Médica conta o que pode estar por trás das dores sentidas por muitas mulheres na fase pré-menstrual.
Algumas mulheres sortudas passam por ela lindamente, como se nada estivesse acontecendo, outras, porém, enfrentam os piores dias do mundo. Do que estamos falando? Se você pensou na cólica menstrual, acertou! Este pesadelo feminino leva muitas mulheres a loucura. Algumas definem este momento de dor como uma amostra grátis de um parto. Parece pesado, NE? De fato, é um momento bem complicado e que pode dificultar as atividades da mulher. A.P., que tem 35 anos convive com a dor desde sua primeira menstruação. Os dias que antecedem a menstruação são os piores para ela. “Não consigo fazer exercícios, dormir, ou comer direito. Minha pressão fica baixa e a dor me faz esquecer quem eu sou. Há meses em que a dor é tanta que vomito sem parar”, relata.
O que os médicos têm a dizer sobre isso? A classe médica denomina este evento como dismenorreia, que significa menstruação difícil, popularmente chamada de “cólica menstrual”. Geralmente a mulher sente dor pélvica que surge no primeiro dia do período menstrual, mas que desaparece ao final do fluxo. Mas tende a se prolongar em muitas patologias que podem estar associadas com a dismenorreia. Muitas vezes este evento pode gerar grande ansiedade na paciente enquanto espera o próximo ciclo menstrual. É uma das causas de afastamento das mulheres ao trabalho e outras atividades do cotidiano. Cada mulher tem seu limiar de dor.
A ginecologista e obstetra, Juliane Lemos Lucena, explica as classificações, e suas possíveis causas. “Temos a dismenorreia primária ou secundária. Sua forma primária atinge cerca de 5% a 15% das mulheres, causando dores intensas que podem interferir nas atividades diárias. É provocada pela produção aumentada de prostaglandinas no endométrio (camada que reveste o útero). O excesso desse hormônio durante o período menstrual provoca fortes contrações no útero que, ao contrair-se, pressiona os vasos sanguíneos à sua volta, dificultando o suprimento de oxigênio em partes do útero. Pode afetar outros órgãos causando sintomas como dor de cabeça, dor nas costas, náuseas, vômito, diarréia ou constipação e tontura. Já o segundo tipo de dismenorreia, está associado a algum distúrbio nos órgãos reprodutivos, tais como endometriose, mioma uterino, adenomiose ou doenças inflamatórias pélvicas. O uso de DIU de cobre também pode causar cólicas intensas”.
Para ajudar as mulheres que enfrentam este problema, Dr. Juliane comenta os tratamentos disponíveis para cada caso. “O tratamento da dismenorreia primária é feito à base de anti-inflamatórios não esteróides (AINEs) ou anticoncepcionais orais que bloqueiam o ciclo hormonal natural e a ovulação. Já no segundo tipo, intervenções cirúrgicas para retirada de miomas ou endometriose podem ser necessárias. Se você apresentar cólicas mais intensas do que o normal, deve procurar seu ginecologista para um diagnóstico preciso e um tratamento adequado”. É importante ressaltar que apenas o medico habilitado poderá prescrever um tratamento medicamentoso, portanto a paciente deve passar longe da automedicação.
O acompanhamento médico é essencial para toda mulher, que deve priorizar sua saúde e qualidade de vida. Uma rotina saudável é fundamental para prevenir doenças. É importante evitar o sedentarismo. Exercícios fisicos moderados que provocam liberação de endorfinas podem trazer sensação de bem estar, de autoconfiança, e aumentar a resistência à dor. Alimentos gordurosos que retardam o trânsito intestinal e alimentos que provocam fermentação devem ser evitados, especialmente nos períodos pré-menstruais. A dieta da mulher deve ser rica em frutas e em vegetais com fibras para assegurar trânsito intestinal adequado. A ingestão de quantidades insuficientes de água pode causar ressecamento do bolo fecal e obstipação, que contribui para agravar quadros de dismenorréia.
Recomendações para uma saúde melhor
- Evite levar vida sedentária. Exercícios aeróbicos moderados ajudam a aliviar a dismenorreia primária;
- Não ingira alimentos que retardam o trânsito abdominal ou provocam fermentação, especialmente no período pré-menstrual;
- Beba bastante água;
- Aplique calor no local, ele bloqueia os receptores da dor. Coloque um bolsa de água quente em cima do local que a dor tende a diminuir.
- Não se automedique. Procure assistência médica. É importante estabelecer um diagnóstico diferencial entre a dismenorreia primária e secundária para selecionar o melhor tratamento.
- Outra recomendação é que a mulher aprenda, durante sua vida fértil, a se conhecer cada vez melhor. Somente assim ela será capaz de identificar como a cólica e outros sintomas característicos da menstruação se manifestam no organismo.
*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1651 de 29 de outubro de 2020.







