Infraestrutura e mais ações estratégicas serão executados para atender casos da doença.
Desde que o novo Coronavírus se espalhou pelo mundo a comunidade vem travando uma batalha para prevenir que a doença Covid-19 se alastre e faça muitas vítimas. Apesar de todos os empenhos não há como controlar um inimigo invisível. Mas caso isso venha a acontecer Campos Novos está preparado para um surto? Um plano de contingência foi traçado para lidar com a situação caso ocorra. O diretor do hospital Dr. José Athanázio, Marcelo Sottana, conversou com a equipe do jornal O Celeiro e contou como a fundação hospitalar está se organizando para este momento de crise na saúde. No município não nenhum caso confirmado, apenas dois casos suspeitos até o momento. “Desde quando surgiram os primeiros alertas sobre a possível disseminação do Corona vírus em Santa Catarina, o Instituto Maria Schmitt, através da CCIH do Hospital Dr. José Athanazio começou a criar um plano de contingência para enfrentamento da pandemia.”, iniciou Marcelo. Segue a integra da entrevista.
Os números de casos suspeitos estão baixos, mas se surgirem e forem aumentando como o hospital vai lidar com a demanda?
Na semana que passou a CCIH não mediu esforços para disponibilizar EPI’s adequados para as equipes atuantes e melhorar as condições de acolhimento de pacientes com sintomas respiratórios e diagnóstico sugestivo à contaminação por Covid-19. Foi incrementada a aquisição de material de proteção e itens indispensáveis à higienização pessoal e dos ambientes. Também foram adquiridos equipamentos indispensáveis para o manejo de casos graves, como respiradores e monitores. Com as precauções tomadas, o hospital tem grandes chances de atravessar esse momento difícil de maneira organizada oferecendo o melhor aos pacientes.
Quando ocorrer o primeiro caso, como será feito o acolhimento?
Se houver confirmação de algum caso, o hospital está preparado para receber esse paciente. O acolhimento dos pacientes com sintomas respiratórios já está sendo avaliados em área específica do hospital, de modo que não são atendidos no mesmo ambiente da emergência. Usamos as salas do ambulatório e criamos um segundo pronto socorro, apenas para receber esses pacientes, evitando que, caso algum esteja infectado, circule com demais pacientes.
Foi definida uma área física para isolamento?
Foi criada uma área específica para atendimento desses pacientes. A área fica onde antes era a pediatria e se mantém isolada dos demais setores do hospital. Possui equipe de profissionais atuando 24h por dia para atendimento. Os funcionários envolvidos no atendimento estão devidamente equipados com EPI’s visando o máximo cuidado e proteção com a saúde de nossos colaboradores.
Os profissionais de saúde que atuam no hospital já receberam treinamento específico para lidar com o paciente que apresente a doença?
Os treinamentos foram realizados com cada um dos plantões, em ambos os turnos, de modo que os funcionários foram adequadamente orientados sobre como proceder, quais EPI’s utilizar. Há uma sala de desinfecção para que esses colaboradores retirem seus EPI’s ao final do expediente evitando contaminar outras áreas do hospital.
Há profissionais suficientes para atender a possível demanda?
Esperamos que a situação caótica prevista não ocorra, entretanto, o plano de ação criado indica que teremos bons resultados. O quadro do hospital dispõe de profissionais em número suficiente para atender a demanda. Estamos buscando cuidados para a equipe atuante, além de planejar medidas internas caso haja a necessidade de mais profissionais.
Como será feito o fluxo de atendimento?
Com foco na segurança e otimização dos serviços, foram separados os atendimentos relacionados a sintomas respiratórios dos demais atendimentos realizados pela emergência do hospital, de modo que no atual momento o Hospital Dr. José Athanazio conta com dois pronto atendimentos distintos, cada qual com sua equipe visando minimizar a possibilidade de contaminação de outros setores pelo Covid19. Quando o paciente chega ao hospital, se houver relato já na recepção se algum sintoma relacionado ao Covid19, este paciente aguarda separadamente dos demais até que o atendimento seja realizado. O atendimento é feito na área do ambulatório, onde foi destinada sala de espera, de triagem e de atendimento específicas para essas demandas. Havendo necessidade de permanecer em observação, o paciente é encaminhado para uma sala de observação criada apenas para este fim. Havendo necessidade de internamento, o paciente é encaminhado para o isolamento, onde receberá o tratamento/atendimento adequado.
O que será feito com os pacientes em estado grave?
Para os pacientes que estejam em estado grave e necessitem de UTI, os mesmos serão encaminhados para unidades hospitalares que dispõe de terapia intensiva. Caso não hajam leitos disponíveis nos hospitais de referência, manejaremos os pacientes utilizando os equipamentos disponíveis no hospital.
Que equipamentos e insumos foram adquiridos para serem utilizados nesse período?
Estão em processo final de compra 4 respiradores e 4 monitores, além de todo aparato de materiais para possibilitar seu perfeito uso. Além disso, os EPI’s adquiridos foram macacões, óculos, máscaras cirúrgicas e N95. São itens com os quais o Hospital já trabalhava anteriormente, mas que tiveram a quantidade em estoque aumentada pela demanda apresentada.
*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1620 de 02 de abril de 2020.


