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Poder SC 006 – Moisés apanha por 33 a 6

Moisés apanha por 33 a 6

O governador Carlos Moisés da Silva precisava de 14 votos para parar o processo de impeachment no plenário da Alesc. Conseguiu seis. Alguns deles tímidos e justificados pela base técnica, na tentativa de não se vincular ao governo. Esse grupo é fragmentado e desunido, formado por ocasião. Nos bastidores da Alesc, muito se falou sobre a tranquilidade do processo: não havia um movimento popular para apoiar o Executivo no plenário ou em frente à Casa, apenas uma claque de secretários e assessores que aplaudiam brevemente alguma manifestação contra o processo. É discrepante a diferença na análise de Moisés sobre sua própria gestão em relação ao que veem os deputados. Apenas a líder Paulinha (PDT) defendeu politicamente o governo. Uma em 40. Os 33 votos contra Moisés aconteceram naturalmente, sem sobressaltos, e mostraram mais uma vez que o Executivo foi domado pelo Legislativo.

SEM PIEDADE

Daniela caiu junto a Moisés, sem tratamento especial ou piedade. A vice-governadora foi até a Alesc e assistiu boa parte da sessão. Foi embora quando consolidou-se sua derrota: 32 a sete. Assistiu da primeira fila os deputados “bolsonaristas” do PSL a rotularem como “reticente, displicente e lenta” no embate contra Moisés. Na cabeça de Daniela, ela caminha junto ao presidente. Na prática, os bolsonaristas foram os primeiros a lhe cortarem a cabeça e mostrar que seu apoio ao Planalto não é verossímil. De Brasília veio pouco ou quase nada de solidariedade.

– A LÍDER Paulinha leu uma carta de Moisés em seu pronunciamento. No texto, o governador se diz arrependido e disposto a ouvir mais os deputados. A mensagem é a certa, mas chegou tarde. Talvez se fosse em meados de 2019 teria efeito. Na cabeça dos deputados, os acertos do Executivo foram todos tardios e já foi dada uma segunda, terceira, quarta chance.

– COLEGA de PDT, Rodrigo Minotto licenciou-se oficialmente na manhã da votação. Ele, que era considerado voto certo pelo Executivo, deve concorrer à prefeitura de Criciúma. Mas a licença não é obrigatória. Ficou a fama de fujão. Em seu lugar entrou Cesar Valduga (PCdoB), que votou sim ao processo.

– APESAR de o governo chamar o processo de “tapetão” e apontar que ele beneficia Julio Garcia (PSD), ninguém tocou nesta tese durante a votação. Nem os deputados, nem os advogados de Moisés e Daniela. A denúncia contra ele pelo MPF passou batida. A oposição reinou com tranquilidade.

*Coluna publicada pela Rede Catarinense de Notícias no dia 19 de Setembro.

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