Segunda-feira , 11 Dezembro 2017
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Com mais de 80% da área colhida, perdas no trigo são expressivas em CN

Números foram levantados pelo IBGE em reunião da Comissão Censitária Municipal.

A reunião da Comissão Censitária Municipal foi realizada em 07 de novembro na Regional da Epagri de Campos Novos, levantando números oficiais da safra de inverno 2017 e as estimativas da safra de verão 2017/2018.

Na safra de inverno, houve redução na área plantada e também de produtividade na cevada e no trigo. Conforme o chefe do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística da Agência Regional do IBGÉ de Joaçaba, Sady Silvestrim, a cevada tinha uma estimativa de área plantada de 1.300 hectares, reduzindo para 1.200 hectares, com queda em produtividade de 3.900 para 2.400 quilos por hectare.

O trigo com uma estimativa inicial de 7 mil hectares fechou com uma área plantada de 5.500 hectares, com queda em produtividade de 3.900 para 2.400 quilos por hectare. As perdas em produtividade tanto no trigo, quanto na cevada, se devem ao clima, principalmente devido à estiagem de 43 dias registrada entre os meses de julho e setembro.

Na Fazenda Águas Claras, onde a colheita de trigo está sendo finalizada, dando início ao cultivo de soja, as perdas no cereal de inverno foram confirmadas pelo produtor João Alexandre Di Domenico. “No início do plantio tivemos problemas com a seca e o trigo não nasceu como esperávamos, perfilhando tardiamente. O nosso investimento era para um trigo de 70 a 80 sacos por hectare, que sempre foi a média da fazenda, mas estamos constatando que não vai passar de 45 a 50 sacos por hectare, não só desta área de 208 hectares, mas da fazenda em geral. Está bem aquém do que nós esperávamos”.

Embora a quebra em produtividade se confirme, a qualidade do cereal é boa, considerou o produtor. “Tivemos mais de um mês de seca e o trigo acabou ficando ralo, porém, no decorrer da cultura choveu o que tinha que chover, a fase de floração que é crítica, a precipitação não foi alta e na colheita houve semanas com tempo excelente contribuindo para a qualidade da cultura, passando de 80 o PH. Para um trigo tipo 1 a qualidade é boa”, avaliou ainda João Alexandre.

Silvio Zanon e João Alexandre Di Domênico

Considerada uma cultura de alto risco, a quebra na produtividade do trigo reflete diretamente em perdas no bolso dos produtores, não cobrindo os custos de produção e indiretamente acumulam prejuízos para a soja, afirmou o Engenheiro Agrônomo da Cooperativa Agropecuária Camponovense (Coocam), Silvio Zanon. “Falta de produtividade representa falta de grãos o que reflete em prejuízos ao produtor que teve um alto custo de produção. Se chegar a 50% dos custos o produtor pode se considerar feliz. Indiretamente ele tem um prejuízo já acumulado para a soja. O produtor tem que ter consciência que nas áreas plantadas de trigo, terá que recuperar com soja o prejuízo”.

Deixar de investir em culturas de inverno, porém, não é uma boa escolha para o produtor, disse o Engenheiro Agrônomo. “A cultura de inverno tem que ser incentivada, devido à necessidade de utilização de maquinário e funcionários e a cooperativa também deixaria de receber neste período. Além disso, o produtor também ficaria refém apenas de duas culturas, que é o milho e soja, o que não é aconselhável. O trigo nunca deu tanto lucro, mas também nunca tinha dado tanto prejuízo quanto neste ano. Então o problema foi clima, porque o produtor colocou sementes boas na terra, investiu em fertilidade e as áreas de plantio de trigo são as melhores da propriedade”

Silvio confirma que a qualidade do grão é boa com aproveitamento de algumas áreas para sementes e também para panificação.

IBGE confirma mais soja na safra de verão 2017/2018 em Campos Novos

O IBGE também informou sobre a estimativa de área plantada da safra 2017/2018. Para a cultura do feijão a estimativa é de redução de 5.500 para 4.500 hectares. Quanto ao milho em grão, área já semeada e em tratos culturais, a redução na área em Campos Novos é de 8 mil para 6.500 hectares. Para milho silagem a área plantada se manteve em mil hectares.

Já a soja, em fase de plantio, o aumento na área plantada também foi confirmada no município. A estimativa é de um incremento aproximado de 5%, passando de 60.500 para 63 mil hectares. Silvio Zanon avaliou a estimativa. “Confirma que o produtor está desconfortável com a cultura do milho, com custo alto, e uma desvalorização muito grande do grão. Hoje você não consegue ter uma garantia que mesmo produzindo bem o milho, você vai conseguir pagar a conta. Já a lucratividade da soja talvez seja a menor de todas as culturas plantadas, mas é muito difícil o produtor ter prejuízos com o produto. Então o produtor tem a segurança que não terá prejuízos, embora a lucratividade não seja tão elevada”.

Na área de abrangência da Coocam, a área de milho praticamente se manteve na matriz, nas filiais, porém, houve redução de até 50%.

Para o produtor João Alexandre Di Domenico, é importante a rotação de culturas. “A soja na verdade varia muito devido à rotação de cultura, pelo menos de 20 a 25% da área nós plantamos milho. Soja neste ano ficou em 630 hectares, basicamente a mesma área do ano passado. Se você quer rentabilidade o carro chefe é a soja, porém, você tem que ter essa rotação na cultura para evitar algumas doenças que atingem a soja, como por exemplo o mofo branco, que pode te tirar de 20 a 30 sacos dependendo do ataque dessa doença, então com a rotação você acaba reciclando o solo”.

Outras Culturas

O IBGE apresentou ainda dados sobre outras culturas em Campos Novos. O alho teve redução de área plantada de 60 para 40 hectares. A cebola se manteve em 20 hectares e o fumo reduziu de 50 para 30 hectares.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1506 de 23 de novembro de 2017

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