“A vida é muito curta para ser pequena”. A autoria desta frase é atribuída ao escritor e político britânico Benjamin Disraeli, aqui no Brasil, no entanto, foi disseminada pelo escritor e filósofo Mário Sérgio Cortella, e faz todo sentido se pararmos para refletir.
Temos em média 75 anos de vida, no meu caso, teoricamente e, se tudo correr bem, ainda tenho cerca de 40 anos pela frente.
Conforme Cortella, durante a nossa trajetória lidamos com a encrenca de ter a vida dividida em três grandes ciclos: dos zero aos 25 anos, montamos nossa estrutura física, psíquica, relacional, cognitiva, reprodutiva e hormonal; dos 25 aos 50 anos, estamos reproduzindo outros humanos e trabalhando em alta intensidade; e, dos 50 aos 75 anos, nos preparamos para o checkout, a despedida.
E nós seres humanos somos a única espécie que tem consciência que isso vai ocorrer. Todos, com exceção dos bebês, sabem que uma hora deixaremos de existir, e mesmo assim, a maioria de nós habitamos este planeta de uma forma descompromissada, como se fossemos eternos.
Não fazemos a diferença em nossa casa, no grupo de amigos, no trabalho, na nossa família e muito menos no bairro onde moramos. Preferimos viver à sombra das pessoas que fazem acontecer, que não se acomodam e que sempre estão em busca de melhorar cada dia mais.
A pessoa diz que nunca tem tempo de ler um livro ou jornal, praticar um exercício físico, fazer uma aula de música, passear com o filho, mas se for rastrear o tempo de uso do celular dela, vai acusar horas e horas de uso por dia. Aliás, saiu uma pesquisa recentemente que aponta que o brasileiro é o segundo povo no mundo que mais usa celular, a média diária é de 9 horas. Estamos atrás apenas da África do Sul.
A nossa espécie também é uma das que mais dorme, dormimos em média 8 horas diárias, isso equivale a 1/3 do dia, ou seja, se vivemos em média 75 anos, significa que 25 deles passamos só descansando.
E se a vida é muito curta para ser pequena, está na hora de abandonarmos alguns costumes estéreis, que não nos dão frutos, que nos aprisionam, que não nos deixam evoluir. Cada amanhecer é uma nova oportunidade de fazer diferente e fazer a diferença. O que está esperando, mais um dia está passando, não há tempo a perder!
Por: Orli Ricardo – Jornalista
*Editorial publicado no Jornal O Celeiro, Edição 1776 de 27 de abril de 2023.


