínicos são os mesmos de uma gestação real: as tetas ficam inchadas e produzem leite, aumento do abdômen, irritação, carência de contato físico, depressão e até agressividade. As cadelas podem fazer ninhos, adotar filhotes ou objetos como se fossem seus filhos.

Na maioria dos casos, as fêmeas passam a retormar seu comportamento normal após cerca de 2 semanas de gravidez. Para algumas fêmeas, no entanto, o processo é bastante traumático e doloroso. O leite pode emperrar e inflamar as mamas, exigindo a aplicação de compressas quentes e administração de anti-inflamatórios, antibióticos e medicamentos para secar o leite.

As principais complicações da gravidez psicológica são a mastite (inflamação das glândulas mamarias), infeção do útero, infertilidade e tumores de mama.

A castração das fêmeas é a melhor forma de evitar a gravidez psicológica. O procedimento também previne crias indesejadas e todas as alterações de humor e agressividade que acometem as cadelas com gravidez psicológica.

Por: Vanessa Barcarolo
Médica Veterinária – CRMV-SC 5411

*Coluna publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1482 de 08 de Junho de 2017.

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