Valduga quer ampliar a destinação de recursos para as pequenas cidades e desenvolver regiões.
- Qual o perfil do candidato? De onde veio, onde nasceu, o que estudou etc.
Nasci em Campos Novos (SC), no Distrito de Barra do Leão, em 1961. Meu pai era músico e sapateiro e minha mãe, dona de casa. Comecei a trabalhar muito cedo, meu primeiro emprego foi numa loja de ferragens. Sou bancário. Me mudei para Chapecó em 1991. Sou casado com Margarida, companheira de vida e de luta. Tenho três filhos, Natália, Felipe e Vinícius, e um netinho, Miguel Valduga.
- Como surgiu a política em sua vida?
Quando me mudei para Chapecó, fui convidado e participar da Diretoria do Sindicato dos Bancários e lá, nos anos 90, participei da criação do Comitê de Combate à Fome em Chapecó e do Programa Oficina Educativa Verde Vida, um lindo e premiado projeto socioeducativo e ambiental, voltado a crianças e adolescentes. A partir daquele momento, entendi que tinha a obrigação de trabalhar para transformar e melhorar a vida das pessoas.
Me elegi vereador em Chapecó pela primeira vez no ano de 2004. Fui o candidato mais votado, com 3.115 votos. Em 2012, novamente fui o vereador mais votado da história de Chapecó: 3.502 eleitores me escolheram. Dois anos depois, em 2014, achei que era o momento de lutar pela melhoria da vida de todos os catarinenses e concorrer a um espaço na Assembleia Legislativa. O voto de mais de 18 mil pessoas me levou a deputado Estadual. Voltei à Câmara de Vereadores de Chapecó em 2020.
- Após eleito quais foram as principais áreas que trabalhou? Cite alguns resultados.
Fui reconhecido pela Alesc como um dos deputados mais atuantes do mandato (2015-2018). Apresentei mais de 100 projetos, dos quais 32 se tornaram Leis no Estado. Meu gabinete sempre esteve aberto a todas as causas sociais. Busco a ampliação dos direitos e a garantia de melhores condições de trabalho; a qualidade e agilidade dos serviços de saúde; a garantia e ampliação dos direitos das mulheres – inclusive fui reconhecido como o parlamentar que mais apresentou projetos em defesa das mulheres. Fui finalista do Prêmio Viva Marie Claire e Instituto Avon pela criação da lei que proíbe propagandas que desvalorizem a mulher e levem à violência de gênero.
Na educação, lutei pelo ensino público, inclusivo, de qualidade, livre de censura e pela valorização dos professores. Defendi, também, a representatividade, acessibilidade e combati a discriminação e o preconceito. Apoiei a produção orgânica, alimentação saudável e redução do uso de agrotóxicos, além de lutar por um desenvolvimento justo e sustentável.
- Por que é candidato a deputado estadual?
É dever do deputado propor leis e fiscalizar os atos do governador. Decidi ser candidato novamente pois não vou descansar enquanto existir fome, desemprego e injustiças em nosso Estado. Precisamos oferecer educação de qualidade aos nossos jovens, ofertar serviços de saúde ágeis e emprego digno a todos os catarinenses.
Alguma coisa está errada quando quase 1 milhão de pessoas em SC passa fome e 1 a cada 4 brasileiros não consegue pagar as contas do mês. Aqui no Estado, as vagas formais de trabalho aumentaram, porém com baixos salários. Isso é degradante. Como deputado vou propôr ações e projetos para incentivar o desenvolvimento, impulsionando cadeias produtivas de acordo com as vocações regionais, ampliando a oferta de empregos por meio da industrialização sustentável e competitiva.
- Quais são as suas principais bandeiras nesta eleição?
Nosso Estado necessita de muitas coisas. Tenho propostas para: saúde, desenvolvimento econômico, habitação e cidadania, educação, trabalho, motoristas de aplicativos, segurança, mulheres, infraestrutura, agroecologia, turismo, crianças e adolescentes, cultura e esporte, tecnologia e inovação e aposentados.
Em específico para o Meio Oeste, vou buscar junto ao Governo do Estado ações para apoiar o Hospital Nossa Senhora das Dores; destinar recursos para melhorar as escolas da região; incentivar a criação de Escolas Agrícolas; expandir Centros e Universidades Estaduais e Federais; melhorar as estradas e as redes de distribuição de energia; adequar a infraestrutura do aeroporto de Joaçaba; fortalecer a agricultura familiar e criar programa de subsídio para aquisição de sementes de pastagens; incentivar a industrialização inclusiva e sustentável; promover ações para subsidiar a instalação de empresas tecnológicas; explorar as potencialidades turísticas e desenvolver estratégias turísticas da região.
- Qual sua visão de Santa Catarina? Quais as principais necessidades?
Nosso Estado está carente em muitas áreas. É preciso que o governo dê mais atenção aos hospitais regionais e crie mais leitos de UTI, para que as pessoas não tenham que esperar horas para serem atendidas e anos para fazer uma cirurgia. Não temos um programa estadual de habitação popular que leve em conta aspectos sociais, que priorize mulheres e crianças, mas também todas as famílias. Nossas estradas estão em péssimas condições e acabam provocando sérios acidentes. Sem falar que são essas as principais vias para o escoamento da nossa produção. Santa Catarina é um dos Estados com maiores índices de violência contra a mulher. Chegaremos um dia em que não será mais preciso criar leis para defender as mulheres e aí sim teremos uma sociedade progressista e justa, mas por enquanto, isso ainda é necessário e é papel de todos promover a igualdade de gênero, a salarial, por exemplo.
Precisamos construir a política de lixo zero, implementar programas socioambientais e educativos para jovens e famílias de baixa renda, estimulando a consciência ambiental. A onda de privatização precisa acabar. Não podemos admitir que nossas empresas públicas sejam sucateadas como forma de justificativa para a privatização. As estatais são bens públicos e temos o dever de zelar pelo seu bom funcionamento. Nossa educação também precisa de mais investimentos. Na rede estadual de ensino, a maioria dos professores são ACT, que são contratações temporárias, sendo que o correto seria a contratação de ACTs somente em caráter emergencial. É preciso realizar concurso público para contratação de professores e servidores. Por último, gostaria de citar a cobrança de 14% dos aposentados do IPREV. É inadmissível que, quem trabalhou por tantos anos hoje tenha que passar por isso. Vamos trabalhar pra reverter essa situação.
*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1748 de 29 de Outubro de 2022.







