Pandemia aflora realidades de uma sociedade esquecida em Campos Novos.
Grandes e pequenas empresas estão em colapso em virtude da proliferação mundial do Coronavírus. O revés provocado pela pandemia preocupa a classe empresarial que corre o risco de falir. Mas que consequências podem sofrer aqueles quem nunca tiveram muita coisa e já estão acostumados com a pobreza? Cerca de 25% da população no Brasil vive abaixo da linha da pobreza, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mais de 13 milhões vivem em situação de miséria. Com a pandemia, alguns especialistas em economia apontam diminuição de até 5% do Produto Interno Bruto (PIB) no país em 2020, fato que pode levar ao aumento da pobreza. Temos um retrato de desigualdade gritante. As sequelas da crise colocam mais pessoas entre os mais pobres e piora a condição dos mais vulneráveis.
Ao falar de pobreza podemos imaginar uma realidade distante do município, muitas vezes vemos histórias tristes nos noticiários em outras partes do Brasil e do mundo. Qual a realidade local? O que encontramos aqui? Campos Novos é o Celeiro catarinense, maior produtor de grãos do estado de Santa Catarina. O município é belo, pujante e rico, um dos que mais contribuem para a economia estadual. Nos grandes eventos Campos Novos arrasta uma multidão de pessoas para conhecer suas belezas e riquezas que aqui se encontram.
No entanto, por trás de toda beleza e riqueza existe uma parcela desprivilegiada que vive em condições precárias. O surgimento da pandemia poderá aflorar ainda mais esta situação. Com a crise o desemprego tende a crescer e coloca em perigo a sobrevivência digna de muitas famílias.
Auxílios emergências do Governo Federal são medidas para tentar ajudar os mais pobres a lidar com a crise. A Secretaria Municipal de Assistência Social prestou ajuda as famílias mais vulneráveis. Gleice Santos, que está respondendo pela secretaria falou sobre o trabalho que tem sido feito para ajudar a população. “Desde o início da quarentena determinada por Decreto Estadual e Municipal a Secretaria de Assistência Social tem trabalhado seguindo as determinações e orientações. No entanto, serviços essenciais como os Benefícios Eventuais foram mantidos. No período compreendido entre 19/03/2020 a 17/04/2020 a secretaria de Assistência Social realizou a concessão de 290 Benefícios Eventuais de Cesta Básica, respeitando a lei Municipal de Benefícios Eventuais. Além disso, várias entidades realizaram voluntariamente a doação de cestas básicas, algumas sendo entregues diretamente às famílias e outras entregues na Secretaria de Assistência Social para que fossem encaminhadas às famílias que necessitassem. Também recebemos doações de material de higiene e limpeza que foram doados por cidadãos que deixaram diretamente nos supermercados parceiros para que fossem distribuídos por esta Secretaria”, afirmou.
Gleice ressalta que a Secretaria de Assistência Social não realiza a distribuição de cesta básica, apenas concede um benefício para àqueles que possuem direito, mediante apresentação de documentação obrigatória e entrevista com Assistente Social. A concessão do Benefício Eventual é um direito respaldado pela política de Assistência Social para garantir à manutenção de alimentação para aquele cidadão em vulnerabilidade que se enquadre em quesitos determinados por Lei Municipal. Ele é um benefício eventual de natureza temporária.
De acordo com a Secretaria de Assistência Social em Campos Novos há 2.529 famílias cadastradas no Cadastro Único, sendo que 340 destas recebem Bolsa Família, 158 Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas Idosas e 542 para pessoa com deficiência. Gleice explica que o termo situação de vulnerabilidade não deve ser utilizado como conceito de quais os cidadãos que necessitem de uma auxilio referente a alimentação. “Alguns índices que temos dentro da política de Assistência Social em todo o país nos mostram famílias que estão dentro da renda mínima o que para alguns benefícios supõem que as mesmas estejam em vulnerabilidade, como por exemplo os beneficiados pelo programa Bolsa Família, Cadastro único, pessoas que recebem BPC, baixa renda de água e luz , entre outros”, comentou.
Neste período de quarentena, houve uma elevada procura pelo benefício eventual de cesta básica, onde o responsável familiar, em sua maioria, possui idade entre 20 e 35 anos, com crianças e com renda familiar indefinida, pois, intitulam-se como diaristas, ou seja, trabalhadores informais que não possuem renda fixa e não estão protegidos por leis trabalhistas e previdenciárias.
O Poder Público tem agido para tentar minimizar os impactos sofridos por esta parcela da população. Dentro do município a Secretaria de Assistência Social oferta os equipamentos de segurança social exigido para município de porte II, como o CRAS, CREAS, Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para crianças e adolescentes, Instituição de Acolhimento para Crianças e Adolescentes, Centro de Convivência do Idoso, Clube de Mães, Programas de Prevenção a Violências do mais diversos.
Qual a expectativa dessas pessoas diante do panorama atual? Há como reverter este quadro negativo? Ainda não é possível enxergar claramente a diminuição da desigualdade. “Acompanhando as perspectivas econômicas divulgadas pelas mídias e de encontro com o aumento de procura por auxilio dentro de nossa Política verificamos que haverá uma queda significativa de renda entre os cidadãos em um nível global, assim pode – se projetar um aumento expressivo do distanciamento de classes sociais. Cabe destacar que padrões de relacionamentos sociais, serviços à comunidade estão passando por mudanças significativas como, por exemplo o uso maior de tecnologias para relações em grupo.
Verificamos que muitas pessoas ainda não possuem acesso a todas estas metodologias, ou se tem não sabem utilizar de forma adequada. Destaca-se assim importância de uma vez mais haver investimento público em nível Federal em nossa política como uma forma de podermos ampliar a criação e implantação maior de oportunidades de acesso a população que mais necessita”, concluiu Gleice.
*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, edição 1623 de 23 de abril de 2020


