A síndrome da disfunção cognitiva (SDC) é um distúrbio neurodegenerativo associado ao envelhecimento das células do sistema nervoso e está associado a mudanças comportamentais, cronicamente progressivas, e não relacionados a outras doenças encefálicas.
A SDC acomete cães e gatos em idade avançada. Os gatos são acometidos em idade mais avançada que os cães. Cerca de 60% dos cães com 11 anos de idade já apresentam sinais de SDC. Em cães de raças grandes, as alterações podem ser notadas a partir de sete anos e, em raças menores, a partir dos dez anos.
O desenvolvimento da SDC parece incluir fatores genéticos, metabólicos e nutricionais.
Os sinais clínicos caracterizam-se por desorientação, andar compulsivo e falta de orientação espacial, alguns perdem-se dentro de ambientes anteriormente familiares e podem ficar restritos em cantos ou entre móveis. São notáveis os déficits de memória e aprendizado, sendo que muitos deixam de responder ao chamado de seu nome ou a comandos básicos, passam a não mais reconhecer membros da família e deixam de interagir com eles, e perdem seus hábitos de higiene, urinando e/ou defecando em locais inapropriados. Além disso, é comum desenvolverem alterações no ciclo de sono-vigília, trocando o dia pela noite, vocalização excessiva (latidos, uivos, choraming.
As alterações patológicas estruturais encontradas no tecido nervoso de cães com a SDC são semelhantes às lesões observadas na doença de Alzheimer em humanos.
O objetivo terapêutico é amenizar os sinais comportamentais e proporcionar melhora da saúde e do bem-estar do paciente. Somente veterinário é capaz de decidir o tratamento e dieta adequada para síndrome de distinção cognitiva.
Existem dietas terapêuticas adaptadas às exigências dos geriátricos, que retardam o processo de envelhecimento e são indicadas para SDC. O enriquecimento ambiental com exercícios, brinquedos e testes de raciocínio, estimula o paciente, ajuda a manter sua função cognitiva, e é essencial para melhorar sua qualidade de vida.
O prognóstico é reservado na maioria dos casos, sendo que, nos pacientes cujos déficits progridem para níveis graves de perda de cognição, muitos tutores acabam optando pela eutanásia.
Por: Vanessa Barcarolo, Médica Veterinária CRMV/SC 5411
Veterinária da Clínica Bicho Mania
*Coluna ‘Cuidado com Pets’, publicado no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1629 de 04 de junho de 2020.


