Evento aconteceu no último final de semana em Zortéa/SC.
Aconteceu nesta última semana no município de Zortéa/SC, o lançamento do ‘Movimento dos Com Terra’. De acordo com o advogado Marcelo Barizon a ação foi criada como resposta às invasões de propriedades rurais.
A Fazenda Volta Grande onde o evento foi realizado, é defendida na justiça pelo escritório Barison Advocacia, que vem conseguindo desempenhar com êxito a defesa dos objetivos na esfera judicial.
“Já tivemos em Santa Catarina, propriedades invadidas. Aqui essa ação já foi registrada, quatro vezes, e esta prática, está envolvida em uma longa disputa judicial”.
Segundo ele, há uma decisão transitada em julgado que garante a posse da área e impede novas invasões pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST).
Diante da ameaça de uma quinta invasão, decidiu-se criar um movimento de resistência, disse o advogado.
“O brasileiro espera que tudo se resolva de fora para dentro. Ninguém enfrenta diretamente os problemas. Precisamos agir, e foi por isso que criamos esse movimento”, afirmou Barizon.
Ele destacou a rápida adesão espontânea em várias regiões do país. “Foi muito bem aceito, tornou-se algo orgânico e voluntário. A adesão foi surpreendente, e agora temos a responsabilidade de levar isso adiante. Muitos produtores viram no movimento a única forma eficaz de se defender: assumindo o protagonismo na defesa de seus interesses”, declarou.
O advogado também denunciou irregularidades no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), citando casos de suposta falsificação de documentos para classificar terras produtivas como improdutivas, em desacordo com laudos judiciais.
“Usam o georreferenciamento pago pelo proprietário e registram a área com uma nova matrícula para tomar posse do terreno. Isso é inadmissível”, afirmou. Segundo ele, o profissional responsável pelo georreferenciamento já adotou medidas legais contra o uso indevido de seu trabalho.
Barizon criticou o uso do termo “sem terra”, argumentando que muitos produtores, assim como ele, podem não ter a terra registrada em seu nome individualmente. Ele também questionou o interesse do MST por áreas produtivas e bem localizadas, em detrimento de terras devolutas e isoladas.
“Eles não querem terras de difícil acesso, mas áreas com asfalto e boa localização. Passou da hora de desmascararmos essa realidade e expormos a verdade. Nosso movimento é a única forma de combater isso e criar um contraponto”, concluiu.
O movimento, ainda na fase inicial, já conta com o apoio de diversas lideranças do agro e políticas.
Em Santa Catarina, tem o apoio do prefeito de Chapecó, João Rodrigues, do deputado estadual Sargento Lima, de Joinville, da deputada federal Daniela Reinehr, do senador Esperidião Amin, Enori Barbieri (Faesc), do ex-secretário de estado da Agricultura, Valdir Colatto e de fora do estado, como o deputado estadual Gilberto Cattani, do Mato Grosso, Antoni Galvan, o ex-presidente da Aprosoja e o músico,empresário e advogado Edson Dutra, do grupo Os Serranos.
Em Santa Catarina, recentemente, o governador Jorginho Mello sancionou a lei Abril Amarelo, que repudia a invasão de propriedade alheia. Abril também é o mês em que ocorrem, em todo o Brasil, invasões no chamado “Abril Vermelho”, promovido pelo MST.
Na atual gestão federal, várias invasões já foram registradas, após terem sido praticamente extintas no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Agora, nessas investidas, o MST tem encontrado resistência e conflitos armados já foram registrados.
Entretanto, o MCT deixa claro que não é um movimento de combate ao MST, mas de apoio e reforço aos produtores rurais que exigem somente o que a lei lhes concede, que é o direito à propriedade.
O evento em Zortéa, foi idealizado pelo advogado e produtor rural, Marcelo Henrique Barison, e atraiu grande número de apoiadores na região.
*Reportagem com colaboração dos portais: Gazeta do Povo e NopontoSC
*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1873 de 10 de abril de 2025.


