Diversidade e Inclusão: Boas Ações são essenciais para melhorar a sociedade

Incluir os diferentes é contribuir para uma sociedade melhor e mais justa

A natureza é composta por uma diversidade incalculável de elementos e e todos eles ocupam seu espaço no mundo. Assim como a natureza, a sociedade apresenta cada vez mais diversidade entre os seres humanos. Temos uma multiplicidade de culturas, de etnias, de cor, de gêneros, de religiões, de características físicas e de pensamentos. Somos rodeados por uma rica diversidade, e todos precisam ter seu espaço garantido para que se sintam acolhidos e encontre seu lugar na sociedade. Para alguns, infelizmente, é difícil abrir os olhos para a realidade do outro e preferem ignorar as diferenças, mas essa é uma atitude, no mínimo, retrógrada e desumana. Se queremos que o mundo e a sociedade em que vivemos seja mais justa e igualitária é preciso mais do que discursos, é preciso abrir a mente e pensar ações para promover a inclusão e a não discriminação.

Diversidade não é sinônimo de inclusão, mas a inclusão deveria ser uma consequência da diversidade. A inclusão é ação coletiva e individual, e está no poder de todos fazer disso uma prática diária. A sociedade e o Poder Público devem andar de mãos dadas para promover o bem-estar de todos que compõe população camponovense. Os que são minorias não podem ser esquecidos, eles devem receber atenção para que se sintam uteis. Este é um tema de enorme abrangência que inclui vários grupos, e falar sobre isso demandaria tempo. São diversas as causas e lutas de grupos que querem ser respeitados e ter seus direitos assistidos.

Vamos nos ater ao que encontramos no nosso município, situações que mostram o quanto a inclusão faz a diferença na vida daqueles que se encontram em posições desiguais na sociedade. O jornal o Celeiro conversou com três pessoas que relatam suas dificuldades, alegrias e esperança para o futuro. São histórias que nos fazem repensar o olhar sobre as diferenças.

Inclusão para portadores de Síndrome de Down

Amanda Bonato

A Síndrome de Down é uma condição genética que, em alguns casos, pode causar atrasos no desenvolvimento motor, físico ou cognitivo. Existe um estigma de que todos que apresentam a síndrome possuem uma deficiência intelectual, portanto são incapazes e inferiores, mas isso não é verdade. Alguns portadores são muito inteligentes e atuam no mercado de trabalho e estão no ensino regular. E desde crianças eles devem ser estimulados e devem estar inseridos na comunidade.

Amanda Bonato, de 22 anos, nasceu com síndrome de Down. Sorridente e tímida, ela conversou conosco sobre seu trabalho como empacotadora no supermercado Copercampos. Amanda afirmou positiva que gostava muito de trabalhar e que já tinha feito muitos amigos no trabalho. Sua supervisora, Michele, contou que Amanda é responsável e educada com todos, além de ser muito bem acolhida pelos clientes e pelos seus colegas de trabalho, que a chamam carinhosamente de “Amandinha”. Apesar de se desenvolver bem em seu trabalho, o preconceito ainda existe contra pessoas com a Síndrome de Down, Michele comenta que ainda há algins “olhares” fiferenciados. Mas são raros os casos e isso não afeta o modo de Amanda agir.

Amanda trabalha pela tarde e estuda pela manhã, além de frequentar a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), entidade que a orientou e indicou para o trabalho. A mãe de Amanda, dona Vera Marcia Bonato, diz que se sente muito feliz por ver a filha trabalhando e conquistando a independência. “A atuação da APAE foi muito importante para o desenvolvimento dela. Eu nunca imaginei que ela ia trabalhar. Tenho muito orgulho da minha filha e sou grata pela ajuda que ela recebe. Ela é muito querida por todos no trabalho”, relata feliz.

Inclusão de Imigrantes

Delyon Morin

Não é raro encontrar pessoas de outros países em Campos Novos, principalmente do Haiti. Esse fluxo cresceu desde que o Governo Brasileiro, por meio de uma proposta humanitária, concedeu vistos para haitianos viverem e trabalharem no país. No entanto, essa permissão nem sempre vem acompanhada de políticas públicas de inserção de aculturação, o que reforça a exclusão, o isolamento. A recepção não é acompanhada de ações educacionais, tanto no sentido de preparar a sociedade brasileira para acolher e inserir, como para acompanhar os imigrantes em sua adaptação e inserção.

Delyon Morin, é haitiano, mora em Campos Novos há quatro anos, e há 1 ele atua como armazenista na Copercampos. Delyon era professor de espanhol em seu país de origem, e fala inglês, francês, espanhol e agora o português. Ele decidiu deixar o Haiti depois do avassalador terremoto que aconteceu em 2010 e destruiu a capital Porto Príncipe, a cidade mais promissora da região. Cheio de sonhos ele aterrissou no Brasil para buscar emprego e melhorar a condição financeira. “No Haiti não temos muita coisa para fazer, as condições são difíceis, tem pouca oportunidade de emprego. Ficou ainda pior depois que passou o terremoto em 2010, destruiu bastante a capital do país, e as melhores oportunidades que tínhamos era na capital. Eu não sabia em que cidade eu iria ficar, eu só queria vir embora e buscar melhores oportunidades”, relata ele, que deixou a família no Haiti, mas todo mês envia parte do que ganha para ajudar a família.

O que Delyon acha do Brasil? “Eu já passei por outros países, mas os brasileiros são as melhores pessoas de todas, nos recebem bem, conversam com a gente. Isso me deixa muito alegre”, responde ele que já passou pela Republica dominicana, Equador e Bahamas. Mas Delyon também relembra de uma situação triste, quando um colega de trabalho afirmou de modo depreciativo que ele e outros haitianos passavam fome. “A gente se sente mal ao ouvir isso. São coisas que sempre vão acontecer”, afirmou, dizendo que apesar de tudo, a maioria dos brasileiros são receptivos. Outra dificuldade vivida por Delyon e por outros estrangeiros é conquistar a confiança das pessoas para alugar uma casa para morar. Mas ele diz que entende essa situação, e que é natural que as pessoas tenham receio.

Delyon é apenas um entre muitos estrangeiros que estão na cidade em busca de uma vida melhor e mais digna. Felizmente eles conseguem trabalho e isso torna suas vidas mais significativas.

Inclusão de Deficientes

Alex Siviero

Todo município é composto por pessoas portadoras de deficiências, que inclui problemas físicos, visuais, auditivos e mentais. O município está preparado para atender a demanda desta classe? As escolas, os bancos, o cinema, as repartições públicas promovem a acessibilidade? Ou por serem minorias essas ações são desnecessárias. Dar atenção e acessibilidade aos deficientes não é um ato de caridade, é uma obrigação, pois eles são amparados pela Lei. Escolas inclusivas, lugares públicos acessíveis, programas especiais para cegos e publicações em braile e outras conquistas não foram fruto do acaso, mas um acato as leis. O decreto nº 5.296/2004, que regulamentou as Leis 10.048/2000 e 10.098/2000 que prevê a prioridade de atendimento às pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, e estabelece normas e critérios para a promoção da acessibilidade delas. Respeitar essas pessoas permitindo o acesso aos bens e serviços disponíveis para os demais cidadãos é um direito e não um favor.

Apenas os deficientes sabem o que passam e como sofrem por perceberem suas necessidades não atendidas. Quem diz isso, é Alex Siviero, que há cinco anos perdeu a visão, e hoje se dá conta de como é difícil ter uma deficiência. Ele começou a desenvolver problema de visão aos 25 anos. Tratamentos e cirurgias para tentar reverter o quadro não foram suficientes para recuperar a visão. Hoje ele segue a vida enfrentando as dificuldades impostas pela sua atual situação.

Mesmo com as limitações ele faz faculdade de direito, e estuda com o uso de ferramentas que fazem leitura de tela. A mesma tecnologia que Alex usa pra estudar não tem sido usada para possibilitar a acessibilidade dos cegos no município. Ele procura ter uma vida autônoma, mas relata a dificuldade que tem para se locomover e atravessar ruas com segurança. Além das calçadas táteis, ele cita a importância de sinais de trânsito sonoros. “Fizemos uma solicitação há tempos para a instalação de sinal sonoro, principalmente nos cruzamentos. Mas ainda não conseguimos. Muitas vezes a gente se sente excluído. As coisas não são pensadas levando em conta a minoria. Só por meio da Lei é que lembram de nós”, declarou ele, que prosseguiu dizendo que os deficientes precisam continuar lutando por seus direitos. Com o conhecimento adquirido no Curso de Direito ele pretende ajudar a levantar essa causa e ajudar mais pessoas com algum tipo de deficiência.
Alex agradece a atuação da Associação Camponovense de Apoio aos deficientes Auditivos e Visuais, que para ele foi imprescindível na sua aceitação e apoio na busca por independência. “A ACADAV me resgatou. Eles me prepararam para a viver com o problema visual. É um trabalho muito importante, principalmente com as crianças. A orientação que recebi para usar as tecnologias para cegos foi o que ajudou a me sair bem na faculdade”, conta Alex ressaltando com orgulho que tem tirado excelentes notas no curso.

Os exemplos citados nesta reportagem representam as minorias que se encontram no município. Pessoas com sonhos e esperançosas de viver numa sociedade inclusiva e igualitária. Também pudemos ver a importância das associações sociais como a a APAE, ACADAV, e temos também a AMA, que prestam um excelente serviço em ajudar não só os deficientes, mas também suas famílias que precisam de apoio e orientação. Que o Poder Publico se atenha a esta realidade e tome iniciativa além da lei para resgatar a valorização de todas as pessoas, independente das deficiências, etnia, cor, classe, religião, sexo ou ideologias.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1574 de 18 de abril de 2019.

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Jornal Celeiro
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