[slideshow_deploy id='63323']

O impacto da reforma tributária para os produtores rurais

A reforma tributária, aprovada pelo Congresso, promete mexer profundamente com a forma como os impostos são cobrados no Brasil. E, claro, os produtores rurais — que estão no coração da economia do país — sentem de perto essa mudança e serão um dos principais afetados. Afinal, o campo responde por grande parte do PIB, gera milhões de empregos e garante o abastecimento interno e externo.

O que muda na prática que hoje, o produtor rural não precisa lidar com uma verdadeira “colcha de retalhos” de impostos: PIS, Cofins, ICMS, ISS, IPI, cada um com suas regras, alíquotas e obrigações. Isso significa um peso enorme de burocracia, que muitas vezes exige contratar contadores e manter uma estrutura administrativa que foge da realidade de quem deveria focar na produção.

Com a reforma, a ideia é simplificar, esses impostos serão substituídos por dois novos: o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que será dividido entre estados e municípios, e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), de responsabilidade federal. A principal mudança para o campo está no modelo de tributação sobre o valor agregado. Em outras palavras, os impostos não serão cobrados de forma cumulativa em cada etapa, mas apenas sobre a diferença entre o que foi comprado e o que foi vendido.

Os desafios que vêm pela frente, pois nem tudo será fácil. O primeiro obstáculo é a transição: por alguns anos, o sistema antigo e o novo vão coexistir, o que pode gerar confusão e exigir atenção redobrada.

Outro ponto é a necessidade de profissionalização. O produtor rural que ainda não tem controle rigoroso das suas finanças e notas fiscais vai precisar se adaptar. Pequenos produtores, especialmente, podem sentir dificuldade para atender às novas exigências.

E há também a questão da carga tributária final. Embora a promessa seja de neutralidade — ou seja, o governo não arrecadar mais nem menos do que já arrecada —, é possível que alguns setores do campo paguem mais e outros menos. Isso vai depender do tipo de atividade, da escala de produção e da forma de comercialização.

A gestão será a palavra-chave, no fim das contas, a reforma traz um recado claro para os produtores rurais: é hora de encarar a fazenda também como empresa. Planejamento, organização financeira e gestão tributária deixam de ser opcionais para se tornarem ferramentas indispensáveis.

Aqueles que já usam sistemas de gestão e têm apoio contábil especializado sairão na frente. Quem ainda trabalha de forma mais informal precisará correr atrás para não perder competitividade.

A reforma tributária chega como uma promessa de simplificação, mas também como um desafio de adaptação. Para o campo, ela pode significar menos burocracia e mais competitividade, especialmente no mercado externo.O produtor rural que se preparar desde já, entendendo as novas regras e organizando sua gestão, terá muito mais chances de aproveitar os benefícios e superar as dificuldades desse novo cenário tributário que começa a nascer no Brasil.

Por: Douglas Rayzer
Contador . RB Inteligência Corporativa
Contato: (49) 99907.8738

*Coluna ‘Evoluir Empresarial’, publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1898 de 02 de Outubro de 2025.

spot_img

Mais lidas na semana

TCE/SC determina providências para acessibilidade em escola de Campos Novos

O Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE/SC) concedeu...

Fecomércio lamenta aprovação da redução da jornada de trabalho

Federação defende que a negociação deve ocorrer entre categorias...

Coocam é alvo de furtos e acumula perdas que preocupam os gestores

No último ano, a somatória dos prejuízos chega a...

Mídia Regional promove seu maior encontro, em junho, na Grande Florianópolis

Empresas jornalísticas de oito estados brasileiros estarão reunidas para...

Notícias relacionadas

Campos Novos
nuvens quebradas
11.4 ° C
11.4 °
11.4 °
99 %
1.4kmh
82 %
sáb
18 °
dom
20 °
seg
19 °
ter
19 °
qua
17 °

Categorias Populares