Nesta sexta-feira (7), o futuro político de Santa Catarina estará em jogo quando o Tribunal Especial de Julgamento do Impeachment analisa de forma final a denúncia de crime de responsabilidade contra o governador Carlos Moisés da Silva no caso da compra dos 200 respiradores da Veigamed. Apesar de extremamente relevante para o Estado, o julgamento não emociona. À exceção de três ou quatro parlamentares, a maioria dos deputados da Alesc não manifestou apoio claro a um lado ou a outro, na tribuna, ou nas redes sociais. Da mesma forma, não há movimentos nas ruas para saída ou permanência de Moisés ou Daniela Reinehr. E não dá para colocar na conta pandemia: houve manifestações pró-Bolsonaro no último sábado – e que ignoraram o processo de impeachment. A disputa tem acontecido nos bastidores, com tentativas de ações aqui e ali, mas de forma discreta. A eleição de desconhecidos em 2018 criou essas novas figuras políticas, que não geram paixões, nem a favor, nem contra.
PREFEITOS POR MOISÉS
Nas últimas semanas, prefeitos do PSD do Oeste e do MDB no Vale do Itajaí declararam apoio a Moisés, em um dos poucos posicionamentos públicos sobre o assunto. As manifestações têm a influência de Eron Giordani e João Rodrigues (PSD), no primeiro caso, e de Jerry Comper (MDB), no segundo. O apoio a Moisés é pontual e diz mais sobre a recusa a Daniela do que à preferência pelo governador afastado. Também pode ser entendido como um movimento para enfraquecer Gelson Merisio (PSDB) e Jorginho Mello (PL), que auxiliaram a governadora interina na construção do governo.
– MOISÉS não é Wilson Witzel, o governador cassado do Rio de Janeiro, embora alguns tentem achar paralelos. Ambos foram eleitos na onda de 2018, mas Moisés se mostrou mais humilde e centrado, sossegou no seu espaço. Witzel fez o contrário. Pesa ainda que Santa Catarina não é Rio de Janeiro.
– ENQUANTO o Estado não decide quem fica no Executivo até o final de 2022, pautas importantes vão ficando para trás. Um exemplo é a reforma da Previdência, que estava sendo negociada antes de todo imbróglio político. O socorro às empresas é outro exemplo do que caminha a passos lentos.
*Coluna ‘Poder SC’, publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1675 de 06 de maio de 2021.


