Doutora indica cuidados especiais que as gestantes devem tomar desde a concepção até o período do puerpério.
A gestação é um momento único na vida da mulher e caracteriza-se por ser o período em que uma vida está sendo gerada no ventre da mãe. Apesar da natureza se encarregar deste processo mágico e especial, a fim de assegurar o conforto e o bem-estar do bebê, a gestante necessita de um acompanhamento médico especializado, neste caso, por um obstetra.
Dentre os fatores essenciais que podem garantir uma gestação bem sucedida, está na boa conduta do Pré-Natal. Conforme a Dra. Raphaela Amaranto (CRM-SC 30962 / RQE 20712), Médica Ginecologista e Obstetra, este procedimento é muito importante para o acompanhamento da saúde da mãe e do bebê. O Pré-Natal é feito por fases, de acordo com as semanas de gravidez são realizados alguns exames com o objetivo de chegar com essa gestação saudável e a termo, ou seja, um bebê acima de 37 semanas.
Apesar de ser o sonho de toda a gestante dar à luz após a conclusão das 37 semanas, contudo, existem casos em que as gestações não conseguem chegar neste período ideal, vindo a ter um parto prematuro. Mas, quais são as consequências que podem existir? Como evitar que isso aconteça? Para responder as questões a respeito da prematuridade, além de outras dúvidas recorrentes envolvendo parto humanizado e parto normal, a Dra. Raphaela Amaranto concedeu entrevista ao Jornal O Celeiro, e tirou as principais dúvidas sobre estes temas, como você confere na entrevista a seguir:
- O que é prematuridade e o que fazer para evitar?
Prematuridade é um parto que vai acontecer antes de 37 semanas de gestação, o ideal é que a partir de 37 semanas o parto possa ocorrer. Hoje, devido a algumas situações, a prematuridade tem aumentado muito, isso a nível Brasil e na região. Uma das principais causas da prematuridade é o pré-natal, que muitas vezes não é bem feito. É importante a gestante manter esse contato próximo com o obstetra para ir gerenciando os fatores de risco.
Neste sentido, podem ser apontadas várias causas para a prematuridade, como: negligencia por parte da paciente, podendo ser por falta do acompanhamento médico; as infecções, também estão entre as principais causas dos partos prematuros, as quais podem ser diagnosticadas e tratadas; além de outras, como competência istmocervical, questão de trauma e doenças pré-existentes. O parto prematuro também ocorre quando necessita interromper a gestação por uma síndrome hipertensiva, uma preeclampsia grave, ou um diabetes descompensado.
- Como fazer um parto prematuro com segurança?
O médico vai identificando sinais com risco de parto prematuro, como por exemplo, a medida do colo de útero. Uma paciente que já tem um histórico de colo curto, o médico já consegue ir fazendo este monitoramento através do exame de ultrassom. Pacientes que já tiveram infecções de repetição, nos deixa em alerta e vamos acompanhando através de exames, ou seja, de acordo com cada situação o profissional vai tomando atitudes e condutas para que evite chegar no parto prematuro.
- Quais são os procedimentos tomados com o nascimento de um bebê prematuro?
Se você já sabe que o nascimento vai acontecer antes das 37 semanas, o ideal é que a paciente seja assistida numa maternidade de alta complexidade. Uma prematuridade próxima a 37 semanas, o bebê pode nascer bem, mas não temos uma garantia que ele não vá precisar de uma atenção de alta complexidade.
Prematuridade, é uma questão de conscientização e uma parceria entre a gestante e o obstetra, pois a partir do momento que a gente identifica risco, você pode atuar para que o parto aconteça o mais próximo possível das 37 semanas, quanto mais tempo o bebê estiver intraútero, menor serão os riscos.
Se eu tenho uma paciente com colo curto e está evoluindo para o parto prematuro, eu tenho uma fase que vou promover a maturação pulmonar, neste processo, o médico entra com medicações e se esta paciente não estiver fazendo o acompanhamento médico, não tem como ser feita nenhuma intervenção.
- O que significa ter um parto humanizado?
O parto humanizado na verdade se trata de uma assistência humanizada, desde o acolhimento pré-concepcional até o puerpério, que é a fase de transição que a mulher volta ao estágio normal depois do parto. O que consiste num atendimento humanizado, é um atendimento acolhedor, que o médico juntamente com a sua equipe, vai proporcionar segurança a esta paciente. Aí entra o apoio psicológico, a base em literatura, para que possa ofertar este atendimento especial, e o parto, faz parte deste atendimento humanizado.
Às vezes as pessoas têm uma ideia errada de que o parto humanizado é aquele que você vai ganhar o bebê dentro da banheira, e não, você pode ganhar o bebê numa mesa ginecológica e mesmo assim a sua assistência foi humanizada.
No parto humanizado oferecemos um ambiente onde ela vai se sentir segura, confortável, iremos discutir sobre os desejos da mulher, como ela quer que este parto possa acontecer, lembrando que, embora exista um plano de parto, nem sempre aquele planejamento vai ser realizado. O plano de parto deve ser elaborado dentro da realidade, e a gestante sempre tem que ter em mente que as vezes serão necessárias algumas intervenções que não estão presentes naquele plano, ou seja, nem sempre o desejo da paciente pode ser cumprido à risca.
Parto normal e humanizado não podem ser confundidos, pois você pode ter uma cesariana humanizada, a via de nascimento não vai determinar se é humanizado ou não.
- Quais dificuldades do parto normal?
Existe um acompanhamento do trabalho de parto, a mulher pode ter o desejo, e eu respeito muito a vontade da mulher, porém se você acompanha o trabalho de parto e viu que não evoluiu e a partir do momento que começa a gerar risco para a mãe e para o feto, aí temos que entrar com a indicação da cesariana, pois ela também salva vidas. Nós usamos o partograma, que é uma ferramenta para acompanhar o trabalho de parto, a partir do momento que você atravessou a zona vermelha, que é a linha de ação, eu tenho, no meu papel de médica, que tomar uma atitude para poder entregar um bebê vigoroso para a mãe. Não insistimos até o último instante, eu vou até onde a literatura me permite.
- Outra questão importante para finalizar, quando rompe a bolsa, quanto tempo a gestante tem até fazer o parto?
Quando se trata de um bebê prematuro, a gente tenta manter essa gestação pelo menos até 36 semanas. Se é um bebê acima de 37 semanas, a paciente geralmente entra em trabalho de parto em até 8 horas após o rompimento da bolsa, não quer dizer que ao romper a bolsa necessite fazer cesariana, podemos entrar com outros tipos de conduta para nascer de parto normal.
*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, edição 1762 de 19 de janeiro de 2023.







