Geralmente quando surge algum caso de violência contra a mulher a primeira coisa que muitos fazem é buscar um culpado. Até mesmo a vítima é julgada, sendo cruelmente apontada como louca, como boba por aceitar a situação e não abandonar o agressor. Ou foi porque bebeu demais ou mostrou demais. Os homens também são ofendidos, mas nunca na proporção da mulher. Não há como julgar acertadamente os envolvidos.
Foca-se tanto no problema que a solução se torna um tema secundário. Nem sempre é separando o casal ou prendendo o agressor que a violência chega ao fim. Ex-companheiros logo encontrarão outros companheiros, e a história irá apenas se repetir, mas com personagens diferentes. Presos podem ser soltos novamente e encontrar outras vítimas. Os meios paliativos não são eficazes.
A denúncia, tão incentivada pelos meios de comunicação, já é um passo para inibir o agressor. Todo agressor é covarde, ele fica coagido ao imaginar que será descoberto. A ideia de que poderá ser denunciado pela mulher poderá fazê-lo recuar da agressão. Eles têm muito medo de mulheres corajosas. Porém, só a denúncia ainda não é o bastante.
É necessário um projeto a longo prazo, que seja contínuo, e tenha como base a educação de homens e mulheres. Eles precisam aprender que não devem agredir as mulheres, elas devem entender que não podem apanhar. Elas precisam ser educadas sobre seu lugar, seu valor. Elas devem receber qualificação e capacitação para alcançar independência financeira. São inúmeras as ações possíveis para o fim da violência.
O jornal ‘O Celeiro’ sempre abrirá as portas para divulgar boas noticias para as mulheres, como a inauguração da Procuradoria Especial da Mulher que será um braço de apoio as mulheres. Mantemos o compromisso em alertar, em incentivar, em dar voz a esta luta pelo fim do julgamento da mulher e pelo fim da violência.
Por: Priscila Nascimento, Jornalista
*Editorial publicado no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1687 de 29 de julho de 2021.


