Corpo humano é programado para se adaptar as mudanças, mas quando elas acontecem bruscamente, é preciso tomar alguns cuidados.
“Somos frutos do meio”. Assim resumiu o médico Darcy Correa, sobre a influência que as mudanças climáticas provocam em nosso organismo. Não há como passar imune as drásticas mudanças de temperatura, que oscilam constantemente. De manhã, é aquele frio, mas a tarde o calor dá as caras. No verão temos um clima quente e constante, sem muitas oscilações, no inverno também vemos esta constante, com dias de baixas temperaturas. Mas entre o verão e o inverno temos duas estações: a primavera e ou outono, que são períodos de transição, aonde o dia pode começar bem frio e, de repente, o clima pode mudar e a temperatura se elevar. A primavera iniciou esta semana, estação que faz a ponte entre inverno e verão. Nessa época é comum a instabilidade climática. Neste período o calor ressurge, e as chuvas se tornam mais presentes. Se somos resultado do meio, claro que nosso organismo vai apresentar respostas as múltiplas mudanças. Mas primeiro vamos ver como o organismo se comporta no verão e no inverno.
De acordo como o grau da temperatura ambiente, o organismo vai se adaptando para manter sua própria temperatura interna na média ideal, que é de cerca de 37°C. Durante os períodos de calor, a temperatura do sangue aumenta acima do limite e costumeiramente as pessoas eliminam esse calor por meio da vasodilatação. Outra forma de reação do corpo é por meio do suor, que reduz a temperatura corporal, por isso as pessoas soam quando expostas a altas temperaturas. No calor, algumas pessoas relatam casos de elevação da pressão arterial devido as altas temperaturas. Dr. Darcy explica que isso acontece porque a temperatura sobe demais e o organismo tem uma tendência natural da pressão arterial baixar e para compensar aumenta a frequência cardíaca, e a tendência é a pressão baixar. No inverno, quando as temperaturas sofrem queda o corpo reage de forma diferente. O organismo se esforça para manter o corpo na temperatura média. Quando ela cai em demasia, o corpo tem reações físicas visíveis, como o tremor, que é um meio que o corpo encontra para movimentar os músculos e contrair os vasos sanguíneos gerando calor e equilibrando a temperatura corporal. Outra reação do frio é a pele e lábios secos.
Está mais do que claro que somos reagentes diretos do clima. Mas com as mudanças repentinas e constantes o organismo trabalha ainda mais para de adaptar ao meio. E alguns acabam apresentando alguns problemas devido a isso. Nesse caso, é importante tomar alguns cuidados para proteger e se preparar. O médico Darcy, elogia a capacidade do corpo em se adaptar as circunstâncias, mas ele também diz que é possível que as pessoas apresentem alguns problemas que podem e devem ser contornados. “Nosso organismo é uma máquina fantástica, mas com os rigores do frio e as mudanças abruptas de temperatura é natural que as pessoas apresentem alguns problemas. Essa variação torna difícil a adaptação do organismo afetando as pessoas de forma física e emocional. Somos frutos do meio e acabamos sendo influenciados por ele”, afirmou. Os mais afetados por essa situação são as crianças e os idosos. As crianças porque seu sistema imunológico ainda está em formação e o idosos é porque o seu sistema de defesa já está mais comprometido, e por isso eles tem menos resistência.
Dr. Darcy deixa claro que as reações do organismo ao clima afetam o lado físico e emocional. Quanto ao frio, além de causar um desconforto, ele também tende a deixar as pessoas um pouco mais melancólicas. “O índice de suicídio é maior em lugares mais frios. Isso é uma prova que o meio ambiente tem uma grande influência sobre nós. Tudo isso é um conjunto, pois nosso organismo é composto do físico e emocional, e quando há um desequilíbrio em uma das partes é natural que apareçam problemas e mais doenças, isso se evidencia pelo número de casos de depressão nesse período”, avaliou o médico.
No que diz respeito as reações físicas ele fala sobre os problemas respiratórios, que são os mais comuns de acontecer. “Nosso organismo nesse período fica mais exposto a alguns problemas, principalmente as infecções respiratórias, como consequência de mudança de temperatura, especialmente quando são mudanças muito drásticas de temperatura, como as que passamos aqui” explica. Com a chegada da primavera, o médico relata ainda outro risco. “Na primavera, com a polinização, aumenta a chance do aparecimento das doenças alérgicas, principalmente a rinite e a conjuntivite, que podem afetar todas as pessoas, mas em especial aquelas que já tem um histórico alérgico”, diz.
Não há como exercer controle sobre o clima, porém é possível tomar os devidos cuidados para ajudar o organismo a compensar todo o trabalho que ele exerce para manter o corpo na temperatura ideal. Um dos principais conselhos do médico é hidratação do corpo por meio de ingesta de água. Alimentação equilibrada e atividade físicas também são listadas como atitudes essências para auxiliar o bom funcionamento do organismo. Além disso, é importante estar em ambientes limpos e arejado, pois lugares fechados costumam abrigar vírus que se distribuem com mais facilidade. O uso de proteção solar também deve ser contínuo. Dr. Darcy acrescenta a necessidade de ter equilíbrio, e saber aproveitar o que cada período tem de bom. A exposição correta ao sol ajuda o organismo a adquirir vitamina D. As pessoas precisam de uma quantidade necessária de sol. É preciso encontrar o equilíbrio, o sol é excelente, mas em excesso é ruim. O frio é bom, mas em excesso é ruim”, salientou. Portanto, que cada um haja de modo preventivo. Mesmo em dias frios, ande sempre com uma garrafinha de água, e não esqueça do protetor solar. Quando o dia começar quente, mesmo assim, leve sempre um agasalho para se proteger caso a temperatura baixe e para evitar o ressecamento, hidrate diariamente a pele e os lábios. Agindo de forma correta é possível lidar bem com as mudanças bruscas de temperatura.
*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1596 de 26 de Setembro de 2019.







