Com a permissão de um teólogo brasileiro que soube expressar o sentimento latino-americano juntando o espiritual e o cultural, do nosso jeito festivo de celebrar, podemos definir o acontecimento do Natal como:
Deus Criador criando a humanidade à sua imagem e semelhança, a fez homem e mulher. Gostou tanto que lhes presenteou com uma chácara muito linda para viver. Se reservou algumas orientações para que melhor pudessem viver. Como a curiosidade humana é demais, desobedeceram ao mandato divino.
Com isso houve uma ruptura entre o Céu e a Terra. Como Deus é puro Amor resolveu fazer outro presente…surpresa. Pensou assim: “eu mesmo vou até eles e vou estar entre eles, para que se sintam protegidos dos inconvenientes que ainda poderão aprontar”.
Então certo dia. Chegou na porta de casa de uma linda donzela e pedindo licença pediu-lhe que aceitasse gerar um Filho. Ela se chamava Maria. “Ficou perturbada”, claro que sim, mas lhe respondeu: “Faça-se em mim segundo a Sua vontade”.
“E Deus habitou entre nós”. Igual a nós agora tem nove meses, para ser gerado e poder ser visto pela humanidade.
Pois é estimado leitor, católico ou de outras denominações cristãs e todos que participam desta grande festa da humanidade, “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz” (Isaías 9,1). Esse fato narrado pela Palavra de Deus aconteceu há belos anos já passados, no entanto, atualiza-se todos os dias. É Ele o motivo que nos faz celebrar o Natal, pois uma Luz brilhou em meio às trevas.
Na igreja católica nos reunimos nos quatro domingos do Advento e nas Novenas em Família como preparação espiritual para celebrar esta vinda do Jesus Menino, o Messias Salvador.
Na sociedade o tempo natalino tem seu sentido com a acolhida das visitas de parentes e amigos. Na família, os manjares, amigo secreto, mensagens de fraternas, presépio e luzes que por tradição se faz acontecer.
E por falar em presépio quem primeiro montou o presépio foi o Jovem São Francisco de Assis em uma gruta na cidade de Greccio. São Francisco queria que as pessoas compreendessem melhor o nascimento de Jesus, com isso pediu para seu amigo Giovani preparar o local conforme ele tinha pedido. São Francisco celebrou o Natal do Senhor entre o boi e o jumento para demonstrar a simplicidade do local que Jesus escolheu nascer.
Após esse acontecimento o Natal passou a ser representado por meio do presépio, que simboliza a Encarnação de Jesus Cristo. Além disso o presépio ajuda a evangelizar. Muitos pais montam o presépio e no dia do Natal dão catequese para os filhos, revivendo a história do nascimento de Jesus dentro do coração de cada um.
Deve ser montado no 1º domingo do advento e desmontado no dia 6 de janeiro, data em que a Igreja celebra a solenidade da Epifania do Senhor.
Ainda um pouquinho de formação Bíblica. O Natal tem tudo a ver com a libertação histórica do Povo de Deus da escravidão. Os profetas Ezequiel, Isaías e outros, por muitas vezes disseram ao povo que um dia Deus viria, Ele mesmo, para reconduzir de volta a Jerusalém onde o faria sentar em uma mesa farta com ricos manjares e bebidas. Tem muito a ver com a Mesa Eucarística.
Como Deus veio então para fazer tudo isso? Já ficou fácil de responder. Pela Encarnação, Vida, Morte e Ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo celebramos a libertação de nosso cativeiro, libertação do egoísmo, do mal para uma vida mais digna que nos garante a salvação.
Esta Grande Luz nos dá a esperança que brilha em meio às trevas, reacende a esperança e nos dá a certeza de que já não estamos sozinhos. Deus está conosco, Ele é o Emanuel. Sua luz nos contagia e aquece, por isso, abramos nossos corações e tenhamos a coragem de sermos faróis no mundo, levando, com a nossa vida, a luz que é Cristo, aos corações sedentos de amor e paz.
Agora sim é favorável reunir-se em família, entre amigos, para cada um de sua forma celebrar, festejar o evento sem esquecer de convidar o aniversariante.
Feliz e abençoado Natal do Senhor.
Por: Dirceu De Rocco (CS)
Padre e pároco de Campos Novos
*Artigo publicado na Edição 1810 de 21 de dezembro de 2023.


