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ESPECIAL PROFESSORES: Maria Ampessan

Professora por vocação: Maria Ampessan fala das dificuldades no início da carreira e da trajetória de mais de 5 décadas de sucesso dedicados à Educação

Professora deu aula no interior e fez parte da primeira turma de Pedagogia da UNOESC Joaçaba.

A sala de aula foi um local que sempre fez bem para a entrevistada desta edição do “Especial Professores”. Maria Ampessan (70) vem de uma família numerosa de 10 irmãos, é natural de Campos Novos e desde pequena alimentava o sonho de ser professora. Ela conta que quando criança, ficava aguardando o final da aula para conseguir os tocos de giz com as serventes e levá-los para sua casa. Seu pai, carpinteiro, vendo a propensão da filha, com um pedaço de tábua improvisou um quadro no quintal de onde moravam, e ali mesmo, Maria começou a dar os primeiros passos no sonho que mais tarde viria ser a sua profissão.

Não demorou muito para este desejo se concretizar. Com apenas 16 anos, já cursando o Magistério, surgiu a primeira oportunidade para atuar como professora, a missão era lecionar para o 1º e o 4º ano na Escola Isolada da Colônia Laranjeira, em Vargem, Maria foi “de mala e cuia” para este primeiro desafio e após uma semana de trabalho, pensou em desistir. As condições de moradia e ensino eram muito difíceis, Maria então resolveu escrever uma carta e encaminhar para a sua mãe, onde informava que ficaria apenas uma semana naquele trabalho. Após este período, retornou para a sua casa, mas para sua surpresa, sua mãe, costureira, a desafiou a cumprir pelo menos um mês da nova função, Maria aceitou e não ficou apenas mais um mês como professora, mas sim, mais de 50 anos trabalhando em sala de aula.

Professora Maria foi casada com Cláudio Ampessan (in memoriam) por 42 anos, e da relação teve origem o Filho Daniel, hoje com 41 anos. Sua trajetória na Educação é vasta e cheia de boas histórias, como você acompanha a seguir na entrevista especial:

  • Por quais escolas teve passagem?

Como estudante, cursei todo o Ensino Fundamental na Escola Gustavo Richard (atual Paulo Blasi) e depois estudei no Colégio Auxiliadora. Como já mencionado, comecei a trabalhar na Escola Isolada da Colônia Laranjeira, em Vargem, depois trabalhei em escolas municipais do interior de Campos Novos, cumpri estágio probatório na Escola Virgínia Paulina, de Monte Carlo, ainda trabalhei na Escola Santa Rita, em Vargem, e na sequência trabalhei no Ibicuí. Durante o estágio, residia de segunda a sábado em Monte Carlo, era solteira e dividia as despesas da casa com mais três colegas que também trabalhavam lá: Aldete Debastiani, Ivonete Machado e Ivoneide Machado.

Depois vim trabalhar na cidade, onde atuei nas Escolas Estaduais Gasparino Zorzi, Henrique Rupp Júnior e Paulo Blasi, nesta última unidade escolar, inclusive, trabalhei por mais de 20 anos e foi lá que me aposentei.

  • E como foi o processo para a sua formação?

Depois do magistério, no ano de 1976, resolvi fazer faculdade em Joaçaba, o curso de Pedagogia estava iniciando os trabalhos na UNOESC e fiz parte da primeira turma. Na época, eu e mais três amigas, compramos um Fusca em sociedade para se deslocar até a Universidade. Mas era muito trabalhoso, pois como eu trabalhava no interior, acabava chegando tarde em Campos Novos e consequentemente todos os dias nós chegávamos atrasadas na sala de aula. Eu me sentia mal por atrasá-las, mas elas entendiam e aceitaram esta situação até a conclusão do curso. O carro, aliás, existe até hoje, e está sob propriedade de uma de nossas colegas da época, Solange Jacomel.

Ao encerrar a minha formação, fiz Pós-Graduação na UNOESC e comecei a trabalhar na própria universidade, onde fiquei por oito anos. Neste período atuei em Joaçaba, Capinzal e Campos Novos.

  • Quais são as lembranças de quando trabalhava no interior?

Lembro que foi sofrido, meu pai me levava a pé de madrugada pegar o ônibus, as escolinhas eram sustentadas por escoras, nem energia elétrica tinha em alguns locais por onde eu passei, contudo, posso dizer, que o melhor lugar para se trabalhar é no interior, era um máximo, e tem uma explicação. Lá, você é tudo, eu era professora, diretora, servente, merendeira, eu era catequista, era de tudo!

Na época eu não tinha nem mimeógrafo, eu utilizava carbono para passar as atividades e avaliações aos alunos. Isso acabou me dando muita força de superação, eu precisava ser criativa, e passar por cima de todas as dificuldades, sobretudo da estrutura física que para mim era concedida. Tempos mais tarde, em sociedade com minhas duas irmãs, que também se tornaram professoras, compramos um mimeógrafo, e a situação melhorou muito.

  • E como virou catequista?

Já faz 40 anos que sou catequista e tudo começou por acaso. Uma Irmã do Colégio Auxiliadora me pediu para providenciar uma catequista para os alunos de crisma e eu não consegui arrumar ninguém que quisesse assumir o compromisso, na época, meu filho era bebezinho, e mesmo assim, por impulso e para não desapontá-la decidi assumi a turma.

  • E o que esperar do Ensino e da Educação das nossas crianças?

Eu torço muito pela Educação, porque eu vivi mais de 50 anos da minha vida na Educação! Torço pelos colegas professores, torço pelos alunos, pelos pais, pois não temos outro caminho que nos dê esperança a não ser investir naEducação. É por isso que não parei de acreditar na Educação. Aqui em casa tenho uma sala, onde atualmente atendo aluninhos do 1º ao 6º ano com aulas de reforço pedagógico. Hoje em dia temos muitos recursos para o ensino e não desejo parar, ainda tenho muito o que contribuir!

*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1761, de 12 de janeiro de 2023.

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