Setores da segurança se manifestam sobre violência no campo

Em Campos Novos, ocorrências mais comuns são de furtos, porém, há também o registro de assaltos com emprego de violência.

O aumento da violência no campo em Santa Catarina foi manifestação de preocupação de entidades oficiais que representam os produtores no estado, entre elas a Federação da Agricultura do Estado de Santa Catarina (FAESC). Crimes contra a vida humana, o patrimônio privado, a liberdade e a saúde pública aumentam nas comunidades rurais catarinenses praticados contra famílias de trabalhadores, produtores e empresários do setor primário. Em face dessa situação, a FAESC pediu ao Governo do Estado a criação de um programa emergencial de segurança nas áreas rurais. A entidade sugeriu neste ano, que fosse delegada a função à Polícia Ambiental e mais recentemente que se criasse o Observatório da Criminalidade.

Nossa reportagem nesta semana conversou com representantes das Polícias Civil e Militar sobre a realidade local e o trabalho desenvolvido para prevenir e coibir a violência na zona rural.  Conforme o Delegado de Polícia Civil, Adriano Almeida, não existem números específicos relacionados à violência rural, as ocorrências são registradas como crimes contra o patrimônio, no geral. Muitos casos, relatou o delegado, nem chegam ao conhecimento da Polícia Civil, mas os que chegam, são devidamente investigados pela instituição, declarou ele.

Sobre as características das ocorrências, Adriano Almeida relatou que os crimes mais comuns são os furtos de gado (abigeato), mas também houve crimes graves, como alguns roubos praticados contra proprietários de imóveis situados na área rural. O número de ocorrências relacionadas à crimes no campo não são elevados, porém, os casos perturbam a tranquilidade desta população, observou o delegado. “São casos que perturbam a tranquilidade dos donos de imóveis rurais, razão pela qual a Polícia Civil tem se dedicado na solução desses casos e, consequentemente, na busca por mais qualidade de vida aos homens e mulheres que vivem no campo”.

Delegado Adriano também informou sobre os casos solucionados. “No ano de 2017, a Polícia Civil logrou êxito na identificação de aproximadamente 11 pessoas responsáveis por mais de 20 furtos em propriedades rurais, onde eram subtraídos gado, armas, equipamentos agrícolas e produtos eletrônicos. Em especial, cito, ainda, a recuperação na cidade de Agrolância/SC, de uma escarificadora, avaliada em mais de R$ 40.000,00. Recuperamos, também, um trator, avaliado em mais de R$ 30.000,00, que na sequência, foi entregue ao legítimo proprietário. Solucionamos, também, um assalto de extrema gravidade praticado na Comunidade de Pinheiro Seco, onde 02 homens armados agrediram um idoso dono de uma fazenda e, ato contínuo, subtraíram do local um veículo e dinheiro”.

Sobre a manifestação das entidades representativas dos produtores rurais, o delegado entende que atribuir a função de policiamento na Zona Rural à Polícia Ambiental não levará segurança ao povo do campo. “Eu seria demagogo se afirmasse isso e o motivo é simples, o Estado de Santa Catarina possui um déficit de efetivo histórico, decorrente de governos passados que não realizaram concursos com frequência. O governo atual tem se esforçado na realização de concursos na área da segurança pública, ainda, assim, encontra dificuldade, haja vista que temos um grande número de policiais civis e militares em fase de aposentadoria. Portanto, dar à Polícia Ambiental, que tem menos efetivo que a Polícia Militar (a quem compete atualmente realizar o policiamento ostensivo no campo), em nada contribuirá para a solução do problema”.

No entendimento de Adriano Almeida, a solução para a falta de policiamento ostensivo nas cidades e no campo seria a criação de uma Guarda Municipal, com parte do efetivo destinado ao patrulhamento rural. “Como exemplo de sucesso, posso citar as cidades de São José, Balneário Camboriú e Florianópolis, onde criação da Guarda contribuiu e muito para a diminuição dos índices de violência”.

Comandante da PM fala sobre o policiamento na zona rural

Em entrevista ao Jornal O Celeiro o Comandante da Terceira Companhia da Polícia Militar de Campos Novos, Capitão Rodrigo Pedroso, também informou sobre as principais ocorrências na Zona Rural e o trabalho da PM no interior do município. “Cadastrados e devidamente registrados em nosso sistema, temos pouquíssimos casos de abigeato, sabe-se informalmente, que existem mais casos relacionados a furto de gado, porém a população opta por não informar a polícia”, comenta Pedroso.

Conforme o Capitão, os roubos em propriedades tem mais registros, no entanto, também não é um número considerável de ocorrências. “Nas propriedades geralmente se subtraem objetos de lida no campo como motosserras, roçadeiras e eletrônicos, televisões, o que estiver visível da janela. “Dificilmente o elemento se dá ao trabalho de entrar em uma propriedade rural onde ele sabe que não vai encontrar nada ou até mesmo que não vê nada de valor pra levar” esclarece o Capitão.

Questionado sobre o patrulhamento rural, Pedroso ressalta que por Campos Novos ser o terceiro maior município em extensão territorial de Santa Catarina, não se tem um efetivo que consiga fazer o patrulhamento rural, nem veículos para cobrir toda a região.  “Temos uma camioneta, que ficou 8 meses parada na oficina, por não termos recurso para arrumar, faz dois meses que ela está de novo no serviço. Tínhamos um projeto para aquisição de outra, que por forças aleatórias a nossa vontade, não conseguimos adquirir, a camioneta essa que era pra uso do PROERD, para ficar efetiva nas escolas, ter a presença policial na comunidade. Sendo assim, temos que modificar turnos e horários para fazer patrulhamento rural pelo menos uma vez na semana e ainda com o risco de irmos para um lado do município e acontecer um furto no lado totalmente oposto”, salienta o Capitão.

Pedroso observa também que Campos Novos é cortado por duas BRs importantes e muitas SCs de acesso, o que dificulta e muito o trabalho da PM quando se tem ocorrência de furto à propriedade ou abigeato.

Medidas Preventivas

Capitão Rodrigo Pedroso deixou ainda orientações preventivas para evitar furto a propriedades, como não deixar objetos de valor a mostra, deixar o local bem iluminado, providenciar um local fechado para guardar os equipamentos de valor, bem como manter a casa fechada, com câmeras de vídeo monitoramento. “Outra medida a ser tomada é pedir a um vizinho de confiança que cuide da casa para manter a segurança da casa enquanto a família estiver ausente”, orientou.

Para o delegado Adriano Almeida, é preciso aparelhar as propriedades rurais com itens de segurança, citando também a instalação de câmeras. “Além disso, toda vez que forem vistas pessoas ou veículos suspeitos, avisar imediatamente as forças policiais”, comentou.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1496 de 14 de Setembro de 2017.

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