Santa Catarina registrou na última semana uma média de 140 cigarrinhas-do-milho por lavoura. O número, embora ainda elevado, representa um declínio de 12,5% em relação ao levantamento anterior. As cidades com mais insetos encontrados nas lavouras foram Porto União, São José do Cerrito, Campos Novos, Herval do Oeste, Xanxerê, Guatambu, Tunápolis e Guaraciaba.
A pesquisadora da Epagri/Cepaf, Maria Cristina Canale, responsável pelo Programa Monitora Milho SC, destaca que a elevada presença da cigarrinha no ambiente segue um padrão semelhante ao observado em anos anteriores. O aumento populacional está relacionado, principalmente, às altas temperaturas, que favorecem a reprodução do inseto, e ao estágio de desenvolvimento das lavouras, a maioria em R1, que dificulta o acesso de maquinário para o manejo.
O monitoramento realizado entre os dias dois e nove de março detectou a presença dos vírus do mosaico estriado e do rayado fino, além da bactéria do espiroplasma do enfezamento pálido nos municípios de Lages, São José do Cerrito, Guatambu, Irati, Bom Jesus do Oeste e Tunápolis. Maria Cristina salienta que “as plantas infectadas fora da fase crítica, ou seja, após o estádio reprodutivo, apresentam menor suscetibilidade aos efeitos mais severos sobre a produção”.
Mesmo assim, é importante que a população de cigarrinhas-do-milho no ambiente seja controlada. Para isso, os produtores que ainda não realizaram o plantio da safrinha devem fazer a semeadura longe de áreas com plantas de milho maduras. Os agricultores com lavouras em fase vegetativa devem intensificar os cuidados com o manejo, utilizando inseticidas químicos aliados a produtos biológicos, sempre que possível.
Informações atualizadas para os produtores
A pesquisadora Maria Cristina Canale, do Centro de Pesquisa para Agricultura Familiar da Epagri (Cepaf), explica que as informações geradas pelo monitoramento são fundamentais para a convivência da agricultura com a cigarrinha e as doenças transmitidas por ela. “Embora os enfezamentos já sejam conhecidos no país há algumas décadas, nós observamos que os surtos ocasionados por esses problemas têm sido bastante frequentes em todas as regiões produtoras do Brasil. Então é necessária a convivência do setor produtivo com o problema a partir de agora, inclusive aqui em Santa Catarina, com a participação ativa de todos os produtores envolvidos com a produção de milho, no manejo integrado regionalizado”, ressalta.
Por: Karin Helena Antunes de Moraes, jornalista bolsista na Epagri/Fapesc


