Período de isolamento social tem feito com que pessoas consumam mais produtos culturais.
Como lidar com o isolamento e o tédio provocado pela pandemia? Livros, filmes, séries, musica, dança, atividades físicas, brincadeiras em famílias foram as alternativas para sobreviver ao caos. Felizmente alguns conseguiram lidar de maneira positiva com a crise e regataram atividades e valores culturais antes não tão valorizados. Para tratar sobre este consumo cultural que aumentou neste período de pandemia do Coronavírus o jornal O Celeiro preparou uma live, através do Facebook, com Denner Souza, Presidente do Humaniza e com Magna Regina, Diretora de Programas e Treinamentos do instituto. Os convidados falaram sobre o setor cultural do Brasil, refletiram sobre os desafios e oportunidades que a situação apresenta. Confira um pouco do bate-papo.
Consumindo cultura e resgatando valores dentro de casa
Magna falou sobre a importância da presença física, mas destacou que o distanciamento possibilitou uma conversa mais longa por meio dos meios eletrônicos. “A falta do encontro presencial é marcante neste momento de pandemia. Mas resgatamos os valores como a conversa entre pais e filhos. E dentro de casa estamos consumindo todas as formas de cultura, inclusive a musica. O que me preocupa em relação às famílias é o produto cultural que elas estão recebendo. O que as crianças estão recebendo? que músicas estamos ouvindo? O que vemos e ouvimos exalta que tipo de comportamento?”, reflete. Denner Souza também comentou que em casa os pais estão valorizando o produto cultural interno no lar. “Alguns pais, devido a correria, não paravam para ouvir o filho tocar um instrumento no ambiente familiar. Agora eles estão tirando tempo para apreciar os filhos nessas atividades”, completou.
Dificuldades do Setor Cultural
Enquanto a necessidade das pessoas por cultura aumentava, o setor passou e passa por momentos difíceis. A indústria cultural tem passado por apuros nesta pandemia. Com o foco na saúde, o investimento neste setor sofreu muitos cortes. E visto que este momento exige inovação, logo surgiram alternativas para lidar com a crise. “No primeiro momento achamos que a cultura iria deixar de existir porque não era mais possível fazer nenhum evento presencial. Mas depois fomos vendo que era possível utilizar os meios digitais para isso. Aos poucos nos inserimos no mundo digital e vimos que é possível fazer cultura mesmo distante fisicamente. Muitos artistas passaram a fazer o seu produto digital. O susto inicial passou e estamos entrando em uma nova era”, enfatizou Magna. “As sessões de cinema, teatro, shows e exposições possuem um denominador comum que é a dependência da aglomeração de pessoas. Com essas atividades encerradas não se pode contar com a renda que é importante para manter a indústria cultural. Estreita o orçamento para a cultura e restringe o trabalho por meio da pandemia, o que torna o momento desafiador. Com a internet é muito mais fácil a produção dos formatos digitais, é um campo de oportunidades para ser explorado”, reiterou Denner.
Importância da Cultura
Infelizmente a cultura não é muito valorizada no Brasil e geralmente é o setor que recebe menos recursos e atenção por parte do Poder Público. Porém, empreender em cultura é um investimento inestimável na formação do cidadão. As crianças devem estar em contato com atividades que incentivam e valorizam a cultura, desta forma é possível contribuir para diminuir o número de jovens inseridos no mundo do crime. No entanto, além do valor social agregado a cultura tem seu papel na economia do país. Denner citou em números alguns dos motivos que comprovam a importância da cultura. “É importante destacar que o setor cultural é responsável por uma grande fatia de mercado econômico. Há cinco milhões de pessoas trabalhando, representando 5.7% das ocupações do país e cerca de 2% do PIB do Brasil.
Auxílio a Cultura: Lei Audir Blanc
Apesar dos cortes no setor cultural a Lei Aldir Blanc surgiu como medida governamental para beneficiar os projetos e produtores culturais do país. “A lei propõe três formas de distribuição desses recursos: na forma de auxilio emergencial, na forma de subsídio mensal para entidades culturais e na forma de editais prêmios ou aquisições de bens e produtos. Esta lei traz um sopro de fôlego aos fazedores de cultura”, explicou Denner.
Ações e Projetos em meio a pandemia
Há vários projetos e ações sendo desenvolvidos neste momento de pandemia, como o projeto Lapidando Talentos que continua com as aulas acontecendo em plataformas online. “Estamos vivendo um novo momento. A nova realidade permitirá que muitos dos produtos que se fizeram presentes na pandemia continuem a ser utilizados de forma digital, esse meio digital facilita a propagação do conteúdo e do conhecimento”, concluiu Magna.
*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1639 de 13 de Agosto de 2020.


