Diversos tipos de meningite podem surgir se não houver a devida imunização
Recentemente muito se tem ouvido falar sobre a meningite meningocócica. Pesquisas na internet sobre o assunto e possíveis surtos da doença tem causado medo e tensão nas pessoas. A preocupação não é sem motivo em vista da gravidade que a doença representa. A população precisa conhecer a doença e tomar os devidos cuidados para evitar que ela se manifeste, para tanto é importante a prevenção. A Meningite Meningocócica é uma infecção das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal causada pela bactéria Neisseria meningitidis (meningococo) e pode se tornar ainda mais grave quando atinge a corrente sanguínea levando o paciente a ter uma infecção generalizada. A bactéria atinge principalmente o cérebro e por isso é tão comprometedora, sendo este o órgão que tem controle sobre as demais partes do corpo. A doença é grave e se desenvolve rapidamente, entre 24 à 48 horas, e, podendo levar a morte. Apesar de vitimar principalmente as crianças, pessoas de todas as idades podem ser acometidas se não estiverem protegidas. A melhor arma contra a doença é a vacinação.
Mesmo que seja a meningite meningocócica que esteja em foco, é de extrema importância que as pessoas conheçam os demais tipos de meningite, pois ela é uma doença com inúmeras facetas, e todas são perigosas. A meningite pode ser viral, bacteriana e fúngica. Em conversa com a Enfermeira Beatriz Cadore, que atua na Clínica de Vacinas de Campos Novos, foi possível entender uma pouco mais sobre as formas em que a doença se apresenta. Beatriz explica que a meningite viral é mais branda do que a bacteriana, mas ela sempre deixa sequelas ligadas ao sistema nervoso central, como problemas de visão, de audição, movimentos do corpo, depende do local em que o cérebro é atingido pela infecção. A doença é transmitida pelo ar através de contato próximo ou em ambientes aglomerados.
O que é importante ressaltar é que a meningite bacteriana é a mais grave, e, por se desenvolver rapidamente, as chances de ir a óbito são maiores. Como tem um grande potencial de surto, assim que é identificado um caso de doença meningocócica, a vigilância epidemiológica precisa fazer uma ação de bloqueio com tratamento com antibiótico com as pessoas que convivem com o paciente para prevenir novos casos. É fundamental procurar um serviço de saúde ao aparecerem os sintomas.
As pessoas mais vulneráveis a doença são as crianças com menos de 5 anos, idosos, adolescentes e indivíduos com sistema imunológico comprometido. Os sintomas mais comuns da doença meningocócica podem incluir febre alta repentina, vômito, forte dor de cabeça, pescoço rígido, sensibilidade a luz e fadiga, no agravamento da infecção podem ocorrer manchas vermelhas. No caso dos bêbes, eles também podem apresentar a perda de apetite, a diarreia, irritabilidade e convulsão. Algo que precisa ser considerado é que, por apresentar sintomas comuns a outras doenças, isso aumenta as chances de um diagnóstico tardio. Portanto, se houver a suspeita o mais aconselhado é o atendimento médico. “Quando o paciente chega nos estágios de desenvolvimento dos sintomas a doença está em estágio avançado, e no caso das meningites bacterianas é mais difícil que haja recuperação”, destaca Beatriz. Para o diagnóstico médico preciso da doença é necessário fazer uma punção lombar para retirada e exame do líquido espinhal. A doença meningocócica (DM) pode ser considerada um evento raro. No entanto, pela possibilidade da ocorrência de casos graves com alta letalidade, com uma evolução aguda, ou pelo seu potencial epidêmico, poucas doenças têm tanto poder de causar pânico entre a população.
No ano de 2018, 10 pessoas morreram devido a meningite em Santa Catarina segundo dados da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE-SC). Casos da doença foram confirmados em 31 municípios do Estado. Apesar de ser uma doença extremamente perigosa, felizmente a população tem ao alcance uma arma poderosa contra ela: que são as vacinas O Programa Nacional de Imunização (PNI) dispõe de vacinas que podem prevenir algumas formas de meningite (Meningoco C, Haemophilus B, Pneumocócica). Em relação à Doença Meningocócica, a vacina meningocócica C conjugada se encontra disponível para crianças a partir de três meses de idade até menores de cinco anos e, a partir de 2017, o Ministério da Saúde passou a disponibilizar a vacina para adolescentes na faixa etária de 11 a 14 anos, que recebem um reforço da vacina ou dose única, conforme situação vacinal. Estas vacinas estão disponíveis em todas as unidades básicas de saúde do SUS.
Beatriz é enfática ao falar sobre os benefícios da vacina na prevenção de doenças. “As vacinas foram desenvolvidas para combater as doenças e seus tipos. O que a vacina faz? A vacina cria anticorpos no nosso organismo, que identificam a bactéria ou o vírus para combater a doença. A vacina é um produto biotecnológico de grande eficácia que ajudou a promover a erradicação de várias doenças no Brasil e no mundo”, afirma. Beatriz também citou a importância de cuidados básico diários para aumentar ainda mais a proteção contra a meningite, que são hábitos adequados de higiene, como lavar as mãos frequentemente, manter ambientes ventilados e evitar lugares com aglomeração de pessoas. “Há mais incidência de casos no inverno, devido os ambientes ficarem mais fechados e pouco sol. Mas hoje, mesmo no verão, tem havido casos, devido a aglomeração de pessoas”, declarou.
Além das vacinas oferecidas pelo SUS é possível ampliar ainda mais a proteção contra a doença com vacinas para os demais tipos de meningite que estão disponíveis apenas na Rede Privada, sendo uma alternativa a mais para quem quer garantir a imunização da família. A Clínica de Vacinas Campos Novos disponibiliza cobertura vacinal para os cinco tipos de meningococo que causam a maioria dos casos. A vacinação segue os calendários de vacinação da Sociedade Brasileira de Pediatria e Sociedade Brasileira de Imunizações. “A vacina meningocócica ACWY e a meningocócica B não estão muito tempo no mercado, elas foram desenvolvidas para proteger os demais tipos de meningite, mas estão disponíveis em redes privadas. Os pais podem ampliar a proteção dos filhos e ir além das vacinas disponíveis na rede pública”, reforça Beatriz.
Em virtude da eficácia da vacinação é importante manter-se em dia com as vacinações. No município é possível realizar a vacinação, que faz parte do calendário de rotina, nos Postos de Saúde que possuem salas de vacina, que são a Unidade do Bairro Bom Jesus, Bairro Aparecida e no PAM. No sábado (16) a Secretaria de Saúde do município realizará, das 13h às 17h, o Dia D para regularização de carteirinha de vacinação. Os pais devem estar atentos para que seus filhos estejam devidamente vacinados. Sem vacinação o organismo fica de portas abertas para receber vírus e bactérias maléficas a saúde.
*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1569 de 14 de março de 2019.







