A forte ventania que aconteceu na região Sul causou estragos e medo nas pessoas.
Caos e medo assolaram a população da região Sul do Brasil no dia 30 de junho. Ventania e muita chuva derrubaram arvores e destelharam casas em muitas cidades. Campos Novos entrou na lista dos municípios afetados, mas sem mortes. Além de todos os prejuízos muitos lugares ficaram sem luz, internet e telefone. O evento climático foi considerado um dos piores dos últimos anos. Defesa Civil trabalhou durante dias para ajudar a população que sofreu devido ao fenômeno natural. Ciclones, como este que ocorreu, são comuns esta época do ano, mas nem sempre com tamanha intensidade que provocou ventos de mais de 100 km por hora. Depois desse dia muito se especulou e até divulgou-se notícias de que haveria um novo Ciclone com intensidade ainda maior deixando a população muito preocupada. O que aguardar para os próximos dias?
O Centro de Informações de Recursos Ambientais e Hidromeoterologia de Santa Catarina (Ciram), vinculado a Epagri, previu para esta terça-feira (07) um novo ciclone na costa sul do Brasil. “Um novo ciclone extratropical se forma na altura do litoral do RS, típico de inverno. A formação desse sistema deve provocar chuva e rajadas de vento de 50 a 70 km/h em SC, especialmente nas regiões do oeste ao sul de SC, com risco de temporais localizados. Na quarta-feira (08), o ciclone provocou ventos mais intensos no litoral de SC (60 a 80 Km/h) e agitação marítima, que significa que não é um evento tão intenso quanto foi o ocorrido nos dias 30/06 e 01/07. Ciclones extratropicais são sistemas frequentes na costa sul do Brasil, causando alagamentos e ressacas, especialmente nos meses entre abril e setembro. Em média, nessa época do ano, dois a três ciclones em cada mês se formam no litoral do Uruguai e Sul do Brasil, influenciando as condições de tempo no litoral de SC.
Para os próximos dias o Ciram prevê dias um tempo firme com sol e algumas nuvens, e temperatura em elevação. A partir do dia 12 uma nova frente fria passa em SC, provocando chuva mal distribuída, em algumas regiões apenas aumento de nebulosidade. Depois disso, uma nova massa de ar frio e seco favorece a melhora no tempo com dias de sol e temperatura mais baixa nos dias 13 a 16. No restante do período, a previsão é de temperatura em elevação. Quanto a intensidade dessas chuvas só é possível prever na semana de precipitação.
Para o trimestre, que corresponde a estação do inverno, a previsão é de chuva abaixo da média climatológica no Oeste e Meio Oeste e próximo da média nas demais regiões catarinenses. A chuva segue com distribuição irregular e episódios pontuais com volumes elevados. “A maior parte da chuva do segue sendo causada pela passagem de frentes frias, sistemas de baixa pressão e vórtices ciclônicos que se formam e intensificam no Sul do Brasil. No trimestre, sobretudo em setembro, os maiores volumes de chuva se concentram no Oeste e Meio Oeste. Nos meses de julho e agosto, a média climatológica varia de 130 a 170 mm no Oeste e Meio Oeste, e de 90 a 130 mm do Planalto ao Litoral. No mês de setembro a média de chuva varia de 150 a 190 mm no Oeste e Meio Oeste, de 130 a 170 mm no Planalto e de 110 a 130 mm na maior parte do Litoral”, são as informações do Ciram.
Ciclone-Bomba: Quando um ciclone ganha intensidade em poucas horas ele é chamado de ‘Ciclone Bomba’. Este que atingiu Santa Catarina se formou no Rio Grande do Sul. A explicação para a formação de um ciclone é que o ar quente e úmido vai para as camadas superiores da atmosfera. Enquanto isso, o ar frio e seco é rebaixado para a superfície, o que gera a redução da pressão atmosférica. A condensação do ar quente libera calor e gera instabilidade na área.
Estragos no estado e em Campos Novos
Casas destruídas, algumas vidas ceifadas e famílias devastadas foram o resultado do Ciclone Bomba que atingiu a região Sul. Em algumas cidades o evento causou grandes prejuízos e o Governo do Estado está mobilizado para ajudar a população atingida. De acordo com informações da Assessoria de imprensa do estado foram liberados para os municípios 65.470 telhas, 4.670 cumeeiras, pregos, parafusos, kits de higiene pessoal, cestas básicas, além de colchões de casal e de solteiro. Os produtos são disponibilizados após a solicitação das prefeituras. Segundo o chefe da Defesa Civil de Santa Catarina, João Batista Cordeiro Jr, é primordial que os municípios agilizem o levantamento de informações para que os itens de assistência humanitária sejam encaminhados. “Essa é a prioridade agora, nós temos previsão de chuva para a próxima segunda-feira, 06, e ainda temos diversas residências que precisam de telhas”, disse.
Campos Novos também seguiu trabalhando para ajudar as famílias atingidas pelo temporal. A assessoria de imprensa divulgou relatório afirmando que a Defesa Civil do município vistoriou as casas da cidade e do interior e prestou ajuda para 91 famílias que tiveram suas casas destelhadas pelo forte vento. Deste número, 60% delas já receberam material. Até o momento foram fornecidas 150 telhas de 5mm, 976 telhas de 4mm e 92 pares de goivo. Os 40% restante, ainda aguardam a chegada de mais materiais, com nova remessa prevista para chegar entre hoje e amanhã.
De acordo com Alan Bortolini, Diretor da Defesa Civil de Campos Novos, este número pode subir, pois até na próxima sexta (10), a Secretaria de Assistência Social ainda estará recebendo pedidos de auxílio em sua unidade de atendimento ou pelo fone 3541 6272. Para as pessoas que porventura precisarem de lonas, devem se dirigir até o Quartel do Corpo de Bombeiros. “Temos um novo período de chuva chegando e ainda não conseguimos atender todo mundo com telhas, inclusive terminamos as vistorias na manhã de domingo. Orientamos àqueles que ainda não foram atendidos por falta de telhas, que estaremos entregando lonas até que se normalize as condições das edificações”, destacou Alan.
*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, edição 1634 de 09 de julho de 2020.





