Cinco dias após o início da tarifa de 50% aplicada pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros, duas cidades de Santa Catarina figuram entre as dez mais impactadas do país: Jaraguá do Sul e Joinville.
O levantamento, feito pelo Estadão com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), considerou os produtos agora taxados que tiveram maior volume de exportação aos Estados Unidos em 2024.
Produtos e impactos diretos
Entre os itens atingidos pelo tarifaço estão café, carne bovina, frutas, produtos têxteis, calçados e móveis. A cidade mais afetada do ranking é Piracicaba (SP), que exportou US$ 1 bilhão em caldeiras, máquinas e instrumentos mecânicos.
Em Santa Catarina, Jaraguá do Sul aparece na 6ª colocação, com US$ 245 mil exportados em máquinas, aparelhos e materiais elétricos, além de equipamentos de gravação e reprodução de som e imagem. Já Joinville ocupa o 9º lugar, com US$ 228 mil exportados em caldeiras, máquinas e instrumentos mecânicos.
Reação das cidades
Em Brasília, o secretário da Fazenda de Joinville, Fernando Bade, participou de reunião da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) com o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin, buscando medidas para reduzir os impactos. Entre os pedidos, está a inclusão de componentes automotivos de linha média e pesada na lista de exceções já concedida à linha leve. Também foi solicitado um prazo de 90 dias para negociações e ações compensatórias, como a retomada do Reintegra e a desoneração da folha de pagamento para setores exportadores.
Jaraguá do Sul, por sua vez, mobilizou a Secretaria da Fazenda para discutir estratégias diante da nova realidade tributária que será trazida pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). O secretário Tiago Coelho Przywitowiski alertou que a mudança para tributação no destino pode prejudicar a arrecadação de municípios industriais com menor população. Segundo ele, 25% das exportações da cidade em 2024 foram para os EUA, com a WEG representando 90% desse montante.
Perspectivas econômicas
Especialistas alertam que as tarifas podem gerar efeito cascata, levando à redução de postos de trabalho, queda na demanda por serviços e impacto na cadeia produtiva local. Se não houver flexibilização das medidas, empresas poderão rever investimentos e capacidade produtiva.
Fonte: NSC Total / Foto: Redes sociais, Reprodução


