Pela primeira vez em Santa Catarina, um paciente com epilepsia grave e refratária foi submetido a uma calosotomia posterior, procedimento de alta complexidade que visa reduzir a frequência e a intensidade das crises. A cirurgia foi realizada no Hospital São José, em Criciúma, pelos neurocirurgiões Dr. Bruno Loz, especialista em cirurgia de epilepsia, distúrbios do movimento e intervenção em dor, e Dr. Carlos Fernando Moreira.
O resultado foi animador: desde o procedimento, o paciente não apresentou mais crises do tipo atônica — aquelas que provocam quedas bruscas e alto risco de lesões. Poucos dias após a cirurgia, ele recebeu alta e voltou para casa com uma nova perspectiva de vida.
Como é feita a calosotomia posterior
Segundo o Dr. Loz, a técnica é realizada por meio de uma pequena craniotomia, utilizando técnicas microcirúrgicas e, em alguns casos, neuronavegação para aumentar a precisão.
O procedimento consiste na secção seletiva da parte posterior do corpo caloso — estrutura que conecta os hemisférios cerebrais. Ao interromper parcialmente essa comunicação, é possível reduzir a propagação das descargas epilépticas, preservando áreas motoras e cognitivas essenciais.
O desafio antes da cirurgia
O paciente convivia com epilepsia grave há anos, apresentando crises frequentes e resistentes ao tratamento medicamentoso. As crises atônicas, as mais perigosas, ocorriam de forma abrupta, causando quedas violentas e colocando sua vida em risco.
Após exames detalhados, como vídeo-eletroencefalograma e ressonância magnética, a equipe identificou que o perfil das crises se encaixava nos casos em que a calosotomia posterior poderia trazer benefícios significativos.
“Era a melhor alternativa para proporcionar mais segurança e melhorar a qualidade de vida do paciente”, explicou Loz.
Fonte: engeplus – Foto: Freepik – peoplecreations


