Após seis anos, Jornal O Celeiro, relembra caminho percorrido por Tanizer em 2019.
Em uma exclusiva entrevista ao Jornal Celeiro, Tanizer Hoppen Lindner compartilhou sua história de batalha e vitória contra um câncer raríssimo, um osteossarcoma na tíbia. Com coragem e serenidade, ela relatou cada etapa do processo, ressaltando a importância do diagnóstico precoce, da saúde preventiva e do apoio da família, além da fé como elemento fundamental para atravessar momentos tão difíceis.
Tanizer recorda que o primeiro grande desafio foi lidar com a queda de cabelo. “Foi muito ruim me imaginar careca. Mas logo isso foi superado, me adaptei usando lenços e me sentia bem”, comenta.

O cabelo caiu no 15º dia após a primeira sessão de quimioterapia, marcando o início de um tratamento que duraria sete anos e incluiria intervenções oncológicas e ortopédicas. Durante esse período, enfrentou diversos efeitos colaterais, infecções, internações, dois fixadores externos e ainda precisou lidar com outro tumor, um microcarcinoma na glândula tireoide. No total, passou por sete cirurgias, além de procedimentos menos invasivos.
O início do tratamento foi especialmente desafiador. Tanizer não sabia como seu corpo reagiria aos medicamentos nem quais efeitos colaterais enfrentaria. O protocolo incluía 72 horas de infusão contínua, exigindo cinco dias de internação. A primeira quimioterapia foi administrada por uma veia no pescoço, com uma punção extremamente dolorosa, durante o procedimento de colocação do cateter Port-a-Cath. Posteriormente, toda a medicação pôde ser aplicada por meio do cateter, com punções simples e praticamente indolores.
JORNADA
O segundo ciclo de quimioterapia trouxe outro momento crítico. Após sofrer os efeitos da primeira sessão, Tanizer chegou a pensar em desistir do tratamento.
No entanto, encontrou força na fé: “Tive uma inspiração, que hoje sei que foi o agir de Deus, e decidi aceitar que precisaria passar por todo o processo. Escolhi enfrentar tudo sorrindo, pois desistir não era uma opção.” Essa decisão marcou o início de um enfrentamento com coragem e determinação, mantendo a mente positiva mesmo diante das adversidades.
A fé e a positividade foram, segundo Tanizer, pilares fundamentais em sua recuperação.
“Existem momentos em que não temos poder de ação, então é preciso entregar a Deus, fazer sua parte e seguir firme e confiante na vitória. A fé não é um sentimento, é uma convicção. Eu sabia que seria curada, mesmo que o processo fosse doloroso e sofrido. E aceitar sorrindo foi a melhor opção, porque tudo cooperou para a minha melhora”, conta.
Durante o tratamento, Tanizer manteve pensamentos positivos e visualizava seu futuro: sonhava com a formatura, casamento, filhos, trabalhar e andar sem auxílio de andador. O apoio da família foi essencial: a mãe esteve incansavelmente ao seu lado, o pai e os irmãos participaram quando possível, e amigos e outras pessoas deram suporte com orações e palavras de incentivo.
Entre os desafios mais intensos, ela destaca a mucosite, que surgiu no final do segundo ciclo de quimioterapia, obrigando-a a se alimentar por sonda nasoenteral durante 28 dias. Em outro momento, uma infecção no cateter Port-a-Cath trouxe grande risco, exigindo cirurgia e transfusão de plaquetas.
Apesar das dificuldades, Tanizer afirma: “Foi em meio ao caos que me apresentei a Jesus, e tudo mudou. Entendi que Ele estava cuidando de tudo, que havia um propósito maior no que eu estava vivendo.”
ALERTA
Ela reforça a importância de estar atento aos sinais do corpo e buscar auxílio médico sem demora. No seu caso, uma dor persistente na canela levou à consulta com um médico vascular e depois um ortopedista, que pediu um raio X e encaminhou para um oncologista.
O diagnóstico de osteossarcoma foi confirmado cerca de 40 dias depois, e a atitude rápida do profissional foi crucial para que o tratamento começasse a tempo. Tanizer alerta: “Nosso corpo dá sinais quando algo está errado. Quanto antes iniciar o tratamento correto, maior a chance de cura.”
Além do diagnóstico precoce, Tanizer destaca a relevância da saúde preventiva e da alimentação. Durante o tratamento, estudou sobre o tema e recomenda a leitura do livro Anticâncer, de David Servan Schreiber, que aborda a relação entre alimentação e sobrevida pós-câncer, reforçando a importância de manter o corpo forte e saudável.
A experiência também trouxe aprendizados sobre resiliência física e emocional. Tanizer se descobriu capaz de enfrentar situações extremas, entendendo que a doença não era mais forte do que ela. “Tive que aceitar o meu processo e acreditar que tudo era necessário para me aproximar de Jesus e valorizar cada aspecto da vida. A gratidão se tornou essencial”, explica.
Após vencer a doença, Tanizer realizou outro sonho: a maternidade. Ela relata a felicidade de gerar sua filha, valorizando cada instante e percebendo como a maternidade trouxe novas motivações e transformações em sua forma de viver. O amor pela filha, a família e a possibilidade de andar e se movimentar sem auxílio refletem, segundo ela, a importância de apreciar cada detalhe da vida.
Para quem enfrenta momentos difíceis, Tanizer deixa uma mensagem clara: não desistir. “Nossa vida é feita de momentos, bons e ruins. Para Deus, nada é impossível. Peça ajuda, ore, e permita-se enxergar e crer. Tudo muda quando você começa a ver o lado bom da vida”, aconselha.
Ela também reforça que, muitas vezes, os desafios não vêm para destruir, mas para ensinar e fortalecer: “Se tudo o que aconteceu te aproximou de Deus, então era tudo que você precisava.”
Tanizer compartilha ainda que pequenos detalhes, como caminhar, enxergar, ouvir e falar, têm valor imenso. Agradecer pelo que se tem é o maior ato de amor. Ela finaliza com suas duas frases-guia: “Tudo Passa” e “Se tudo o que aconteceu te aproximou de Deus, então era tudo que você precisava.”
ara quem quiser conhecer mais sobre toda a sua trajetória e detalhes do tratamento, Tanizer mantém um blog pessoal com relatos completos: CLIQUE AQUI.
*Reportabem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1893 de 28 de agosto de 2025.







