Chuvas darão espaço para dias mais quentes, principalmente nos meses de março e abril.
Os produtores rurais da região meio Oeste comemoraram o verão chuvoso iniciado no final de dezembro. Campos Novos, diferente das outras regiões que registraram temporais e enchentes, presenciou chuvas em grandes quantidades que fizeram a alegria do homem do campo, que há cerca de um ano foi penalizado pela longa estiagem. Foi um ano difícil para a agricultura e pecuária na região, mas hoje os produtores seguem felizes com o clima que contribuiu bastante para a produção, minimizando as perdas. As pancadas de chuvas foram tão significativas que o volume de água foi acima da média meteorológica. Mas o que esperar para os próximos dias? O meteorologista do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hídrometeorologia (Ciram/Epagri), Clovis Correa, disse que a partir dos próximos dias as pancadas de chuva diminuirão devido a chegada de uma massa de ar seco na região. “A partir dessa semana o tempo irá se abrir, poderá ter alguns nevoeiros principalmente na madrugada e no início do dia. A tarde também pode aumentar a nebulosidade, mas com sol predominantemente. Durante os as próximas semanas o volume de chuvas vai diminuir, principalmente no mês de março e abril”, afirmou.
Mesmo com a chegada do sol, a previsão atual não assusta os produtores, pois as chuvas que se apresentaram no início do ano foram suficientes para render uma lavoura bem sucedida. Com ou sem chuva nos próximos dias, os produtores da região já se preparam para a colheita da soja e do milho. Porém, mesmo com a meteorologia a favor, a expectativa é de que haja queda na produção de milho em virtude do surgimento de algumas doenças e pragas, fato que pode ter acontecido devido ao clima. Já a soja segue sem grandes problemas e aguarda só a hora de ser colhida.
Com a produção garantida, os dias de sol que se aproximam não são motivo de preocupação. Porém, mesmo que as culturas de verão estejam garantidas, é sempre bom se ater as previsões climáticas para pensas as culturas de entre safra, ou culturas de inverno, que muitos produtores investem em virtude de alguns benefícios, como o aumento da fertilidade do solo, redução de ervas daninhas, e claro, mais rentabilidade ao produtor.
Viveremos um ano atípico novamente, em que as estações invadem umas as outras? Em 2020 vivemos um inverno quente, e este ano verificou-se um verão ameno. Entender e conhecer a climatologia é de grande importância ao agronegócio. Tanto a pecuária quanto a agricultura são atividades dependente de fatores climáticos. A mudança no clima pode afetar a produção agrícola de várias formas, como, por exemplo, alterações na temperatura do ar, modificação no número de graus-dia de crescimento das plantas; flores, folhas e frutos são danificados por ventos fortes e alta radiação solar; baixa intensidade luminosidade ocasiona redução no florescimento; alta umidade do solo favorece o surgimento de doenças em raízes e tubérculos; e modificação na ocorrência e na severidade de pragas e doenças. O aumento da temperatura poderá provocar perdas significativas nas safras de grãos e alterar a geografia da produção agrícola brasileira, colocando em risco a segurança alimentar no país.
Outro efeito das mudanças do clima é a alteração do cenário de doenças que provocam sérios riscos a produtividade, podendo comprometer toda uma safra. “As mudanças climáticas poderão ter efeitos diretos e indiretos tanto sobre o agente infeccioso quanto sobre as plantas hospedeiras e a interação de ambos. Dentre os efeitos diretos está a mudança na distribuição geográfica. O zoneamento agroclimático da planta hospedeira será alterado, da mesma forma os patógenos e outros microrganismos relacionados com o processo de doença serão afetados. Assim, em determinadas regiões, novas doenças poderão surgir e outras perder a importância econômica se a planta hospedeira migrar para novas áreas. A distribuição temporal também pode ser afetada. Os patógenos, especialmente os que infectam folhas, apresentam flutuações quanto à ocorrência e à severidade durante o ano, que são atribuídas as variações das condições meteorológicas. O aumento da umidade, por exemplo, durante a estação de crescimento pode favorecer o aumento da produção de esporos; por outro lado, doenças como os oídios são favorecidas por condições de baixa umidade. Outro exemplo é a redução de dias com chuva no verão que pode diminuir a dispersão de diversos patógenos”, explicou o agrônomo Ariel Cunha, com base em pesquisas a campo.
Apesar de não haver controle sobre o clima, é essencial entende-lo em virtude de sua relação com a produtividade nas propriedades. Alternativas diante das dificuldades que se apresentam devem ser pensadas de forma estratégicas para evitar grandes perdas. O desejo de todos os produtores é de que o clima seja amigos das lavouras, mas nem sempre isso acontece, portanto é preciso perspicácia na hora de se planejar. A equipa da Ciram/Epagri ira se reunir em breve para verificar a climatologia dos próximos meses. Até o momento não se sabe se haverá um novo período de estiagem, a previsão é apenas de menos chuvas e mais sol.
*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1664 de 18 de fevereiro de 2021.


