Coordenadora do Creas informa sobre os tipos de violência financeira vivenciadas pelos idosos.

Ter a aposentadoria administrada por outra pessoa sem autorização, ser pressionado a fazer empréstimos ou até mesmo ficar sem acesso ao próprio dinheiro. Situações como essas caracterizam a violência financeira contra a pessoa idosa, uma das formas de violação de direitos que mais tem chamado a atenção do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) de Campos Novos.
Embora não seja possível apontar um percentual exato de crescimento de denúncias recebidas por mês, a coordenadora do CREAS, Letícia Sueny Kato, explica que o serviço percebe um aumento na demanda envolvendo esse público. Segundo ela, esse cenário pode estar relacionado tanto ao aumento de algumas situações de violência quanto a conscientização da população.
“Hoje as pessoas conhecem mais os direitos da pessoa idosa, sabem onde denunciar e compreendem que determinadas situações, antes vistas apenas como problemas familiares, na verdade são violações de direitos”, explica. Para a coordenadora, esse movimento demonstra que a rede de proteção está mais fortalecida e que a sociedade está mais atenta aos sinais de violência.
Essa mudança também pode ser percebida no comportamento dos próprios idosos. De acordo com o CREAS, muitos já procuram o serviço espontaneamente em busca de orientação e proteção.
Ainda assim, boa parte das denúncias continua sendo realizada por familiares, vizinhos, profissionais da saúde e da assistência social ou outras pessoas que convivem com o idoso e identificam alguma situação de risco.
PERDA DE CONTROLE DO PRÓPRIO DINHEIRO
A violência financeira acontece quando alguém utiliza o dinheiro, os bens ou os benefícios previdenciários da pessoa idosa sem seu consentimento ou em benefício próprio. Entre as situações mais comuns estão a retenção do cartão bancário, a realização de empréstimos sem o conhecimento do idoso, a apropriação da aposentadoria e a pressão para assinar documentos ou contratos.
Embora nem todos os casos levem o idoso a enfrentar dificuldades financeiras extremas, a exploração pode comprometer diretamente sua qualidade de vida, dificultando a compra de alimentos, medicamentos e outros itens essenciais.
Perder dinheiro é uma situação que gera grande preocupação dos idosos, mas é uma situação que pode ser prevenida ou superada com organização, controle de gastos e escolhas financeiras conscientes.
A perda pode ocorrer de várias formas, como hábitos de consumo descontrolados, investimentos de alto risco sem conhecimento ou emergências.
OUTRAS FORMAS DE VIOLÊNCIA
A violência financeira raramente acontece sozinha. Conforme o CREAS, é comum que ela esteja acompanhada de outras violações de direitos. Entre elas está a violência psicológica, caracterizada por humilhações, ameaças, ofensas, isolamento, intimidações e atitudes que afetam a autoestima e a dignidade da pessoa idosa.
Também são frequentes os casos de negligência, quando o idoso deixa de receber cuidados básicos, como alimentação adequada, higiene, medicamentos ou acompanhamento de saúde. Em situações mais graves, a negligência pode evoluir para o abandono. Um idoso que tem sua aposentadoria apropriada por terceiros, por exemplo, também pode ser alvo de humilhações, ameaças, abandono ou privação de cuidados básicos.
O CREAS reforça que qualquer pessoa pode denunciar uma suspeita de violência contra idosos. Familiares, vizinhos, amigos e profissionais que identificarem sinais de abuso têm um papel importante na proteção dessa população. Mais do que um problema familiar, a violência contra a pessoa idosa é uma violação de direitos e precisa ser enfrentada por toda a sociedade.
IDOSOS TAMBÉM PRECISAM FICAR ATENTOS AOS GOLPES

Enquanto muitos casos de violência financeira são praticados por familiares ou pessoas próximas, outro problema que tem preocupado especialistas é o aumento dos golpes aplicados contra idosos.
Segundo o mentor financeiro Vorlei Cruz, os criminosos costumam aproveitar a confiança, a boa-fé e, muitas vezes, a falta de informação das vítimas para obter vantagens financeiras.
“Infelizmente, os golpes financeiros contra idosos têm aumentado muito nos últimos anos. Por isso, a principal forma de proteção é a prevenção”, afirma.
Entre as fraudes mais comuns estão ligações de falsos funcionários de bancos ou do INSS, mensagens por aplicativos, empréstimos fraudulentos e pedidos de transferências bancárias. O especialista alerta que nenhuma instituição financeira solicita senhas, códigos de segurança ou transferências por telefone ou WhatsApp.
Outra recomendação é nunca compartilhar informações pessoais, como CPF, documentos, fotos de cartões, senhas ou códigos recebidos por SMS. Esses dados podem ser utilizados para contratar empréstimos, realizar compras ou cometer outras fraudes em nome da vítima.
Antes de assinar contratos ou contratar qualquer serviço financeiro, Vorlei orienta que o idoso converse com um familiar ou uma pessoa de confiança. “Muitas fraudes acontecem porque a vítima acredita estar diante de uma oportunidade imperdível ou de uma situação de urgência.”
O consultor também recomenda acompanhar frequentemente o extrato bancário e o benefício do INSS para identificar descontos, empréstimos ou movimentações que não tenham sido autorizados.
ATENÇÃO E CUIDADOS
Outro sinal de alerta são promessas de dinheiro fácil, investimentos com lucro garantido ou ofertas consideradas vantajosas demais. Segundo ele, esse costuma ser um dos primeiros indícios de fraude.
Para o mentor financeiro, pedir orientação nunca deve ser motivo de vergonha. “Antes de assinar qualquer contrato, fazer um empréstimo ou realizar uma transferência, converse com alguém de confiança. Uma simples conversa pode evitar um grande prejuízo financeiro e preservar anos de trabalho e patrimônio.”
Ele reforça que a informação continua sendo a principal ferramenta para impedir que novos golpes façam vítimas, especialmente entre a população idosa.
*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1936 de 09 de julho de 2026.


