Com duração de dois dias a programação incluiu palestras, assembleias e negociações trabalhistas
Aconteceu nos dias 22 e 23 o 64° Encontro de Lideranças do Movimento dos Técnicos Agrícolas Catarinenses realizado no Auditório do Hotel Bebber. Durante os dois dias de evento foram realizadas assembleias e palestras voltados para aumentar o conhecimento dos profissionais. O encontro de técnicos acontece duas vezes ao ano, e a escolha de Campos Novos para sediar o evento se deu pela posição geográfica do município que se encontra localizado no centro do estado de Santa Catarina. Atualmente o estado conta com 5 mil técnicos agrícolas. O presidente do Sindicato dos Técnicos Agrícolas de Santa Catarina (Sintagri), Antônio Tiago Silva, destaca a importância de se manter em contato com os demais profissionais da área e ouvir suas demandas. “Esse o momento que a gente reúne a diretoria para aprovação das contas das entidades, é um momento de transparência. Abordamos assuntos de interesse da categoria e outros assuntos que julgamos ser importantes ter conhecimento, até como forma de levar a informação para o produtor rural”, declarou. O movimento dos técnicos em Santa Catarina é dividido em 24 diretorias regionais do Sintagri e núcleos da Associação dos Técnicos Agrícolas.
Comum neste tipo de evento é a apresentação de alguns técnicos que relatam suas experiências no campo de trabalho e dividem um com o outro suas atividades profissionais, já que cada profissional atua de forma diferenciada. Além desse bate-papo descontraído, a equipe organizadora do evento providenciou uma palestra sobre a nova reforma da previdência, que é um assunto que tem deixado todos os profissionais com dúvidas. “Queremos discutir nossas atribuições, questões sobre agrotóxicos, meio ambiente, a água. Questões sobre a reforma da previdência, que preocupa alguns profissionais, principalmente aqueles que estão prestes a se aposentar. Queremos orienta-los para que eles não se precipitem. São questões básicas”, afirmou o presidente.
A capacitação dos técnicos e o incentivo a novos conhecimentos é uma preocupação do sindicato que, neste 64° Encontro providenciou uma palestra sobre Energia Solar para atualizar os profissionais sobre este assunto. Tiago destaca que a entidade prioriza o conhecimento na formação do profissional para que ele atue de forma competente no campo. “Temos a preocupação com a formação do técnico, já discutimos a questão do ensino agrícola no estado. Um bom profissional começa dentro de sala de aula. Temos uma agenda anual de visitas a todas as escolas agrícolas, onde conversamos com os alunos passando informações sobre a profissão, as dificuldades. E temos uma modalidade de capacitação pontual onde sempre que alguma coisa nova acontece, havendo um grupo que necessite de capacitação, é organizado uma capacitação onde trazemos profissionais para orienta-los. A informação voa, não podemos ficar parados no tempo”, salientou.
Quem reitera essa preocupação citada pelo presidente do Sintagri, é o presidente do Conselho Estadual do Ensino Agrícola (Conea), Lauri Marconatto, que afirma que o objetivo do conselho é garantir a formação especifica e mais adequada para a formação do técnico agrícola para que ele consiga executar suas competências de forma desejada pelo produtor rural. “O Conea trabalha avaliando o processo nas escolas agrícolas e também da diretrizes para onde existe defasagem. Queremos que o técnico formado aqui seja um diferencial dos demais. Fazemos esse meio de campo de avaliar e dar o retorno para as escolas da condição de cada profissional. A tecnologia agrícola tem evoluído e vai evoluir mais, nosso desafio é conseguir fazer com que a formação do técnico seja aproximar essa evolução para que esse técnico esteja preparado e vá ao campo de trabalho e responda com as qualificações e competências que ele precisará”, pondera.
Técnico agrícola X Engenheiro Agrônomo: Muitos acreditam que exista uma rivalidade entre as áreas, mas na verdade, Tiago acredita que as duas áreas devem nadar de mãos dadas, afinal o objetivo comum entre os dois é defender a agricultura. No entanto, o presidente do Sintagri afirma que o técnico agrícola é aponta das atividades, e que a maioria deles vem do meio rural. “Temos hoje as engenharias que buscam inovações na área, mas quem leva o conhecimento para o produtor rural é o técnico agrícola. A quantidade de técnicos trabalhando junto ao produtor é maior, até porque são uma mão de obra mais barata. E também 90% dos técnicos agrícolas são oriundos da propriedade rural, eles têm uma vivência no campo. Temos uma identificação com os engenheiros agrônomos e trabalhamos em conjunto para defender a agricultura, e ajudar o produtor rural”, afirma.
Técnicos Agrícolas terão Conselho Próprio
Em 2018 foi aprovado e sancionado o Projeto de Lei para a criação do Conselho Federal e Regionais dos Técnicos Agrícolas. Antes estes profissionais eram registrados e regidos pelo Conselho Federal e Conselho Regional dos Engenheiros Agrônomos. A situação não era tão agradável aos profissionais, mas agora essa realidade está mudando. Este encontro realizado em Campos Novos, também foi palco para discutir essa questão de grande importância para os técnicos. Segundo Tiago, o Conselho ainda está em fase de instalação e eleição, mas em breve a classe poderá comemorar a conquista que já estava há mais de 30 para aprovação da Presidencia da República.
*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, edição 1571 de 28 de março de 2019.









