Abril está chegando e junto com ele a responsabilidade de lembrar da luta pela causa dos autistas
Vista-se de Azul e Participe Conosco!’, este é o convite para participar da caminhada do Dia Mundial da Conscientização do Autismo, que acontecerá no dia 02 de abril em todo o mundo. A Associação de Pais e Amigos do Autista de Campos Novos já está contando os dias para realizar a caminhada e convida toda a comunidade para abraçar a causa e nesta data, as 15h, participar da caminhada simbólica que destaca a luta dos autistas. Nesta mesma data será escolhido um ponto na cidade para ser iluminado com a cor azul, que representa o autismo. A campanha foi instituída mundialmente pela Organização das Nações Unidas (ONU) e tem como objetivo chamar a atenção da sociedade e do Poder Público e mostrar que o autista existe na sociedade e ele precisa ser visto. Apesar dos avanços ainda são necessárias políticas públicas para dar a assistência que o transtorno requer, possibilitando que os mesmos sejam inseridos na sociedade e no mercado de trabalho.
A Unidade da AMA de Campos Novos já realiza esta caminhada desde 2011, e a cada ano o convite é estendido para todos. A colaborado da AMA, Vera Otonelli Durli, ressalta a importância do evento e diz que almeja que essa ação alcance a ONU. “A caminhada é simbólica, mas para nós tem uma força muito grande. E o objetivo maior é mostrar para o mundo que existe um grupo organizado e especializado em Campos Novos, e queremos que a nossa caminhada chegue até a ONU. Todas as pessoas da comunidade camponovense estão convidadas. O que a gente quer é que mais pessoas abracem a causam e participem, ainda existe pouca participação e ainda falta apoio”, declarou. Vera relembra os passos que foram dados pela associação no município e diz que hoje o autista tem ganhado mais espaço e atenção, inclusive com leis que os ampara. “O autismo vem sendo divulgado com força e já teve grandes avanços. Temos muito apoio de autoridades federias, desde a lei, que reconheceu o autista como uma pessoa com deficiência. A partir dali o Estado de Santa Catarina também criou uma lei estadual e as coisas foram vistas diferentes. O autista começou a ter mais respeito, começou a ter vez e lugar perante a lei, na sociedade, no mercado de trabalho e na inclusão escolar. Em sala de aula eles tem um segundo professor para dar apoio, adaptar conteúdo e orientar. Na comunidade estão sendo convidados para assumir vagas no mercado de trabalho”, comemora.
As lutas e empenhos da AMA Campos Novos não tem sido em vão, e muito já foi conquistado pela entidade para ampliar seu atendimento. E os resultados são vistos não apenas em números, mas também na vida de cada usuário da AMA e de suas famílias que percebem os avanços que podem ser alcançados com o apoio multiprofissional que é oferecido nas dependências da Associação. O serviço prestado pelos profissionais que atuam na AMA tem ajudado muitos autistas a se desenvolverem social e intelectualmente, tornando-os mais aptos para interagirem com pessoas e trabalharem.
Vera afirma com orgulho o resultado que pode ser visto nas pessoas com o espectro autista. “Mesmo com a pouca estrutura que temos hoje, nós percebemos a evolução dos autistas. Quando iniciam conosco eles chegam sem estrutura neurológica, sem acompanhamento e quando chegam na Ama são avaliados por uma equipe técnica e profissional. Eles só melhoram. Temos casos de usuários que a Ama já deu alta e não precisa mais dos serviços por conta do bom trabalho feito. Nós já iniciamos com o serviço de estimulação precoce, que é muito importante, e já trabalhamos a elasticidade cerebral desde pequenos. Mudamos os comportamentos repetitivos e manias e o autista consegue ser introduzido na sociedade de forma mais sociável, com interação social melhor. Ele passa a frequentar ambientes que ele não conseguia frequentar antes. Hoje temos usuários da AMA trabalhando, permanecendo no mesmo ambiente por horas, e desenvolvendo suas habilidades graças ao trabalho feito aqui. Os casos mais severos também melhoram na AMA, e participam de forma regular fazendo todo os acompanhamentos oferecidos pela Ama e tem uma melhor qualidade de vida. Não é um resultado a curto prazo, mas a longo prazo. É um trabalho de dedicação”, constata.
Os resultados poderiam ser bem maiores se houvesse mais investimentos e apoio para que outros profissionais e mais terapias fossem aplicadas dentro da AMA. Além disso, o espaço físico também não comporta muitos usuários. Vera alega que para o acompanhamento do autista é necessário ações que que custam cara, por isso, ela diz que ainda falta mais colaboração. “Ainda precisamos de mais apoio na saúde e na equipe multidisciplinar para o desenvolvimento do autista. O autista precisa de muitas terapias e elas são muito caras, precisamos desse apoio para que haja esse retorno, para que a instituição possa manter os serviços funcionando. Também gostaríamos de ter profissionais na área da neuropediatria para o diagnóstico precoce. Quanto mais cedo for diagnosticado, mais cedo vamos conseguir melhorar o quadro para que o autista evolua e possa se desenvolver”, destaca.
Preconceito NÃO!
Além da falta de mais recursos, Vera também citou que um outro entrave na luta e causa dos autistas é o preconceito que existe dentro da família em reconhecer um filho autista e dar a ele o devido suporte para que ele se desenvolva. Quando pais e familiares não aceitam o fato, o filho acaba se prejudicando e passando por situações difíceis e constrangedoras. “Se tem um conceito que o autista é aquele caso que se isola, que não interage, e não é assim. Com os tratamentos e terapias o autista consegue ter uma vida normal. Mas se os pais não reconhecem, a criança sofre um atraso no desenvolvimento por falta de ajuda apropriada. A família prefere esconder e acreditar que a criança não tem o transtorno. Essas crianças sofrem bullying, são reprovadas na escola, e não tem uma aprendizagem significativa. A família precisa internalizar o fato e propiciar ao filho as melhores condições”, alerta.
Porque AZUL?
A cor azul foi escolhida como símbolo do autismo porque a incidência do espectro autista é maior em meninos. A cada 4 autistas, apenas um é do sexo feminino.
*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1570 de 21 de março de 2019.













