Está circulando nas redes sociais um vídeo do empresário e apresentador Roberto Justus ministrando uma das suas palestras. Na gravação, Justus aparece indignado com as pessoas que não se mostram competitivos, ou seja, para elas, o perder e o ganhar tem o mesmo valor. No “corte”, o empresário afirma: “Eu odeio aquele cara que chega e fala: ‘Eu jogo para competir, o importante é competir’. Isso é discurso de perdedor, ninguém tem que jogar para competir, tem que jogar para ganhar”.
Entendo que o perder, o empatar, e o ganhar é do jogo, mas concordo veementemente com as palavras de Justus. Ora, quem não entra com sangue nos olhos para vencer, automaticamente não entra para competir, entra para participar. Como diz o ditado, água morna não serve nem para fazer chá. E não estamos falando necessariamente de esporte, estou me referindo sobre uma competição chamada vida.
Antes mesmo de nascer já estamos competindo. Demos sorte de vir ao mundo, pois a concorrência era com milhões de espermatozoides e nós fomos privilegiados de sermos agraciados com a oportunidade de viver. E já que recebemos este prêmio, devemos honrá-lo diariamente, se dedicando e buscando ser um ser humano cada dia melhor.
Imagina só se todos os dias melhorarmos 1%, aperfeiçoarmos algo que apresentamos dificuldade, aprendermos uma nova habilidade, não chegaremos bem melhor preparados ao final do ano?
Porém, se você não consegue vencer a procrastinação, a preguiça, não consegue vencer a sua falta de vontade, como você acha que vai conseguir estar à frente do seu concorrente?
Esta semana foi marcada com o reinício das aulas, e neste sentido, penso que esta doutrina de um mundo capitalista e competitivo, deve ser inserida cada vez mais cedo na vida das crianças. Devemos identificar as dificuldades que elas apresentam e incentivar que possam melhorar o seu desempenho e assim prepará-las para os desafios que vão encontrar ao longo da vida.
Mas deixo claro, incentivar não significa simplesmente, bater palmas para toda e qualquer ação que o seu filho faça, seja ela certa ou errada. Como por exemplo, o filho foi mal na prova, os pais vão lá e o parabenizam para incentivá-lo mesmo tirando a nota baixa. Mas, calma aí, no tempo livre que o seu filho tinha, ele deixou de lado o celular, o futebol ou o vídeo game para dedicar algumas horinhas da sua folga para estudar? E em sala de aula, como é o seu comportamento, ele é participativo ou pelo menos presta atenção no professor?
Portanto, este senso de competitividade deve estar inserido cada vez mais cedo na vida das pessoas, o que não quer dizer que tenhamos que adotar uma postura arrogante e prepotente, não é isso, entretanto se faz necessário conscientizarmos os nossos filhos que o mundo não é só um mar de rosas e que as coisas não caem do céu.
Ninguém precisa passar por cima de ninguém para crescer na vida, mas se faz indispensável buscar a evolução para conquistar o seu espaço, ou seja, a competição é com você mesmo.
Por: Orli Ricardo – Jornalista
*Editorial publicado no Jornal O Celeiro, Edição 1765 de 09 de Fevereiro de 2023.


