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A banalização do autoconhecimento e a farsa da motivação

Magna Tessaro Barp

Há um constante assédio midiático oferecendo livros, cursos e palestras que prometem motivação e autoconhecimento de forma generalizada como num passe de mágica.

E o embarque nessa onda, é em massa, muitas vezes.

Há alguns anos participei de uma palestra de motivação. O palestrante, muito alegre e otimista durante sua fala, pedia que todos levantassem e abraçassem o colega do lado, rebolassem, batessem palmas, cantassem com ele as músicas que propunha. Com muito entusiasmo ele conduzia e a plateia ria, abraçava e cantava, fazendo tudo o que ele pedia. Saímos todos motivados da palestra, mas essa motivação durou até chegarmos em casa. Alguns abriram a geladeira e não encontraram nada para comer, a não ser que fizessem. E após comer pão e tomar uma xícara de café foram dormir. Outros, chegando em casa, encontraram os filhos brigando e outros, ainda, a esposa reclamando que a torneira da pia estava com vazamento.

No dia seguinte, ao acordar, a maioria precisava ir trabalhar e muitos não tinham sequer forças para levantar, pois teriam que ir ao mesmo emprego, ganhando o mesmo salário, com os mesmos sentimentos e uma inveja mortal do palestrante que ganhava uma fortuna para pular e rebolar no palco por 1h por dia.

Desde então, nasceu uma crítica ferrenha das palestras motivacionais que tentam motivar todas as pessoas, com uma única atividade e uma única verdade. É como ir para o rio pescar vários tipos de peixes com um único tamanho de anzol e uma única isca. Eu, por exemplo, gosto de chuchu, mas não posso colocar chuchu no anzol, porque peixe não gosta (acho). Por outro lado, eu não gosto de minhoca, mas alguns peixes gostam e eu não preciso comer minhoca para agradar o peixe que será fisgado por mim.

Mas minha crítica não reduziu o número de palestras motivacionais e recentemente elas têm ganhado um grande aliado: o autoconhecimento. E a palavra viralizou.

Autoconhecimento é tema da moda (eu também uso). Minhas perguntas de máster Coach são:

– Será que é possível um autoconhecimento profundo e verdadeiro em apenas uma palestra?

– É possível identificar traumas de infância, apenas ouvindo alguém falar por uma hora?

– Conseguimos exumar emoções e feridas na alma sem um processo profundo de coaching ou de terapia?

– Dá para liquidar sentimentos tóxicos implantados em uma pessoa que o construiu e preservou por mais de 50 anos?

Autoconhecimento é a chave para a automotivação, mas o processo precisa ser de dentro para fora e não de fora para dentro. E a palestra pode ser o pontapé inicial!

Por: Magna Regina Tessaro Barp

Coach Integral Sistêmica,
Escritora e Palestrante
Contato: magnartb@gmail.com

*Coluna publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1520 de 15 de março de 2018.

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