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Como poderemos ter harmonia, se nem os Poderes de entendem?!

Apesar da grande mídia fazer vistas grossas às manifestações que continuam ocorrendo por todo o Brasil, em decorrência do resultado das urnas que puseram Luiz Inácio Lula da Silva novamente como chefe do executivo federal, é nosso papel, como veículo de comunicação, noticiar e procurar entender o que de fato está ocorrendo nesta mobilização sem precedentes.

Olhando de fora e seguindo a lógica da imprensa, o que se pressupõe são cidadãos brasileiros maus perdedores, pessoas antidemocráticas, que pedem a intervenção militar e incentivam um novo golpe de Estado.

Em contrapartida, se nos prestarmos a ouvi-los, entenderemos que tais manifestações refletem a profundas indignações pelos mais variados motivos. Uma delas, talvez o cerne da questão, seja a anulação em 2019 das condenações de Lula relacionadas à Lava Jato, que o tornaram elegível, numa ação monocrática do Ministro do STF Edson Fachin. Na ocasião, o Ministro do Supremo Tribunal Federal considerou que 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar casos do triplex do Guarujá, do sítio de Atibaia e do Instituto Lula, e simplesmente anulou as decisões e “descondenou” Lula.

Outro motivo que mantém muitos brasileiros indignados se deve com atos que marcaram a condução do período eleitoral, tais como: pesquisas eleitorais discutíveis; canais de comunicação em censura prévia; documentários proibidos; redes sociais de apoiadores bolsonaristas desativadas; canais do YouTube desmonetizados; vídeos que expunham Lula classificados como Fake News.

E as urnas eletrônicas foram violadas? Sim ou Não?!

Durante conferência em Nova York nesta semana, o Ministro do STF Alexandre de Moraes reafirmou que a Democracia foi atacada e ainda disse que, segundo as Forças Armadas, por meio do Ministério da Defesa, “As eleições foram 100% legítimas e confiáveis”.

Tal declaração do Ministro, no entanto, contraria o comunicado oficial das próprias Forças Armadas, o qual, num dos trecho afirmou: houve restrições ao acesso adequado dos técnicos ao código-fonte e às bibliotecas de software desenvolvidas por terceiros, inviabilizando o completo entendimento da execução do código, que abrange mais de 17 milhões de linhas de programação.

De tal modo, o Ministério da Defesa concluiu dizendo que “não exclui a possibilidade de fraude ou inconsistência nas urnas eletrônicas”.

Não vou chamar esta situação de guerra de narrativas, mas sim de uma grande incongruência entre os poderes. Portanto, se nem as autoridades estão se entendendo, como podem cobrar a harmonia entre os povos?

Por: Orli Ricardo, Jornalista

*Editorial publicado no Jornal ‘O Celeiro’, Edição 1755 de 17 de novembro de 2022.

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