A obesidade é uma condição patológica caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura, sendo uma das principais patologias endócrinas observadas em cães e gatos. Observa-se que raros tutores se preocupam com essa questão e tendem a subestimar o estado corporal de seus animais estilo de vida moderno vem levando a ocorrência de uma pandemia de obesidade
A alimentação rica em carboidratos e gorduras de fácil obtenção (fast food), associada ao sedentarismo crescente, tem feito não só os humanos se tornarem obesos, mas também os animais de companhia, os quais têm sido expostos a excesso de petiscos, dietas caseiras sem formulação por veterinários nutrólogos, além de, com frequência, receberem muito mais calorias do que precisam. A correria do dia a dia e os problemas de segurança pública em ambientes externos, que reduzem a disponibilidade dos tutores para prática de passeios e atividades físicas com seus animais, também são justificativas dadas por tutores para o aumento dessa doença.
É reconhecida, em humanos e animais de companhia, a existência de fortes fatores genéticos capazes de determinar um balanço energético positivo; contudo, tais fatores não podem ser apontados como os vilões, pois o fenótipo dos pacientes é definido pelas interações entre genética e ambiente.
A castração também é vista como um grande vilão na obesidade em cães e gatos. Há uma tendência de o metabolismo do animal ficar mais lento após a castração, em especial em fêmeas, nas quais os hormônios reprodutivos participam da ativação de certas vias metabólicas que podem justificar algum ganho de peso.
Outro efeito notável é que a testosterona, principal hormônio masculino, é tradicionalmente associada à manutenção de uma massa muscular bem desenvolvida e, com a castração dos machos, há maior tendência de maior acúmulo de gordura.
Outra questão observada, em especial nos machos, é uma tendência à redução no nível de atividade física após a castração. Não é uma regra, mas alguns pacientes nitidamente tornam-se mais sedentários e diminuem o nível de atividade voluntária depois de passarem por esse procedimento.
Mais uma vez, é um fator que pode justificar o ganho de peso, se o fornecimento de alimentos não for ajustado a nova condição de menor atividade física do animal. Por isso é importante fazer alguns ajustes na dieta, após castração, pois a mesma acaba trazendo uma série de benefícios para a saúde do paciente, além de facilitar o convívio com humanos ao eliminar comportamentos sexuais e territoriais inadequados.
Está comprovado que há associação da obesidade com a menor expectativa de vida e a maior incidência de complicações, como diabetes melito (DM), osteoartroses, doenças de coluna, problemas respiratórios, problemas dermatológicos, maior risco anestésico, dislipidemias, obstrução do trato urinário, assim como com a maior chance de alguns tumores.
Na espécie felina, problemas como depressão e/ou ansiedade podem alterar o padrão alimentar dos gatos, o que provoca comportamento polifágico compulsivo. Em contrapartida, com frequência, alguns tutores interpretam de forma equivocada o comportamento felino, acreditando, por exemplo, que os miados são sinal de fome e motivando, assim, uma superoferta de alimentos para o paciente.
Na espécie canina, em contrapartida, a sobrealimentação pode trazer outros problemas além da obesidade. Para cães, o acesso ao alimento é um fator determinante de hierarquia na matilha. Se esse acesso não é controlado quando eles vivem em meio aos humanos ou se recebem uma superoferta de petiscos e extras na dieta sem um merecimento (adestramento, cumprimento de tarefas, recompensa), o resultado pode ser alguns transtornos de comportamento, como agressividade, eliminação inadequada, capricho alimentar, entre outros.
Não é frequente os tutores de cães e gatos procurem atendimento veterinário com o objetivo de controlar o peso. Muitas vezes, o motivo dessas visitas médicas pode, na verdade, ser em decorrência de doenças associadas à obesidade (Diabetes Melittus, dislipidemias, pancreatite, doenças osteoarticulares, asma/bronquite felina, dispneia, redução na complacência de vias aéreas, síndrome respiratória braquicefálica, dermatites, neoplasias, urolitíases, doença do trato urinário inferior de felino [DTUIF], lipidose hepática, entre outras).
É importante enfatizar que qualquer paciente que for entrar em um programa de perda de peso deve ter um planejamento efetivo e individualizado que promova emagrecimento consistente e saudável de forma a prevenir ocorrência de doenças, má nutrição, assim como aumentar a qualidade e, potencialmente, a expectativa de vida. Esses objetivos podem ser alcançados desde que haja conscientização do cliente, escolha de uma dieta adequada, exercícios e criação de estratégias que ajudem a modificar o comportamento do tutor e do animal de estimação.
Por: Vanessa Barcarolo
Vida com Patas Clínica Veterinária
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*Coluna ‘Cuidados com Pet’s’, publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1896 de 18 de setembro de 2025.


