Golpes aumentam na pandemia. Procon alerta sobre cuidados para evitar cair em armadilha, em especial os idosos.
Respeito e empatia é atividade que deve ser exercida cotidianamente, ainda mais com aqueles que tanto se sentem excluídos pelo tempo. O dia 15 de junho marca o Dia Mundial da Violência contra a Pessoa Idosa, uma campanha importante que destaca os variados tipos de violência contra a terceira idade. Usar de má fé e enganar idosos é uma espécie de violência que deve ser combatida. Comumente vemos matérias com idosos que caíram na lábia de contraventores maldosos que se aproveitam de sua ingenuidade. Por sua vulnerabilidade são eles que encabeçam a lista de vítimas de golpes virtuais. As redes sociais, por exemplo, são ferramentas muito usadas para aplicar golpes. Apesar de já fazerem uso constante das tecnologias disponíveis, muitos idosos ainda não entendem muito bem o mundo digital em que estão inseridos.
“Minha mãe tem 65 anos e ama celular, principalmente para ficar no WhatsApp e Facebook. Agora que aprendeu a mandar áudio não para de mandar para todos os filhos e amigas. Mas constantemente ela recebe mensagem de bancos e ligações com cobranças. Ela fica assustada porque nem conta nesses bancos ela tem. Tenho que orienta-la sobre as informações enganosas e golpes. Acho que se eu não estivesse sempre perto ela provavelmente já teria caído em alguma cilada”. P.N. O depoimento é de uma filha que sabe dos perigos que se apresentam aos idosos e é consciente dos cuidados para protege-los. Muitos dos golpes são aplicados via telefone, mensagem de texto, WhatsApp ou mesmo pessoalmente.
A assessora jurídica do Procon de Campos Novos, Juliane França, confirma que não é pequeno o número de golpes envolvendo idosos no município. “O público alvo desses golpes são as pessoas idosas. A família tem que ficar de olho no idoso para que eles não passem dados via WhatsApp. As vendas em casa também são perigosas, os vendedores usam de má fé e pedem que eles assinem documentos que constam um preço superior ao que foi acordado. Tem que tomar cuidado. O idoso geralmente é a pessoa que tem mais boa-fé e acaba sendo vítima de golpes. O Procon orienta que tudo que for pela WhatsApp ou por ligação deve levantar suspeita. Bancos, cartórios e muitas intuições não ligam para o consumidor. Evitem passar qualquer contato ou dados pessoais via WhatsApp ou mensagem. Não responda mensagens de cobrança. O melhor é entrar em contato diretamente com a instituição. Se tiver dúvidas é só vir ao Procon para obter orientação para ver a procedência das cobranças recebidas”, declarou Juliane.
Apesar dos idosos serem as principais vítimas, Juliane diz que muitas outras pessoas de boa fé acabam caindo em golpes, e neste período de pandemia as tentativas de golpe aumentara significativamente. “Aqui no município tivemos muitas reclamações de pessoas que chegaram a pagar boletos de contas que elas nunca fizeram”. Os que se sentirem lesados neste sentido podem procurar a agência do Procon em Campos Novos e obter mais orientações. Como forma de diminuir importunações por telefone o Procon disponibiliza um sistema para bloqueio de chamadas de telemarketing. Basta acessar o site www.procon.sc.gov.br e fazer o cadatro do número.
Nota Fiscal
Em entrevista com a assessora jurídica do Procon, Juliane França, ela destacou a importâncias da solicitação de nota fiscal na realização da compra para facilitar a abertura de uma reclamação. Juliane ainda ressaltou que as redes socias não são o melhor lugar para solucionar demandas entre o consumidor e fornecedor. “As pessoas devem vir ao Procon sempre munidas com os documentos e nota fiscal, só a partir disso a gente pode abrir a reclamação e notificar a outra parte para tentar fazer uma reclamação”, declarou, afirmando que as tratativas feitas pelo Procon tem 90% dos casos solucionados. “Somos um órgão administrativo, toda demanda entre consumidor e fornecedor a gente atende. Nós tentamos a mediação de comum acordo via administrativamente, se não acontecer este acordo a gente vai relatar e mandar ao judiciário e o consumidor pode procurar um juizado especial ou pode procurar um advogado. Quando houver uma reclamação é recomendado primeiramente um acordo administrativo para depois entrar com uma ação judicial. No campo administrativo temos grande êxito. A esfera judicial leva mais tempo e causa mais gastos para solucionar um caso. Quando não há conciliação é encaminhado a esfera judicial, mas a resolução é em terno de 90% dos casos”, enfatizou.
*Reportagem publicada na edição 1631 de 18 de Junho de 2020.


