Direito e futebol Advogado José Juracy dos Santos fala sobre suas paixões
Em Campos Novos desde 1964, o advogado é hoje um dos profissionais do direito mais experientes no município.
Um dos mais conhecidos advogados de Campos Novos, José Juracy dos Santos não é camponovense, mas foi este lugar que ele escolheu para formar sua família e exercer até hoje a função que ama: advogar.
A história tinha tudo para ser diferente. Por não ser um aluno tão estudioso, Juracy jamais imaginou que passaria no temido vestibular de direito, por isso já havia decidido pelo curso de Administração de Empresas numa universidade particular. Porém, justamente naquele ano o vestibular foi realizado de forma integrada e as provas poderiam ser feitas pata todas as universidades. Por que não arriscar? Foi isso que ele fez. Mesmo com medo tentou e o resultado foi surpreendente, ele conseguiu passar na Universidade Federal para fazer direito, o que curso que ele tanto queria. Antes de tudo isso, Juracy trabalhou em muitas outras áreas e também jogou muito futebol amador, inclusive foi a paixão pelo esporte que o trouxe para Campos Novos. Nesta editoria, o advogado penal conta como chegou até aqui.
O ano era 1964, o jovem Juracy, com cerca de 18 anos, veio para o município, onde morava sua irmã. Aqui fez amigos que, assim como ele, amavam futebol e por isso decidiu ficar. Os estudos estavam interrompidos, mas ela sabia que precisava trabalhar e fez concurso para trabalhar no Banco Inco (antigo Bradesco) e logo foi chamado para exercer a função. Após algum tempo, ele foi trabalhar no Besc (extinto Banco do Estado de Santa Catarina). Enquanto atuava no Banco ele também dava um jeito de trabalhar como locutor na Rádio Cultura, uma breve experiência que ele conta com muito gosto. Neste interim Juracy se casou com uma moça camponovense.
Mais responsável, não era essa a vida que ele desejava, por isso investiu nos estudos optando por entrar numa faculdade. Como já explicado, ele conseguiu passar em direito, mas teve que se mudar para Florianópolis. Sobre essa vitória, ele dá os méritos a educação que obteve anteriormente. “Meu sonho sempre foi o direito, mas nunca imaginei que eu pudesse passar no vestibular porque era difícil. Eu não era muito estudioso, mas as escolas de antigamente nos davam uma formação excepcional. Foi-me aberta a oportunidade para fazer o vestibular para a Universidade Federal de Santa Catarina, e eu me inscrevi, mas sem achar que eu teria êxito, e surpreendentemente eu acabei passando, em 1976”, contou.
Ele relembra que foi um período difícil, mas que contou com o apoio da mulher que se mudou com ele para a capital catarinense e lá moraram por cinco anos, tempo de duração do curso. Corajoso e decidido ela voltaria para Campos Novos para exercer sua profissão. O que fez com o emprego no banco? Ele responde: “Minha intenção era atuar como advogado, e quando faltavam cerca de oito dias para me formar eu pedi demissão. Pensei: “ou eu tenho coragem para iniciar, ou nunca mais iniciarei’. Quando me formei voltei para Campos Novos e montei um escritório em parceria com o Dr. Mauro Chioddi. Me encontrei na profissão e sou apaixonado pelo direito”, conta saudoso do amigo, que até hoje guarda muito carinho.
De volta a cidade que o adotou, Juracy passou a ganhar experiência em um tempo em que os escritórios de advocacia ainda eram escassos. Ele cita até alguns nomes conhecidos de advogados falecidos. “Eram poucos advogados em Campos Novos. Lembro do Dr. Jango, Dr. Edson Ubaldo, Dra. Marlene, dr. Irineu Osório Piratuba, dr. Amaury, Dr. Cid Pedroso, Dr. Sergio Gris. Éramos em poucos advogados na época. Existia rivalidade, mas éramos amigos, tínhamos respeito um pelo outro”, relata.
Sobre a área do direito, ao longo dos anos o advogado percebeu muitas mudanças, dissertando sua opinião sobre está área no Brasil. “O direito tem mudado muito, vivemos períodos de incerteza na profissão diante do que vemos no Supremo Tribunal Federal. Há grande divergência de pensamentos que tornam difícil a segurança jurídica. Estamos sofrendo com isso, em função da grande diversidade de pensamento que gira em torno dos tribunais superiores. São mudanças de paradigmas ao longo do tempo. Há um excesso de judicialização, as questões que eram resolvidas de forma mais rápidas, hoje acabam indo parar no judiciário. Sobrecarregamos este poder ”, declara.
Quanto a atuação da classe e sua própria atuação como advogado, ele reflete sobre o que poderia ser diferente. “Tenho orgulho da minha história, mas acho que eu poderia ter feito mais. Quando eu olho para trás eu tenho um sentimento de frustração porque eu acho que poderia ter feito mais. Nós advogados de modo geral estamos falhando porque deixamos que certas coisas que não deveriam acontecer aconteçam. Eu tenho satisfação pelo que eu fiz, pois sempre fiz meu melhor, a frustração não é profissional. O direito e a justiça deveriam ser feitos de forma mais humana e mais simples, menos negocial”, pondera, deixando ainda um conselho para aqueles que estão ingressando na área: “Para os novos advogados é essencial o preparo. Eles tem que ser bem preparados para que não sejam excluídos do mercado”.
Dr. Juracy é um dos cerca de 140 advogados inscritos na Ordem dos Advogados da Regional de Campos Novos. Como profissional e como cidadão ele também fala sobre este município que o acolheu e sobre seu desejo para o futuro. “Campos Novos teve um salto, isso tem que ser reconhecido, principalmente a partir da instalação da Usina, mas acho que o município pode ir além. Vemos um grande desenvolvimento da agricultura, mas precisamos de desenvolvimento industrial, senão voltaremos a ser apenas exploradores de matéria-prima restrito a produção agrícola. É a hora de Campos Novos começar a trabalhar nisso. Que a nossa economia não seja apenas baseada no agronegócio. Eu amo Campos Novos, é minha terra amada”, conclui o advogado penal, o esposo, e o pai de três filhos, José Juracy dos Santos.
*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1677 de 20 de maio de 2021.


