Os cuidados e a prevenção continuam sendo mantidos ou a população baixou a guarda para a Covid-19?
Há seis meses o mundo se viu abalado pela pandemia provocada pelo novo Coronavírus. No início tudo era assustador e a população tinha medo até de se mexer para não se expor ao vírus. Álcool em gel e máscara viraram nossos principais acessórios do dia a dia. As ruas ficaram desertas e os cumprimentos eram dados a distância, no máximo um toque de cotovelos. Passado esse tempo qual o pensamento das pessoas? Acabou o medo e os cuidados? Para saber a opinião dos camponovenes o jornal ‘O Celeiro’, lançou uma enquete querendo saber se a atenção diminuiu ao longo desse semestre. Dos 383 votos, 92% afirmam que a proteção não diminuiu e que continuam atentos a doença, porém 8% responderam que diminuíram sim os cuidados, pois consideram o vírus não tão grave. Felizmente a maioria mostra que se preocupa e atua de forma responsável, mas a minoria que desconsidera a gravidade da doença causa um alerta, pois essas mesmas pessoas que não consideram o vírus grave podem colocar a si e a outros em risco.
Enquanto os números estão diminuindo em alguns estados, Santa Catarina está vivendo um momento difícil e sete região estão sendo classificadas em situação gravíssima. O fato levou o governador Carlos Moises Silva a decretar novas medidas de restrição em 111 municípios. Na última semana, segundo boletim da Secretaria de Saúdo do Estado, Santa Catarina registrou o maior número de mortes por Covid-19, com 58 mortes em um único dia. O município do estado com mais casos de covid-19 é Joinville com mais de 4,9 mil contaminados, seguido por Blumenau (3,4 mil), Chapecó (3,1 mil), Balneário Camboriú (3,1 mil) e Itajaí (2,6 mil). Florianópolis é a 6ª cidade com mais casos com pouco mais de 2,5 mil infecções. Santa Catarina tem 75,6% dos leitos de UTIs ocupados.
“Como havíamos falado, a primeira quinzena de julho seria uma das mais difíceis de enfrentarmos. Trabalhamos sempre para ampliar os leitos de UTI, o que fizemos em mais de 70%. Todo o esforço do governo em proteger o cidadão tem que ser aliado ao esforço da população e das regiões de saúde em Santa Catarina”, afirmou o governador reforçando a necessidade de que as pessoas evitem sair de casa, usem máscara, evitem aglomerações sociais e respeitem as regras sanitárias de distanciamento social.
Campos Novos não se encontra nesta lista de cidades em estado gravíssimo, mas se mantem na retaguarda para evitar casos. O último boletim mostra 79 casos ativos no município, com um alto número de curados da doença. As ações coletivas e a fiscalização se mostram efetivas. O Centro de Triagem está concentrando doentes em um único espaço, o que diminui os riscos. Os supermercados e o comércio estão limitando a quantidade de pessoas em seus estabelecimentos e disponibilizando produtos de higiene para os consumidores. Bares e lanchonetes também têm seguido esta rotina.
No entanto, não só aqui, mas em muitas outras cidades há um percentual de pessoas que ignoraram e desrespeitam as recomendações de saúde. No final de semana uma festa de casamento foi interrompida por policiais em Balneário Camboriú, cidade que se encontra numa das regiões que estão debaixo de novo decreto de isolamento. Seguindo este mau exemplo Campos Novos também registrou um fato similar. De acordo com informações da Policia Militar, de sábado para domingo, 10 festas foram interditadas. Uma dessas festas promovidas por jovens entre 18 a 22 anos tinha a presença de um senhor de 60 anos de idade, pai do organizador do evento. De acordo com o capitão Macedo, da PM, as interdições tem ocorrido tanto por meio de denúncias como através de fiscalização. Porém, o que mais chama a atenção é que as interdições mais comuns tem sido as reuniões ou festas promovidas pela população. É preocupante perceber que as pessoas insistem se expor ao risco.
Será que estas “reuniões sociais” são realizadas pela parcela mínima de pessoas que acredita que o vírus não é grave? Milhares de pessoas foram afetadas pela pandemia de modo inesperado. Alguns perderam a vida e outros perderam o emprego. Aulas são suspensas para proteger jovens e crianças. Muitas medidas de prevenção estão sendo anuladas de forma irresponsáveis por pessoas que não pensam nas consequências de seus atos. O distanciamento é essencial para que os casos não cresçam de forma acelerada. A rotina não voltou ao normal, e provavelmente só irá voltar com a descoberta de uma vacina e medicação certa para a doença. O tempo não deve nos fazer fechar os olhos para a realidade. No Brasil são quase 80 mil mortes, no estado foram quase 700 óbitos. Enquanto a Covid-19 não puder ser 100% combatida a população precisa contribuir para que não haja proliferação do vírus.
*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1636 de 23 de julho de 2020.


