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A tinta da liberdade e a resistência do papel

A história da comunicação é marcada por profetas do apocalipse que, a cada inovação tecnológica, apressam-se em decretar o fim do jornal impresso. Do surgimento das revistas no século XVIII à ascensão meteórica dos algoritmos e influenciadores em 2026, o veredito era sempre o mesmo: a obsolescência. No entanto, o tempo, senhor da razão, provou o contrário.

O jornal impresso não apenas sobreviveu; ele permanece como o último reduto da confiança e da credibilidade em um mar de notícias líquidas e descartáveis.

A recondução do editor deste periódico à presidência do Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas de Santa Catarina (Sindejor/SC) por mais um triênio não é apenas uma vitória administrativa. É um reforço do compromisso institucional de defesa de um setor que se recusa a sucumbir às ondas ideológicas da “velha mídia vendida” e aos interesses escusos de grandes conglomerados que tentaram, por anos, monopolizar o mercado da notícia.

Muitos se deixaram levar pelo canto da sereia do digital absoluto. Abandonaram o papel, seduzidos por métricas de vaidade e pela promessa de um lucro que, na prática, raramente se concretiza sem o lastro do prestígio que só o impresso confere. O que vimos foi uma manobra de mercado: blogueiros e gigantes da notícia tentaram enterrar o papel para abocanhar uma fatia que não lhes pertencia por mérito. Mas a realidade é implacável. Hoje, assistimos a esses mesmos conglomerados, inclusive nos EUA e na Inglaterra, retornando às rotativas. Por quê? Porque o digital, embora onipresente, ainda não gera a sustentabilidade e a autoridade que a página impressa garante.

Nós, que defendemos a liberdade de pensamento e a tradição conservadora, sabemos que o papel é o documento da história. O jornal impresso é a base da confiança do leitor. O desafio do jornalismo de interior não é competir com o imediatismo efêmero das redes sociais, onde a notícia de ontem já é lixo, mas sim oferecer o que ninguém mais tem: a exclusividade, o dia a dia do cidadão, a análise séria e o olhar atento sobre a nossa comunidade.

As plataformas digitais devem ser aliadas, não substitutas. O erro foi acreditar que o novo anula o clássico. Em 1609 nascemos; passamos pelo rádio, pela televisão, pela internet e pelos smartphones. Agora, em 2026, o nosso leitor ainda aguarda, com a ansiedade de quem busca a verdade, o chegar da nova edição.

Aos empresários da comunicação, o recado é claro: é preciso acreditar na força do nosso segmento. O Sindejor/SC atuará com firmeza na articulação institucional, distanciando-se de práticas comerciais miúdas para fortalecer a classe. O jornal impresso é tradição, é liberdade e, acima de tudo, é o que fica quando a bateria acaba.

Jornal impresso: de sempre, para sempre.

POR: Ailton Carlos Coelho
Presidente do Sindicato das Empresas
Proprietárias de Jornais e Revistas de Santa Catarina – SINDEJOR/SC

*Editorial publicado no Jornal O Celeiro, Edição 1915 de 12 de fevereiro de 2026.

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