Lenda viva, gênio, ET. A Copa do Mundo 2022 veio para coroar a carreira de um jogador extraclasse: Lionel Messi. O craque argentino, multicampeão na Europa, aos 35 anos teve a sua última oportunidade de realizar o seu maior sonho como desportista, ser campeão do mundo com a sua seleção. A última vez que nossos vizinhos sul-americanos haviam conquistado o Mundial, Messi nem era nascido, foi em 1986, e a saga para esta redenção não poderia ter sido de outra forma: digna de uma super produção de cinema.
Em 2014, no Brasil, a Argentina de Lionel Messi ficou no quase, ao ser derrotada na final pela Alemanha na prorrogação. Léo, até aquele momento não havia ganhado um título sequer com o seu país. Em 2016, mais uma final, dessa vez da Copa América Centenária, e mais uma derrota. Um revés dolorido, nos pênaltis, diante do Chile, e Messi naquela oportunidade sentiu o golpe e afirmou que não defenderia mais a sua seleção.
Após mudanças radicais na comissão técnica, o gênio foi convencido de reaver a sua decisão. Deu mais uma oportunidade à Federação, ao Povo Argentino e aos amantes de futebol arte do mundo todo! Messi voltou!
Já reestruturados, nossos “Hermanos” caíram nas Oitavas de Final da Copa de 2018 para a mesma França, que mais tarde ficaria com o caneco daquele mundial. Sem clima de “terra arrasada”, Messi e Cia continuaram o trabalho e a recompensa veio em 2021, com o título da Copa América, frente ao Brasil e na casa do maior rival! Messi e sua seleção assim quebravam um jejum de títulos que já durava 28 anos!
O gênio argentino muito bem poderia ter terminado a sua passagem pela seleção naquele momento, em alta e com um título expressivo. Mas, não. Messi volta para a disputa do seu quinto mundial, com a sua seleção com moral elevada, sendo apontadas como uma das favoritas, prestes a atingir a maior invencibilidade da história das seleções, e logo na primeira partida, derrota para a Arábia Saudita.
Contudo, como num roteiro de filme, a frustração inicial deu lugar à união do grupo, e isso ficou notório dentro de campo. Os resultados começaram a aparecer, adversários foram ficando pelo caminho, e é claro, Messi brilhou. Autor de 3 assistências e 7 gols ao longo do Mundial, os dois últimos deles em plena Final de Copa do Mundo. Nem mesmo a atuação colossal de Mbappé, marcando três vezes, foi suficiente para acabar com o sonho argentino.
Não foi fácil, foi com sofrimento, nos pênaltis, com requinte de dramaticidade, mas finalmente, um dos maiores jogadores da história do futebol e maior referência técnica das últimas décadas, como capitão do seu país, erguia a tão sonhada Copa do Mundo.
Algum ou outro brasileiro pode até não gostar, mas temos que nos render à história e trajetória de Lionel Messi e, venhamos e convenhamos, este final feliz, foi mais que merecido! Para nós, fica a lição, sabemos que muitas vezes a vontade supera o talento, porém, quando o talento e a determinação se unem, ficam muito próximos de se tornar imbatíveis.
Por: Orli Ricardo, Jornalista
*Editorial publicado no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1760 de 22 de dezembro de 2022.


