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UTI: Um sonho prestes a se tornar realidade

Funcionamento da unidade mudará a rotina do hospital Dr. José Athanázio e o elevará ao patamar de alta complexidade.

Cada vez mais perto de se concretizar, a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de Campos Novos está prestes a se tornar realidade. A previsão para a conclusão das obras físicas é para o mês d abril, conforme confirmou o diretor da Fundação Hospitalar Dr. José Athanázio, Vinicius Serena. Devido a pandemia, a construção civil enfrentou dificuldades em relação a chegada de materiais, mas a obra segue. No momento estão sendo feitas as divisões de rede de gás, e a manta vinílica, utilizada em pisos hospitais, deverá ser iniciado. Em seguida serão instaladas a de rede elétrica, pontos de energias e de internet. Porém, a finalização das obras físicas é apenas uma etapa, logo em seguida outras fases deverão ser executadas para que a unidade esteja habilitada e entre em funcionamento. Que outros passos serão necessários e que outras metas poderão ser aguardadas? Em entrevista ao jornal ‘O Celeiro’, Vinicius Serena falou sobre o andamento das obras e suas repercussões no município.

Além do espaço físico, é essencial a aquisição dos equipamentos para habilitar os 10 leitos da UTI Adulto. Vinicius disse que até o início de março deverão ser abertas as licitações para iniciar a compra de matérias necessários. “Os dez leitos serão 100% equipados e habilitados para atender a população. É um investimento em saúde de alta complexidade”, afirmou, ressaltando que com a implantação de uma UTI no município as pessoas não precisarão recorrer a outros centros. “Quem nunca se deparou com uma situação em que precisou fazer uma transferência de um familiar para fazer atendimento fora de domicilio? Isto é difícil e custoso. A ideia de trazer a alta complexidade para o nosso município e para os demais do entorno é pensando em segurança e saúde, pensando no bem estar dos pacientes”, completou Vinicius.

Os benefícios são incontáveis, mas os investimentos também são altos, Vinicius acredita que para a conclusão do projeto serão gastos cerca de R$ 5 milhões, entre recursos próprios do município e recursos advindos do Governo do Estado. “O custo de equipamentos para montar a UTI deixando-a habilitada gira em torno de R$ 2.500.000,00. Primeiro vamos fazer a compra de uma série de equipamentos com recursos do Governo do Estado, na sequência iremos utilizar alguns recursos próprios para conseguir ter os dez leitos de UTI habilitados no estado. A fundação possui a lista de todos os equipamentos necessários. No hospital já possuímos fluxometros, estetoscópios, central de monitores, cadeiras de rodas. Mas temos uma listagem obrigatória que equipamentos que devem ter na UTI. Os mais caros dessa lista trata-se de um raio X portátil, para ser usado em pacientes impossibilitados de se deslocar. E o aparelho de hemodiálise por osmose, pois metade dos leitos serão com hemodiálise. Estes são um dos equipamentos mais caros. Mesmo as obras físicas não instaladas já podemos fazer algumas compras, há equipamentos que demoram bastante para chegar, mesmo após a entrega a gente precisa da qualificação técnica sobre o funcionamento deles. São dinâmicas que precisamos seguir para ter uma UTI habilitada com total segurança”, garantiu.

A equipe médica do hospital também precisará ser reforçada para atuação na unidade. Médicos intensivistas serão contratados para esta função. “Temos no nosso quadro pessoas competentes que já operam em alta complexidade, e olhamos com carinho para quem já está aqui com a gente, mas também buscaremos profissionais qualificados para atuar na UTI”.

Mesmo com a finalização das obras e a compra de equipamentos, para a UTI poder realmente funcionar recebendo pacientes ela precisará de uma avaliação e aval da Vigilância Sanitária Estadual e do Ministério da Saúde que habilitarão os leitos. Vinicius relatou um encontro com o secretário de estado de saúde, no final de 2020, no qual a UTI no município foi vista com bons olhos pelo Estado. “Conversamos com o secretário de estado no final do ano passado referente a UTI e a sinalização dele foi muito positiva. Uma UTI aumenta o volume de recursos do SUS repassados aos hospitais. Dessa forma nos sentimos mais confiante de seguir o trabalho porque é um projeto que visa regionalizar as especialidades e cada município deve assumir uma faixa de responsabilidade. Campos Novos está se inserindo nesse contexto e avançando neste aspecto”, declarou.

O que a UTI representa?

Avanço e desenvolvimento, sem dúvida, é o que esta Unidade de Terapia Intensiva representa não apenas para Campos Novos, mas para a região do entorno. A saúde do município irá dar um salto significativo que terá repercussões não apenas na saúde, mas no desenvolvimento econômico do município. Mas vamos focar primeiramente no ganho que a comunidade terá em saúde e qualidade de vida.

Hoje o Hospital Dr. José Athanázio oferece atendimento de pequena e média complexidade. Com a implantação da UTI ele passará para um patamar mais elevando atendendo demandas de alta complexidade. Com isso, aumenta a probabilidade de Campos Novos atender novas especialidades, como acredita o diretor. “O que eu visualizo hoje é que naturalmente novos profissionais virão atuar em virtude da alta complexidade. Temos uma ótima estrutura no centro cirúrgico, mas muitas cirurgias não são realizadas porque não há leitos de estabilização para o paciente pós-operado. Por exemplo, pacientes neurológicos geralmente vão para a UTI na recuperação. Somos cobrados por isso, mas precisamos desse investimento para que eles venham atuar no município com segurança”, declarou.

Com a UTI, o município de Campos Novos aumenta seu potencial para se tornar uma referência na região. Apesar de haver esta possibilidade, Vinicius quer primeiramente focar na qualidade dos atendimentos. “Queremos ser referência em qualidade nos atendimentos e prestação de serviços. Quanto a especialidades, visualizamos a ortopedia de alta complexidade e também o potencial para a cardiologia. Hoje temos uma ótima estrutura e temos prestado trabalho de excelência. Temos muito a crescer”, ponderou Vinicius.

Neste primeiro momento a UTI contará apenas com leitos para adultos, mas o plano a médio prazo é construir uma unidade Neonatal também. “Estamos construindo uma laje junto a área de imagiologia, com a intenção de termo leitos de UTI neonatal. Hoje temos como referência Concórdia e Curitibanos para nos dar suporte É um plano pensado em médio prazo”, afirmou.

O diretor Vinicius também menciona os demais benefícios dos investimentos que estão sendo feitos na saúde, que já podem ser vistos desde agora. “A demanda de cirurgias eletivas que desmontamos neste último ano deu uma movimentação econômica grande para o município. Todo o investimento feito para melhorar o hospital, pensando não só na qualidade de vida e bem-estar da população, é também em nível de desenvolvimento econômica sustentável. A área da saúde potencializa a chegada de novos profissionais que ajudam a movimentar a economia”, finaliza o diretor. Quanto ao funcionamento da unidade, Vinicius não citou nenhuma data, mas espera que seja ainda em 2021.

*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1664 de 18 de fevereiro de 2021.

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