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Festas Juninas e Identidade Cultural

Chegou junho — e, com ele, o colorido das bandeirinhas, o cheiro de milho cozido e o calor das fogueiras. Mas já pararam para pensar qual é, de fato, o sentido mais profundo dessas celebrações?

Festa e religiosidade

Antes de qualquer quadrilha ou comida típica, as festas juninas têm origem na fé católica. São três os santos celebrados: Santo Antônio — o franciscano milagreiro e casamenteiro; São Pedro — o apóstolo que guarda as chaves do céu; e, com destaque especial, São João Batista, o primo de Jesus, aquele que o anunciou como Salvador.

Entre todos os santos, São João tem uma posição única, pois é o único cujo nascimento é celebrado liturgicamente — em 24 de junho. A Igreja Católica costuma festejar os santos no dia de sua morte, mas João é a exceção, por ter sido, segundo a tradição bíblica (Lucas 1:36), santificado ainda no ventre de sua mãe. Fontes como o Chronographus Anni 354, o Liber Pontificalis, os sacramentários Gelasiano e Gregoriano, e o Calendário Romano Geral apontam que, além de João Batista, apenas Jesus (25 de dezembro) e Maria (8 de setembro) têm seus nascimentos oficialmente celebrados pela liturgia.

São João dos Campos Novos

Aqui em Campos Novos, o vínculo com São João vai além da fé individual. O antigo nome da cidade era justamente São João dos Campos Novos, nome já usado muito antes de sua oficialização em 1881, pela Lei Provincial nº 923. A Igreja Matriz de São João Batista, construída ainda antes da emancipação municipal, é testemunho dessa devoção. São João é, assim, parte constitutiva da nossa história local.

Identidade cultural: o campo e suas raízes

Campos Novos nasceu e cresceu sob o impulso do tropeirismo e da pecuária, fortemente marcados pela cultura gaúcha dos séculos XIX e XX. A identidade cultural local é enraizada na vida rural, moldada por migrantes do Sul que aqui fundaram as primeiras fazendas. Por isso, nas festas juninas, é mais do que justo — é necessário — homenagear a nossa gente rural, com seus hábitos, sua fala, suas vestimentas, suas danças e suas músicas.

Festas juninas: uma ode ao povo do campo

As festas juninas, em todo o Brasil, funcionam como uma espécie de ode popular à vida no campo. Com música, dança, fogueira e fartura, elas celebram os saberes, os sabores e o espírito coletivo do meio rural. Mas é preciso cuidado: homenagear o homem do campo não deve ser sinônimo de caricatura ou fantasia genérica.

No Nordeste, por exemplo, você não verá pinhão, rancheira ou música gaúcha numa festa junina — e isso não é falta de abertura, mas respeito à identidade local. Por aqui, muitas vezes, vemos o oposto: festas marcadas por expressões como “Arraiá”, falas forçadas como “Uai sô!” e trajes exageradamente remendados, como se o caipira fosse sinônimo de desleixo ou zombaria.

Esses elementos, popularizados pela figura do Jeca Tatu (de Monteiro Lobato) e pelos filmes de Mazzaropi, refletem um tipo rural paulista que não corresponde à nossa realidade. Mais grave ainda é quando as escolas e instituições reproduzem essa imagem sem refletir sobre nossa própria cultura local.

Pluralidade com respeito

Não se trata de rejeitar outras expressões culturais do Brasil — ao contrário, é possível e desejável reconhecer e admirar a pluralidade de festas juninas. Mas isso deve ser feito com respeito, consciência e cuidado estético. O que não podemos é apagar a nós mesmos em nome de um modelo importado da mídia ou da fantasia.

Celebrar São João deve ser, acima de tudo, celebrar quem somos. Temos nossas danças, nossas músicas, nossos trajes e nossa maneira própria de ser e falar. Não precisamos nos vestir de outro para sermos vistos — precisamos apenas reconhecer o valor da nossa cultura e apresentá-la com orgulho.

Que neste São João, celebremos com fé, alegria e, sobretudo, com fidelidade à nossa tradição. E VIVA SÃO JOÃO – NA NOSSA TRADIÇÃO!

Por: Giovani Primieri

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