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Poder SC – 040 – Moisés vai pessoalmente

A iniciativa do governador Carlos Moisés da Silva de ir pessoalmente à Assembleia Legislativa de SC (Alesc) para negociar um projeto (aquele dos recursos estaduais para obras federais) marca um novo momento do Executivo. Moisés coloca a mão na massa na articulação política e o faz jogando fora de casa. Talvez o leitor vá lembrar que à época do secretário da Casa Civil, Douglas Borba, havia muita reclamação quanto à condução política do governo. Borba centralizava as demandas e blindava o governador de interesses dos deputados. O seu substituto, Amandio João da Silva Júnior, teve como uma das primeiras ações colocar um número de celular à disposição dos parlamentares para falarem com Moisés. A medida virou piada por Laércio Schuster (PSB), que passou a ostentar um telefone vermelho modelo antigo durante as sessões. Amandio caiu rápido e vieram os processos de impeachment. Reconhecidos os erros, Moisés tenta garantir o diálogo e uma base aliada, desta vez sem intermediários.

ROSTO DO GOVERNO

A destinação de recursos para BRs tem um gosto especial para o governo. Poderá ser o símbolo máximo de Moisés na política: o governador que fez acontecer as obras federais e com recursos próprios, sem empréstimos, fruto da própria economia. É uma estratégia interessante, já que o governo não conseguiu capitalizar o fim das ADRs e nem a inauguração da Ponte Hercílio Luz. Para piorar, a construção da imagem de um governo austero caiu por terra com o caso dos respiradores. Se Moisés fizer andar as obras de infraestrutura, poderá colar a fama de que economiza e gasta bem, ao mesmo tempo.

– É PRECISO dizer que o andamento das obras federais não esconde a morosidade dos investimentos nas rodovias estaduais. Nas BRs, os projetos estão prontos, é “só” colocar dinheiro. Nas estaduais, há problemas com projetos, falta de engenheiros e de operacionalização.

– NESSE entra e sai de Moisés e Daniela, a pasta mais afetada foi a Comunicação. João Cavalazzi, o novo secretário, é o sexto a ocupar o cargo. Antes dele, vieram Ricardo Dias, Gonzalo Pereira, Carlos Rocha, Jefferson Douglas, e Miguel Bertolini. Isso em dois anos e cinco meses.

*Coluna ‘Poder SC’, publicada no Jornal ‘O Celeiro’, Edição 1676 de 13 de maio de 2021.

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