[slideshow_deploy id='63323']

A tinta da liberdade e a resistência do papel

A história da comunicação é marcada por profetas do apocalipse que, a cada inovação tecnológica, apressam-se em decretar o fim do jornal impresso. Do surgimento das revistas no século XVIII à ascensão meteórica dos algoritmos e influenciadores em 2026, o veredito era sempre o mesmo: a obsolescência. No entanto, o tempo, senhor da razão, provou o contrário.

O jornal impresso não apenas sobreviveu; ele permanece como o último reduto da confiança e da credibilidade em um mar de notícias líquidas e descartáveis.

A recondução do editor deste periódico à presidência do Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas de Santa Catarina (Sindejor/SC) por mais um triênio não é apenas uma vitória administrativa. É um reforço do compromisso institucional de defesa de um setor que se recusa a sucumbir às ondas ideológicas da “velha mídia vendida” e aos interesses escusos de grandes conglomerados que tentaram, por anos, monopolizar o mercado da notícia.

Muitos se deixaram levar pelo canto da sereia do digital absoluto. Abandonaram o papel, seduzidos por métricas de vaidade e pela promessa de um lucro que, na prática, raramente se concretiza sem o lastro do prestígio que só o impresso confere. O que vimos foi uma manobra de mercado: blogueiros e gigantes da notícia tentaram enterrar o papel para abocanhar uma fatia que não lhes pertencia por mérito. Mas a realidade é implacável. Hoje, assistimos a esses mesmos conglomerados, inclusive nos EUA e na Inglaterra, retornando às rotativas. Por quê? Porque o digital, embora onipresente, ainda não gera a sustentabilidade e a autoridade que a página impressa garante.

Nós, que defendemos a liberdade de pensamento e a tradição conservadora, sabemos que o papel é o documento da história. O jornal impresso é a base da confiança do leitor. O desafio do jornalismo de interior não é competir com o imediatismo efêmero das redes sociais, onde a notícia de ontem já é lixo, mas sim oferecer o que ninguém mais tem: a exclusividade, o dia a dia do cidadão, a análise séria e o olhar atento sobre a nossa comunidade.

As plataformas digitais devem ser aliadas, não substitutas. O erro foi acreditar que o novo anula o clássico. Em 1609 nascemos; passamos pelo rádio, pela televisão, pela internet e pelos smartphones. Agora, em 2026, o nosso leitor ainda aguarda, com a ansiedade de quem busca a verdade, o chegar da nova edição.

Aos empresários da comunicação, o recado é claro: é preciso acreditar na força do nosso segmento. O Sindejor/SC atuará com firmeza na articulação institucional, distanciando-se de práticas comerciais miúdas para fortalecer a classe. O jornal impresso é tradição, é liberdade e, acima de tudo, é o que fica quando a bateria acaba.

Jornal impresso: de sempre, para sempre.

POR: Ailton Carlos Coelho
Presidente do Sindicato das Empresas
Proprietárias de Jornais e Revistas de Santa Catarina – SINDEJOR/SC

*Editorial publicado no Jornal O Celeiro, Edição 1915 de 12 de fevereiro de 2026.

spot_img

Mais lidas na semana

TCE/SC determina providências para acessibilidade em escola de Campos Novos

O Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE/SC) concedeu...

Fecomércio lamenta aprovação da redução da jornada de trabalho

Federação defende que a negociação deve ocorrer entre categorias...

Coocam é alvo de furtos e acumula perdas que preocupam os gestores

No último ano, a somatória dos prejuízos chega a...

Mídia Regional promove seu maior encontro, em junho, na Grande Florianópolis

Empresas jornalísticas de oito estados brasileiros estarão reunidas para...

Notícias relacionadas

Campos Novos
nuvens quebradas
11.4 ° C
11.4 °
11.4 °
99 %
1.4kmh
82 %
sáb
18 °
dom
20 °
seg
19 °
ter
19 °
qua
17 °

Categorias Populares